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Este trabalho aborda a incorporação de um grupo de futebol como parte integrante das atividades desenvolvidas pela equipe Redenção na Rua. A escolha desse tema se baseia na compreensão da importância de abordagens inclusivas e multifacetadas para atender às necessidades de uma população em situação de vulnerabilidade, promovendo não apenas a saúde física, mas também o bem-estar social e emocional. A atuação de uma equipe de consultório na rua que atua especificamente na região da Cracolândia, demanda de estratégias inovadoras e adaptáveis para estabelecer vínculos mais profundos e eficazes com a população atendida. A introdução de um grupo de futebol surge como uma ferramenta potencialmente poderosa para promover a inclusão social, o desenvolvimento de habilidades interpessoais e o bem-estar geral dos indivíduos em situação de rua. Nossa atuação acaba por justificar e explorar os impactos positivos dessa abordagem na promoção da saúde integral de nossos assistidos. Usuários de múltiplas substâncias possuem uma dificuldade em aderir aos cuidados em saúde devido ao uso contínuo e abusivo de substâncias psicoativas (SPA). E com o tempo percebemos que essas pessoas passaram a aderir e seguir as orientações de saúde dos profissionais de nossa equipe quando houvesse vínculo, o futebol foi uma estratégia onde os usuários aderiram de forma rápida, comprometida e respeitosa.
Através da criação e do fortalecimento de vínculo, somado as estratégias de redução de danos, temos como propósito pensar em formas de cuidado que sejam terapêuticas e promovam cuidado em saúde, como: – Ofertar estratégias de redução de danos para usuários de múltiplas substâncias; – Ofertar estratégias terapêuticas que estimulem o cuidado em saúde; – Promover ações de prevenção à saúde; – Sensibilizar as equipes para um atendimento livre de julgamentos e discriminações; – Fortalecer as relações com o público alvo de nossa equipe; – Avaliar como a prática do futebol pode contribuir para a inclusão social, o desenvolvimento de habilidades interpessoais e o bem-estar físico e mental.
Na estruturação de nossas atividades, sempre iniciamos com uma Busca-Ativa nas cenas de uso, afim de abordar a população em situação de rua, estando em uso de SPA ou não, e sensibilizá-los para participarem de nossas ações. Após a participação nas atividades, é realizada uma escuta qualificada, cuja intenção é identificar as demandas de saúde, filtrá-las e encaminhá-las para suas devidas tratativas, em alguns casos a consulta médica é realizada no próprio local da ação, e quando não é possível, conseguimos realizar o agendamento desta consulta. Também utilizamos a UBS de referência para agendamento de consultas com especialistas. A maioria de nossas ações se dá em espaços públicos como: praças, parques, quadras e espaços a céu aberto. Também temos acesso a museus como o Museu da Língua Portuguesa, Pinacoteca de São Paulo, Museu da Resistência e Museu do Futebol. São espaços culturais potentes em que nossos atendidos se sentem acolhidos, e por muitas vezes, empoderados, já que esses locais também enxergam o indivíduo como um todo, e não como um recorte específico que reflete a situação de rua.
Espera-se que os resultados evidenciem melhorias na inclusão social, no desenvolvimento de habilidades interpessoais e no bem-estar geral dos participantes. A análise dos dados quantitativos e qualitativos nos fornece dados sobre o impacto positivo do grupo de futebol na vida da população em situação de rua, bem como nas práticas da equipe de consultório na rua. Observamos que a aderência ao cuidado em saúde é maior com os atendidos que estão inseridos nos grupos e nas ações de esporte, lazer e cultura dentro e fora de nosso território de abrangência. A vinculação entre profissionais e atendidos, se tornou uma ferramenta essencial para uma oferta de terapia humanizada e longitudinal. Foi necessário entendermos que estamos atuando diariamente em um território que está em constante alteração, e assim, nos adaptarmos a ele. Esse entendimento também nos trouxe uma nova maneira de se enxergar o trabalho exercido por equipes de saúde que atuam com pessoas em situação de rua, onde o foco é reabilitar o sujeito através de estratégias terapêuticas, olhando para ele como um outro universo e não apenas para a enfermidade e para o adoecimento, isso nos possibilita edificar relações de confiança e vincular a população ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Compreender que a equipe de saúde vai trabalhar com uma população que faz uso de substâncias psicoativas é fundamental e cabe a todas as categorias, analisar a trajetória de vida e os contextos sociais e culturais que rodeavam aquele sujeito antes das ruas, romper com os estigmas que a sociedade e o senso comum impugnam a estas pessoas por serem usuários de crack, álcool e de outras substâncias, se encontrarem em situação de rua e em alguns casos ter seu corpo como forma de renda. Assim sendo temos uma nova maneira de se olhar o trabalho de nossa equipe, onde o foco está em reabilitar os atendidos através de estratégias terapêuticas, edificando um debate para avaliar a contribuição das muitas categorias atuantes na equipe, uma vez que, por ser um assunto que gera debates preconceituosos e rodeados de inverdades, é algo que precisa ser desmistificado. Ao final do estudo, as considerações finais destacarão os resultados obtidos e sua relevância para a abordagem integral da equipe Redenção na Rua. Serão discutidas implicações práticas para a implementação de estratégias similares em outros contextos, enfatizando a importância de intervenções que vão além do aspecto clínico, promovendo a saúde de maneira holística e respeitosa.
Esportes, Redução de Danos, Vínculo.
Vinicius Augusto Basalia Rodrigues, Andrea Cristina Guerra