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As funções cognitivas são processos neuropsicológicos relacionados à capacidade de autonomia das pessoas, visto que por meio de seu funcionamento, elas são capazes de tomar informações, processá-las e usá-las para apreender e solucionar problemas de seus cotidianos. Diante disso, observa-se que o bom funcionamento cognitivo de uma pessoa terá proporcional reflexo sobre a qualidade de sua vida em sentido genérico. É sabido que o advento das manifestações de transtornos mentais graves como depressões graves, esquizofrenias, transtornos afetivo-bipolares e transtornos por uso de substâncias podem comprometer negativamente o funcionamento cognitivo do sujeito. A experiência visa contribuir para o preenchimento de lacunas referentes à apresentação de meios e de modos de se operacionalizar na prática a estimulação cognitiva para pessoas com transtornos mentais graves, visto que a maior parte dos materiais literários sobre o tema abarcam aspectos teóricos, que embora importantes, não satisfazem a demanda de profissionais inexperientes com a temática, mas que se interessem ou precisem beneficiar seus atendidos com a técnica.
Esse trabalho visa descrever estratégias utilizadas na prática cotidiana do funcionamento de um CAPS, através da aplicação de técnicas de estimulação do processamento cognitivo de alguns de seus usuários. O estudo descreve aspectos práticos da aplicação da estimulação cognitiva em usuários de um serviço especializado em saúde mental por meio de oficinas, partindo-se do pressuposto literário de que há benefícios da estimulação cognitiva quando aplicada em pessoas acometidas por psicopatologias graves. Assim, com base em discussões feitas em reuniões técnicas e em atendimentos individuais e familiares, um Projeto Terapêutico Singular (PTS) é composto contendo a participação no Grupo Semanal de Estimulação Cognitiva.
Os grupos que se encontram em frequência semanal, com a quantidade geralmente em torno de 12 participantes, a oficina de estimulação cognitiva do CAPS Alumiar, acontece sob orientação de uma dupla de psicólogos (conforme nomeação feita na epígrafe) que buscam planejar as atividades com pelo menos 48h de antecedência. O grupo tem perfil semiaberto porque devido ao seu caráter lúdico, os usuários de um modo geral (mesmo a clientela sem prejuízo cognitivo) costumam solicitar participação em suas atividades. No entanto, a inserção em suas ações é priorizada para fazer frente a situações em que o usuário apresente demandas de estimulação de seus processos psicológicos básicos como atenção, memória, raciocínio logico-matemático, raciocínio verbal, praxias visomotoras, controle inibitório e funções executivas. Normalmente, a oficina é iniciada com os psicólogos introduzindo um breve rapport conversando sobre a rotina dos participantes entre a atual e a última sessão. Após essa etapa, dá-se preferência por atividades de praxias ou que trabalhem funções psicomotoras, para assim, proporcionar um quebra-gelo e/ou um aquecimento com consequente engajamento para as outras atividades. O desenvolvimento se concretiza pela aplicação de tarefas feitas por meio de papel e lápis, conduzidas por atividades de leituras individuais, grupais, cálculos, leituras feitas pelos psicólogos ou após os integrantes terem assistido vídeos, ouvido músicas e participado de jogos lúdicos.
Percebe-se que devido à cronicidade de tempo com que os participantes têm convivido com as sequelas e/ou comorbidades provocadas pelo transtorno mental grave, vê-se que as atividades de estimulação cognitiva têm servido para evitação da piora do quadro de comprometimento cognitivo. Em alguns casos, discute-se em reuniões de equipe, com os usuários e com seus familiares sobre as atividades terem também propósito preventivo e preservador de uma possível perda de funcionamento cognitivo. Não tem sido possível aferir melhorias, no sentido da recuperação de habilidades mentais per se dos usuários. Não obstante, fazem-se evidentes ganhos substanciais voltados para traços de personalidade, já que as atividades têm contribuído para a lapidação de habilidade sociais, interação social, sociabilidade, autoestima, adaptação, empatia, flexibilidade, prudência, autoimagem.
Os profissionais observaram que as atividades da oficina de estimulação cognitiva têm sido valiosas para auxiliar os participantes a ampliarem seus repertórios comportamentais (traços de personalidade), pois através da observação (modelação) e da aprendizagem guiada passo a passo (modelagem), eles têm se tornado mais assertivos e sociáveis. Desse modo, pode-se concluir que as oficinas de estimulação cognitiva servem de importantes ferramentas para a reabilitação psicossocial conforme ambicionada pelo CAPS.
Estimulação Cognitiva, Modelação, Transtornos
ADRIANA TEIXEIRA BURITI, JEFFERSON MARQUES DIAS