Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
As arboviroses, doenças virais transmitidas por vetores artrópodes, representam um grave problema de saúde pública. No Município de São Paulo (MSP), o cenário epidemiológico é marcado pela circulação de doenças como dengue, chikungunya e doença aguda pelo vírus Zika (DAVI). A propagação dessas doenças se intensifica devido a fatores como crescimento populacional, iniquidades sociais, urbanização exacerbada e mudanças climáticas. O cenário epidemiológico da dengue e outras arboviroses no município de São Paulo (MSP) em 2024 foi desafiador. Os casos notificados e confirmados nos primeiros meses do ano superaram os registrados no mesmo período de 2015, ano de maior incidência histórica de dengue na cidade. Em resposta, foi publicado o Decreto Municipal 63.266/2024, declarando estado de emergência em saúde pública, medida que permanece em vigor. Diante deste cenário, os processos de trabalho de vigilância em saúde foram revisados e fortalecidos, e uma nova estratégia foi adotada para aprimorar o controle do Aedes aegypti. A estratégia incorporou o uso de drones aplicadores de larvicidas, oferecendo uma intervenção mais eficaz, especialmente em focos situados em áreas de difícil acesso. A implementação de novas estratégias é essencial para assegurar a qualidade dos serviços de saúde, bem como a integração das ações nos territórios.
Este relato de experiência tem como objetivo descrever o processo de implementação da nova estratégia de uso de drones como ação complementar ao Sistema Municipal de Vigilância em Saúde para aprimorar o controle do Aedes aegypti. O período de implementação ocorreu entre março e junho de 2024.
Este relato de experiência descreve a implementação da estratégia inovadora que utiliza drones para aplicar larvicidas, com o objetivo de intensificar o combate aos focos larvários e reduzir a população do mosquito Aedes aegypti. Amparada pela AIC N° 23/18 do Ministério da Defesa, que autoriza o uso de aeronaves remotamente pilotadas (RPAS) por órgãos governamentais em atividades de saúde pública, como o combate a endemias, foi realizada a contratação emergencial de uma empresa especializada para utilização de drones em locais de difícil acesso, como imóveis fechados ou abandonados, pontos estratégicos, e reservatórios de água destampados. Para essa operação, foram contratados cinco RPAS da Classe 3, registradas na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para uso profissional. Eles foram distribuídos regionalmente, cobrindo as áreas Norte, Sul, Leste, Sudeste, além de um dedicado às regiões Centro e Oeste. As 28 Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) identificam semanalmente locais para as operações. Após a consolidação dos endereços, o ponto focal da Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA) finaliza o cronograma de ações e registra as operações no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA), sistema responsável pela liberação de voos. Em seguida, essa relação é encaminhada para as UVIS, a empresa responsável pelos drones e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
A implementação desta estratégia foi articulada utilizando ferramentas de controle e programação de atividades. Foi criada uma pasta compartilhada para que cada UVIS pudesse registrar suas ações, permitindo o gerenciamento pelo ponto focal da COVISA. As planilhas de controle foram estruturadas em duas partes: cronograma de atividades e relatório de operações. Para melhor regionalizar esse processo, foram realizadas reuniões técnicas e operacionais com a participação da empresa contratada, da CET e das UVIS. O propósito foi fortalecer o acompanhamento e a execução das ações, garantindo que pudessem ser ajustadas de acordo com as necessidades identificadas. Além disso, foi iniciado o desenvolvimento do “DroneDengue – Sistema de Gestão dos Drones”, voltado para os servidores das UVIS e os gestores da COVISA. Este sistema permitirá o registro e a gestão das informações geradas, oferecendo funcionalidades como: Solicitação de Drone; Controle de Agenda; Monitoramento das Ações: para acompanhar e controlar o progresso das operações com os drones. Até o início de 2025, foram realizados mais 3700 aplicações de larvicidas com os drones.
Os resultados alcançados mostram avanços nas políticas públicas municipais e na prestação de serviços à população, refletindo o compromisso da prefeitura. A estratégia possibilitou uma abordagem mais dinâmica e coordenada, fortalecendo a capacidade de combate às doenças transmitidas por vetores. A continuidade e o aperfeiçoamento dessa estratégia visam reduzir a incidência das doenças e melhorar a qualidade de vida da população. A resposta municipal se torna cada vez mais eficaz, baseando-se em evidências e na integração de tecnologias inovadoras. Espera-se que, ao dar continuidade a esse processo e buscar aprimoramentos contínuos, a resposta municipal às arboviroses seja cada vez mais eficaz e eficiente. A abordagem coordenada, somada à padronização dos planos regionais, à colaboração intersetorial e ao acompanhamento constante, contribui para uma melhor qualidade de vida da população e do fortalecimento das ações de vigilância no MSP.
Controle de doenças transmitidas por vetores
BIANCA TOMI ROCHA SUDA