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A gestão de equipes médicas na Atenção Primária e Especializada enfrenta desafios históricos de comunicação e alinhamento institucional. Em Itaquaquecetuba, identificou-se a necessidade de transitar de um modelo de supervisão meramente administrativo para uma gestão de desempenho baseada em evidências. Assim, em agosto de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde instituiu o Manual Interno de Feedback, focado em todos os médicos da rede (concursados e contratados). A justificativa reside na premissa de que a segurança do paciente e a humanização do cuidado dependem diretamente da clareza técnica e do comportamento profissional. A experiência ocorre em todas as unidades da rede municipal, envolvendo gestores, coordenadores médicos e o corpo clínico, beneficiando diretamente toda a população usuária do SUS através da melhoria da qualidade assistencial e organização dos fluxos.
Estabelecer diretrizes técnico-normativas para a aplicação de feedback como ferramenta de desenvolvimento profissional; padronizar a comunicação entre gestão e corpo clínico através do modelo SCI (Situação, Comportamento e Impacto); fomentar uma cultura organizacional baseada na transparência e ética; e mitigar falhas assistenciais por meio de correções pedagógicas, assegurando o cumprimento de protocolos clínicos e a segurança do usuário no âmbito municipal.
A experiência foi estruturada em três fases: 1) Elaboração do Manual Interno com fundamentos jurídicos (LGPD e Estatuto do Servidor); 2) Capacitação das coordenações médicas e administrativas sobre o modelo SCI e a Técnica do Sanduíche; 3) Implementação do fluxo operacional. A metodologia foca no Modelo SCI: descreve-se a Situação (contexto sem julgamento), o Comportamento (fato concreto observado) e o Impacto (efeito no paciente ou na rede). Os feedbacks são divididos em Positivos (reconhecimento), Corretivos (ajuste de falhas em ambiente reservado) e Construtivos (plano de ação para o futuro). O processo garante o contraditório e a ampla defesa, separando o feedback educativo de processos administrativos disciplinares.
Desde a implementação em agosto de 2025, observou-se uma mudança na cultura organizacional, com a desmistificação do feedback como punição. Dados qualitativos indicam maior adesão dos médicos aos protocolos municipais e registros em prontuários. A padronização pelo modelo SCI trouxe segurança jurídica para os gestores e clareza para os profissionais sobre as expectativas institucionais. Houve redução em conflitos interpessoais nas equipes multiprofissionais e uma melhora perceptível na percepção dos usuários quanto à resolutividade do atendimento. A triagem de condutas baseada em fatos, e não em opiniões, permitiu identificar necessidades de educação permanente específica para determinados nichos da rede.
A institucionalização do feedback demonstra que a gestão do trabalho no SUS pode ser técnica, humana e eficiente simultaneamente. As reflexões durante o processo apontam que a comunicação assertiva é o pilar da segurança assistencial. A experiência revelou que o médico, ao receber um retorno estruturado sobre o impacto de seu comportamento no sistema de saúde, sente-se parte integrante da gestão e não apenas um executor de tarefas. Para o futuro, espera-se consolidar este modelo como parte da avaliação de desempenho anual, fortalecendo a Atenção Primária como uma rede de cuidado longitudinal e de alta performance profissional.
feedback médico modelo sci
PRISCILLA DE OLIVEIRA MACHADO, CAROLINA MONACO, GABRIEL DA ROCHA COSTA