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A resistência bacteriana aos antimicrobianos se tornou uma das maiores ameaças à saúde pública global. A Organização Mundial da Saúde e países como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e os Países Escandinavos já emitiram alertas sobre o aumento dessa resistência. O Brasil também enfrenta desafios semelhantes. A velocidade com que os germes desenvolvem resistência aos antibióticos supera nossa capacidade de criar novas drogas eficazes, colocando em risco a saúde de milhões. A disseminação de germes multirresistentes representa uma crise silenciosa, resultando em um crescente número de mortes em hospitais e comunidades. A prevenção e controle exigem ações coordenadas entre políticas públicas, iniciativas governamentais e intervenções hospitalares. A comunidade científica tem se empenhado em estudos que visam reduzir essa resistência, implementando políticas de uso racional de antimicrobianos e práticas de prevenção de infecções. No HMPB, assumimos a responsabilidade de enfrentar esse desafio com seriedade e inovação. Utilizando ferramentas de gestão, pretendemos desenvolver e implementar estratégias que combatam a disseminação de germes multirresistentes de forma sustentável a longo prazo. Nossa meta é garantir que as UTIs sejam ambientes seguros, protegendo pacientes e profissionais de saúde, e assegurando a eficácia dos tratamentos antimicrobianos através de um controle rigoroso e inteligente.
Reduzir a ocorrência de germes multirresistentes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HMPB, tanto como agentes causadores de infecção, identificados nas amostras de culturas diagnósticas, quanto como colonizadores, detectados nas amostras de culturas de vigilância. Para atingir essa meta, o foco será na implementação de práticas rigorosas de controle de infecção, incluindo o uso racional de antimicrobianos, protocolos de higiene e medidas preventivas. O objetivo é não apenas reduzir as taxas de infecções hospitalares causadas por esses microrganismos, mas também minimizar a colonização dos pacientes por germes multirresistentes, garantindo um ambiente mais seguro e controlado na UTI. A utilização de ferramentas de gestão, monitoramento contínuo e capacitação da equipe será fundamental para o sucesso dessa estratégia de controle e prevenção.
Iniciamos a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar com a Coordenação Médica e de Enfermagem da UTI, o Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência e apoio a todo o corpo diretivo do hospital. Realizamos um brainstorming para identificar vulnerabilidades e oportunidades, utilizando a Matriz SWOT para evidenciar forças, fraquezas, ameaças e oportunidades. As ações foram separadas em duas frentes: A. Evitar a formação de multirresistência: i. Uso racional de antibióticos em todas as unidades do hospital, incluindo profilaxia cirúrgica. ii. Protocolo de sepse. iii. Aprimoramento de estratégias diagnósticas. iv. Coleta de culturas com técnica adequada. v. Laboratório de alta capacidade. vi. De-escalonamento de antibióticos sempre que possível. B. Evitar a disseminação de multirresistência: I. Coleta de culturas de vigilância. II. Precauções especiais para pacientes colonizados ou infectados. III. Sinalização de pacientes com germes multirresistentes. IV. Higienização adequada das mãos. V. Cuidados na manutenção de dispositivos. VI. Monitoramento de práticas de segurança com Bundles. VII. Aprimoramento da higiene e limpeza. Mapeamos o processo para a linha de cuidado do paciente crítico, implementamos políticas adequadas e usamos o diagrama de Ishikawa para identificar necessidades. Estabelecemos um plano de ação baseado no 5W3H para controlar as ações. Medições periódicas permitiram reavaliar o progresso, para o acompanhamento de sua efetividade.
Até o momento, os resultados parciais indicam uma verificação mais eficaz da ocorrência de germes multirresistentes e uma vigilância aprimorada dos pacientes sob medidas de precaução específicas. Com isso, esperamos que, como legado desse trabalho, haja uma redução significativa no número de infecções por multirresistência. Além disso, pretendemos otimizar o uso de antimicrobianos, garantindo que sejam utilizados de forma racional e eficaz. A incorporação de ferramentas de gestão nas atividades diárias do hospital também é uma expectativa importante, pois permitirá um controle mais rigoroso e sistemático, promovendo melhorias contínuas na qualidade do atendimento e na segurança do paciente. Esses resultados preliminares refletem nosso compromisso em enfrentar os desafios da resistência antimicrobiana e em criar um ambiente mais seguro para todos.
Atualmente, o trabalho é considerado um modelo para o desenvolvimento de ações na UTI Neonatal e para a revitalização do serviço de nutrição e dietética. O uso racional de antimicrobianos foi abordado com a criação de um guia terapêutico para infecções comunitárias, aplicado aos pacientes que chegam ao hospital, além do aprimoramento da metodologia diagnóstica das infecções tratadas. Um trabalho específico visa evitar o uso de antimicrobianos em pacientes colonizados, com vigilância diferenciada para aqueles com fatores de risco para multirresistência, envolvendo Coordenadores e a equipe do SCIRAS, em colaboração com o coordenador médico da UTI. Entre os benefícios diretos, destacam-se o aperfeiçoamento da equipe de Higiene e Limpeza, com revisão de manuais e validação das fichas de segurança de produtos químicos pelo CCIRAS, promovendo desinfecção eficaz. A criação de uma sala de hemodiálise fora da UTI para atender pacientes das enfermarias que necessitam desse tratamento, a incorporação de novos equipamentos e leitos com regulagens eletrônicas e colchões, além do aprimoramento do controle de POPs, demonstram o progresso do plano de ação.
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MARCOS JOSÉ MONTEIRO LEMOS, ADALBERTO PEREIRA, VANESSA DOMINGUES IMAMOTO, BEATRIZ DUARTE, LINDIANE SANTOS SOUZA