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As Portarias MS n° 321/1988 e 1010/2006 indicam espaços de amamentação nas creches de todo o território nacional para que a mulher possa oferecer o seu leite e/ou retirá-lo e armazená-lo para ser oferecido posteriormente. No entanto, não é uma realidade aplicada nos municípios brasileiros. Neste sentido, em Marília/SP, a Secretaria Municipal da Saúde e a Secretaria Municipal da Educação implantaram salas de apoio à amamentação nas escolas de educação infantil. A primeira sala foi inaugurada em 2014 e, com o sucesso desta iniciativa, implantamos 16 salas em uma década.
O objetivo principal deste relato de experiência é apresentar as salas de apoio à amamentação enquanto estratégia de proteção da mulher trabalhadora que amamenta e de promoção à saúde da criança.
Esta experiência é pioneira no município e no país, sendo a primeira sala inaugurada em 06/06/2014. Com o sucesso desta iniciativa, totalizamos 16 salas em uma década (2014-2024). Em um trabalho intersetorial, a equipe da Secretaria da Educação, junto com a direção de cada escola, ficou responsável pela identificação da estrutura física nas escolas e providenciou adequação do ambiente, seja por meio da reforma, ampliação ou até mesmo construção. A Secretaria da Saúde, através do Banco de Leite Humano (BLH) equipou as unidades com poltrona, mesa, refrigerador, ar condicionado. O BLH, enquanto serviço especializado da Secretaria da Saúde, integrante da Estratégia Nacional para Alimentação Complementar Saudável (ENPACS) e da Rede IBFAN (International Baby Food Action Network ), bem como da equipe de implantação das salas de apoio à amamentação nas empresas, idealizou a proposta e participou de todo o processo de implantação. A equipe do BLH, com a participação do Curso de Fonoaudiologia da UNESP, e de nutricionistas da equipe de apoio multiprofissional , realizou a capacitação dos professores e diretores, bem como de toda a equipe escolar, por meio de Oficinas Participativas e de Rodas de Conversa. Além disso, elaborou um Protocolo de Boas Práticas com informações sobre o armazenamento e oferta do leite, controle e registro da temperatura da geladeira, higiene das salas, entre outras orientações, seguindo a RDC 171/2006 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Os relatos das diretoras das escolas de educação infantil demonstram que estas salas fazem parte da Rede de Apoio ao aleitamento materno. Desde a matrícula cada mãe é acolhida em suas necessidades e incentivada a fazer uso do ambiente que é especialmente preparado para amamentar seu filho em qualquer momento do dia. Ela também pode deixar na escola seu leite ordenhado e congelado que é devidamente acondicionado, preparado e oferecido à criança. O mesmo direito é garantido às mães servidoras da escola a amamentarem seus bebês matriculados na mesma. As mães que utilizam as salas de amamentação sentem todo carinho da equipe escolar, desde a limpeza até a organização da sala, quanto ao atendimento a uma das necessidades básicas da mãe enquanto amamenta, de ser acalentada como um copo de água fresca e uma poltrona aconchegante que lhe permite ter um momento único de muita qualidade com seu filho. Além da importância em relação a saúde e crescimento dos bebês, estar com o filho nos braços, ainda que seja por um tempo curto, devido a rotina de cada família, estabelece e cria uma relação de afeto ainda mais profunda entre a criança e sua mãe, laço que será eternizado por memórias afetivas.
Atualmente as salas de apoio à amamentação oferecem suporte e proteção à mulher trabalhadora que amamenta e são promotoras da saúde da criança. Como Política Pública Municipal, elas se tornaram obrigatórias nas escolas de educação infantil por meio da Lei 8849/2022. Além disso, foi assinado um Termo de Cooperação Técnica entre Secretaria da Educação e Secretaria da Saúde. A equipe escolar hoje apoia as funcionárias da escola para continuidade da amamentação, sendo um local de trabalho promotor e protetor do aleitamento materno, conforme previsto na Lei 9394/1996. A partir desta experiência, a temática do aleitamento materno foi inserida no calendário escolar e anualmente todas as escolas participam da Campanha do Agosto Dourado, divulgando, promovendo, protegendo e apoiando o aleitamento materno junto a comunidade escolar. Enquanto agente multiplicador, as escolas também compartilham do conhecimento com as unidades de saúde e comunidade do território por meio de reuniões com os familiares, diálogos com a equipe pedagógica e campanhas de divulgação durante todo o ano eletivo. Tanto as escolas promotoras do aleitamento materno, como o BLH, fazem parte e fortalecem as ações do Programa Saúde na Escola (PSE) no município.
Amamentação, Educação Infantil, Promoção à Saúde
SANDRA MENDONÇA OLIVEIRA DOMINGUES, EDINALVA NEVES NASCIMENTO, SÔNIA MARIA LIMA PERES