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As doenças respiratórias estão relacionadas a um forte impacto econômico para os sistemas de saúde e sociedade. O risco de doença pneumocócica (DP) aumenta com a idade, especialmente após os 60 anos. As doenças causadas pelo pneumococo podem ser classificadas como invasivas e não invasivas. Entre as invasivas, estão algumas doenças graves, como meningite, pneumonia bacterêmica e sepse. Entre as não invasivas, consideradas mais leves, mas de grande peso econômico e social, incluem-se otite média, sinusite, bronquite e também a pneumonia não bacteriêmica. A vacinação é a forma mais eficiente de prevenir as doenças pneumocócicas. As vacinas para prevenir a DP são usadas há mais de 30 anos. Estão disponíveis dois tipos de vacinas pneumocócicas para o público adulto: a polissacarídica 23-valente (VPP23), conjugada 13-valente (VPC13) e conjugada 15-valente. O calendário de vacinação do idoso do Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza a VPP23 para aqueles que são considerados de risco elevado para a doença pneumocócica (DP), como idosos institucionalizados e acamados. A vacina VPC13 atualmente é ofertada pelo Ministério da Saúde nos Centros de Referência a Imunobiológicos Especiais (CRIE) a apenas alguns grupos de alto risco, como: pacientes oncológicos, portadores de HIV/AIDS e transplantados.
O Município de São Paulo (MSP) possui Decreto Municipal que disponibiliza a vacinação pneumocócica a todas as pessoas acima de 60 anos durante a campanha da Influenza. A vacina antipneumocócica reduz a incidência de doenças invasivas por pneumococo, número de consultas por doenças respiratórias de vias aéreas superiores e inferiores, consumo de antibióticos e incidência de doenças invasivas por pneumococo por cepas resistentes a antibióticos. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS SP) adquiriu em 2023, 35.000 doses da VPC13.O objetivo é ampliar a oferta da VPC13 para a imunização de pessoas acima de 60 anos residentes de instituições de longa permanência (ILPI) e acamados em domicílio.
De acordo com levantamento realizado durante a vacinação da covid-19, o MSP estimou vacinar 14.878 idosos pertencentes ao grupo de residentes em mais de 460 ILPI instaladas. Foi adotada estratégia preconizada pela Sociedade Brasileira em Imunizações (SBIm), com esquema sequencial de VPC13 e VPP23 em idosos, não sendo necessária a submissão em comitê de ética e pesquisa. Durante campanhas de vacinação, é comum que sejam adotadas estratégias para alcançar grupos específicos da população, a fim de otimizar a logística e garantir uma cobertura vacinal abrangente. As Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS), por meio das Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) e das Unidades Básicas de Saúde (UBS) iniciaram a operacionalizaram da vacinação nas ILPIs e em acamados em abril de 2023, durante a Campanha da Influenza. Após análise da situação vacinal, a VPC13 era aplicada simultaneamente a vacina da Influenza.
As vacinas utilizadas atualmente têm mostrado eficácia em prevenir infecções pneumocócicas invasivas em pacientes imunocompetentes. A VPC13 contém polissacáridos de serotipos pneumocócicos 1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F, conjugados. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), recomenda que adultos com mais de 60 anos sejam imunizados, inicialmente, com a VPC13, seguida depois, da VPP23. A SMS SP administrou 18.627 doses da VPC13, sendo que destas, 9.914 doses foram realizadas em idosos em ILPI e 8.713 em idosos acamados em domicílio. Houve 100% de cobertura na população estimada, e não foram observados eventos supostamente atribuíveis a vacinação e imunização distintos da literatura. Após a vacinação do público prioritário, houve excedente de imunizantes, o que possibilitou a ampliação para a vacinação em demanda espontânea nas unidades básicas em saúde, para parte da população 60 anos mais, onde foram aplicadas 16.313 doses. A compra de doses excedentes visou cobrir qualquer risco de desabastecimento da população alvo, o que beneficiou um pequeno grupo da população geral acima de 60 anos que buscou a prevenção em demanda espontânea.
A avaliação econômica de um programa de vacinação estima os custos evitados pela prevenção da doença, frente aos custos e benefícios, em comparação a uma estratégia alternativa (não-vacinação ou programa existente), podendo auxiliar na alocação eficiente de recursos. A existência do decreto municipal possibilitou a expansão da vacinação pneumocócica em população vulnerável, adotando recomendações respaldadas por sociedades científicas. Este trabalho traz a discussão da possibilidade de ampliação de acesso público a vacinas ainda não disponibilizadas pelo PNI pelas secretarias estaduais e municipais de saúde como adoção de política pública de atenção aos mais vulneráveis. Com a oferta da VCP13 não se espera eliminar a pneumonia causada pelo S. pneumoniae e sim reduzir as taxas de internação por DP e mortalidade referente aos sorotipos mais prevalentes nesta população. Além do mais, as vacinas conjugadas reduzem as taxas de colonização por pneumococo, portanto, apresentam um relevante papel na proteção coletiva. No MSP, essa estratégia será avaliada anualmente, com a possibilidade da aquisição de um número menor de doses, priorizando sempre os que ainda não foram imunizados
Vacinação, pneumocócica, pneumococo, pneumonia
MARIANA DE SOUZA ARAUJO, MELISSA PALMIERI, ANDREA GRAÇA DA COSTA SATIRO DE SOUZA, DERONICE FERREIRA DE SOUZA, ELIANA DE FÁTIMA PAULO, ISABEL GOMES PEREIRA, JOÃO GREGORIO NETO, JOSÉ ELISOMAR SILVA DE SANTANA, JULIANA ALMEIDA NUNES, LUCIANA URSINI NUNES, LUIZ ARTUR VIEIRA CALDEIRA, MARIA DE FÁTIMA SOARES, OLGA RIBAS PAIVA, SONIA REGINA BARRETO