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Os Centros de Controle de Zoonoses integram a Vigilância em Saúde como componentes essenciais do SUS, atuando na prevenção de agravos, na proteção da população e na promoção do bem-estar animal. Em Itaquaquecetuba, até 2020, o processo de adoção de cães e gatos sob responsabilidade municipal apresentava limitações estruturais, reduzida visibilidade pública e ausência de exames diagnósticos sistemáticos, resultando em permanência prolongada dos animais, riscos sanitários, aumento de custos operacionais e maior vulnerabilidade à circulação de zoonoses. A partir de 2021, diante do desafio de qualificar o manejo e reduzir eventos sentinela relacionados a animais, o CCZ implantou uma estratégia inovadora baseada em parcerias intersetoriais. A iniciativa passou a garantir avaliação clínica completa, tratamento adequado de agravos identificados e exposição de animais saudáveis à comunidade, transformando a adoção responsável em ferramenta de prevenção, vigilância epidemiológica e gestão do risco sanitário.
Geral: Ampliar de forma segura e sustentável as adoções de cães e gatos do CCZ, qualificando o processo como ação de vigilância em saúde e prevenção de zoonoses. Específicos: -Garantir exames laboratoriais completos para triagem clínica. -Tratar adequadamente enfermidades identificadas antes da adoção. -Reduzir riscos sanitários e tempo de permanência no abrigo. -Expandir a visibilidade dos animais e fortalecer a adoção responsável. -Monitorar indicadores para tomada de decisão em saúde pública.
A experiência foi implementada no CCZ de Itaquaquecetuba a partir de 2021, estruturada em três eixos principais. O primeiro envolveu parceria com um banco de sangue animal, possibilitando coletas semanais dos animais aptos e, em contrapartida, a realização gratuita de hemograma, perfil bioquímico e testes para doenças infectocontagiosas. Os resultados laboratoriais passaram a subsidiar a classificação sanitária, o tratamento de agravos e a disponibilização apenas de animais clinicamente aptos para adoção. O segundo eixo consistiu na articulação com uma rede nacional de lojas, que acolheu os animais saudáveis e os manteve em vitrines por 21 dias, ampliando a visibilidade, descentralizando o fluxo e aproximando a comunidade do serviço. O terceiro eixo incluiu acompanhamento clínico contínuo, orientação aos adotantes, atualização de registros e monitoramento de desfechos.
Antes da intervenção (2017–2020), as adoções apresentavam variações anuais: 317 em 2017, 202 em 2018, 440 em 2019 e 260 em 2020. Após a implantação das parcerias em 2021, observou-se crescimento progressivo e sustentado: 521 adoções em 2021, 587 em 2022, 860 em 2023 e 740 em 2024, demonstrando impacto direto das ações implementadas.
A experiência demonstrou que a adoção responsável, quando integrada à avaliação clínica, monitoramento e articulação intersetorial, pode funcionar como estratégia efetiva de vigilância em saúde e prevenção de zoonoses. O modelo reduziu riscos sanitários, ampliou a oferta segura de animais saudáveis e fortaleceu a confiança da população nos serviços públicos.
Zoonoses, CCZ, adoção responsável
FABÍOLA JACOBINO DE SOUZA, RAFAEL VERÍSSIMO ERONOSOV GOMES, ALESSANDRA ELIZABETE AMÂNCIO BONFIM, DAYAN DE BARROS MARTINS