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A atenção primária à saúde é a principal porta de entrada no sistema único de saúde, esses pontos de atenção têm como perspectiva trabalhar em rede e que de 70%-80% das pessoas buscam o serviço com condições simples. O dispositivo intrauterino (DIU) com cobre T Cu 380 A, é caracterizado como tecnologia leve-dura, disponível gratuitamente pelo SUS e a enfermagem dispõe da autonomia para a inserção do dispositivo, os profissionais devem facilitar o acesso aos serviços de saúde reprodutiva fortalecido e equânime, o cuidado próximo as mulheres, estimular a autonomia, além de contribuir para a gestão dos recursos financeiros do SUS o que consequentemente leva ao modelo ideal e a redução da morbimortalidade materna. O cenário municipal que incentivou a proposta, conta com a disponibilidade de dois médicos especialistas contratados, que inserem DIU, atendem gestantes e as demandas clínicas ginecológicas. O modelo de contratação, carga horária, fluxo de atendimento, rotina instituída para inserção de DIU como o citopatologico dentro de 12 meses, ultrassom antes e após a inserção e preferencialmente deve acontecer a inserção no segundo dia do ciclo menstrual, torna-se mensurável a dificuldade no acesso na ótica descrita, levando à gravidez indesejada, eventos adversos, queixas recorrentes do sistema de saúde local, insatisfação no relacionamento entre parceiros, vínculo empregatício, pobreza, dependência dos auxílios federais e municipais, dentre outros.
Julgando a necessidade de reverter a situação da saúde sexual e reprodutiva dos usuários do sistema único de saúde do município de Rancharia que atualmente mantêm 08 Estratégias de Saúde da Família, 02 Equipe de Atenção Primária, 01 UBS III e aproveitar a oportunidade em promover saúde pública de qualidade com eficiência, iniciou o desenho do projeto para capacitação dos profissionais de enfermagem lotados na secretaria municipal de saúde para a adequada avaliação de elegibilidade das usuárias e inserção do dispositivo intrauterino. Realizar levantamento das inserções de DIU por profissionais não Enfermeiros Capacitar Enfermeiros das Estratégias de Saúde da Família Proporcionar acesso as mulheres em idade fértil e consequentemente diminuir as taxas de morbimortalidade materna e gravidez não planejada
A capacitação e o mutirão aconteceram, as mulheres atendidas foram selecionadas de acordo com os critérios de elegibilidade, demanda reprimida, novas solicitações e indicações. A capacitação teórica foi realizada com todos os profissionais lotados nas estratégias de saúde da família, a capacitação pratica foi efetivada com cinco profissionais da categoria de enfermagem em conformidade com a Norma técnica da atuação do Enfermeiro no Planejamento Familiar e Reprodutivo Resolução nº 690/2022. Para acompanhamento das mulheres que participaram do mutirão foi criado grupo de rede social, retorno individual em 30 a 45 dias e consulta presencial com livre demanda se necessário, os controles semestrais e anuais foram agendados nas equipes do território, as enfermeiras foram orientadas e munidas de material de apoio para acompanhamento e primeira conduta.
Para demonstrar o avanço nas ações preventivas e educativas de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas para a concepção e contracepção, assim como realizar a inserção, revisão e retirada do Dispositivo Intrauterino realizado por enfermeiros das estratégias de saúde da família, realizamos a analise do relatório de saídas do dispositivo intrauterino nos anos compreendendo 2020 a 2022 que tem como média anual a inserção de 12 dispositivos intrauterino quando realizados por profissionais não enfermeiros o que equivale a média mensal de 01 DIU/mês, no período de 2023 que compreende a capacitação e o inicio da inserção do dispositivo nas Estratégias de Saúde da Família até a primeira quinzena de fevereiro de 2024, o total de saídas é de 212 dispositivos. As mulheres tem a oportunidade de inserção nas estratégias de saúde da família com a enfermagem, mas se preferir são referenciadas aos especialistas conforme a rotina pré estabelecida e mantida por esses profissionais.
Concluiu-se que a enfermagem como protagonista e detentor do cuidado na saúde sexual e reprodutiva é indispensável, seguem realizando as inserções do DIU, em qualquer fase da vida reprodutiva inclusive como contracepção de emergência, o exame citopatologico não é impeditivo, a orientação é aproveitar a oportunidade para rastrear o câncer de colo uterino, ultrassom não é mandatório, exceto em casos necessários. Além de evidente a ampliação e facilitado o acesso, consequentemente diminuiu o custo municipal relacionado aos exames de ultrassom e transporte sanitário, pois nem sempre as vagas ofertadas são dentro do território de residência. Notamos que após a iniciativa com foco na categoria de enfermagem a autonomia, flexibilidade, confiança e formação de vínculo com a comunidade foram melhoradas. Entretanto é preciso desmistificar situações que impedem mulheres de ter o melhor cuidado baseado nas melhores evidências, ampliar o acesso e garantir os diretos sexuais e reprodutivos assim como a mudança de cultura, visto que contamos com o total de 17 enfermeiras e apenas 05 tiveram a iniciativa de ser capacitadas, os motivos entre outros são as questões religiosas, desconhecimento e insegurança profissional.
Dispositivo intrauterino, enfermagem.
Mariana Maniezo de Souza