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A doença meningocócica é vista como um problema preocupante de saúde pública, ainda nos tempos atuais, e está entre as doenças imunopreveníveis mais temidas, devido a elevadas taxas de morbidade e letalidade em todo o mundo, principalmente, no Brasil. A meningite é uma infecção bacteriana aguda que causa inflamação nas membranas que revestem o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). A transmissão ocorre de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias ou de saliva contaminada. Devido aumento das taxas de incidência de doença meningocócica causada pelo sorogrupo C, a vacina de rotina, foi introduzida no calendário vacinal, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) em 2010. A vacina está disponível na rede pública, com esquema vacinal de duas doses: 1ºdose aos 3 meses e a 2º aos 5 meses, e pode ser administrada até 4 anos, 11 meses e 29 dias. Em agosto de 2023, foram notificados e confirmados, 03 casos de meningite meningocócica do tipo C, na região norte de São Paulo, Distrito Administrativo Vila Medeiros, no período de 90 dias, indicador epidemiológico alarmante, devido aumento de casos na região. Diante deste cenário, foram iniciadas as atividades de intensificação vacinal, ações de prevenção e controle, atualização de vacinas contra meningite em população estimada de 37.590, dentro do território delimitado pela Coordenaria de Vigilância em Saúde (COVISA).
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada no planejamento e execução das ações de intensificação vacinal contra meningite e sua efetividade.
Trabalho de intensificação realizado no distrito de Vila Medeiros, com público-alvo com faixa etária de 3 meses a 80 anos de idade, para vacinação contra a doença Meningocócica C, caracterizado em: Seletiva, de acordo com a condição vacinal do indivíduo, conforme calendário vacinação; indiscriminada, para todas os indivíduos na área delimitada (exceto nos casos de haver vacinação prévia para meningite após os 15 anos). A Estratégia adotada para vacinação foi o “casa a casa”, incluindo também escolas, feiras livres, igrejas, campos de futebol e comércios. Além, de postos volantes localizados de forma estratégica na área delimitada. Para visualização da área, utilizou-se mapas impressos dos quarteirões, com as delimitações dos raios a serem visitados. Os profissionais foram organizados em equipes, compostas por enfermagem, agentes comunitário e de endemia. Na abordagem, foram avaliadas as cadernetas de vacina e realizada a vacinação, se indicada. Nos imóveis fechados, deixou-se o comunicado da ação para comparecimento à UBS. Para o registro e controle de locais visitados e pessoas vacinadas, adotou-se formulários padronizados, que continham dados como: nome completo, data de nascimento, vacina e dose aplicada, endereço e número visitado, quantidade de residentes, quantos vacinados, quantas recusas e quantos encaminhados à UBS. Como ferramenta de monitoramento, a fim de apoiar na gestão da ação, criou-se um instrumento compartilhado para inserção dos dados diários.
A ação de intensificação vacinal teve duração de 54 dias. Neste período, foram realizadas reuniões periódicas entre os serviços de saúde, unidade de vigilância e interlocução Norte para alinhamento e revisão das estratégias adotadas a considerar os resultados obtidos. Em análise dos números obtidos com as atividades realizadas na intensificação da imunização de meningite, destacamos: As equipes vacinadoras, imunizaram com meningocócica C: 22.959 usuários, ACWY: 222 usuários, 3.751 recusas e 6.112 inelegíveis (munícipes que já estavam vacinados ou que estava fora da faixa etária). Os imóveis visitados, correspondem a 17.779 domicílios, destes, 4.238 estavam fechados na 1ºvisita e 3.487 fechados na revisita. Nos imóveis fechados, foram entregues 1.647 filipetas para retorno desses munícipes à UBS, e 89% desses usuários retornaram à unidade para vacinação, após busca ativa. Analisando os resultados obtivemos, 62% usuários vacinados, 3% recusa,16% inelegíveis e 19% imóveis fechados, mesmo após revisita e busca ativa. Concluímos a realização das ações de intensificação de vacinação contra meningite no território, e a eficiência da ação se traduz na ausência de novos casos confirmados até o presente momento de meningite meningocócica C.
A realização das reuniões periódicas para alinhamento estreitou a comunicação entre os serviços, possibilitou uma visão sistêmica e permitiu ajustes da estratégia adotada que resultou em uma ação exitosa. Com a intensificação da imunização contra meningite no território obtivemos fortalecimento do vínculo com os líderes comunitários, ampliação da articulação em rede e engajamento das equipes das unidades de saúde, vigilância e interlocução Norte, trabalhando em equipe para a prevenção de novos casos, aumento da cobertura vacinal e promoção de saúde da população. Por fim, a realização da ação de intensificação em áreas que não possuem cobertura pelas equipes de estratégia de saúde da família, proporcionou um maior conhecimento do território e suas vulnerabilidades.
vacinação, meningite, estratégia, planejamento
Amanda Gonçalves Freitas Honda, Jane Kely Rosa Leite, Renan Jonathan de Paiva, Priscila Toledo Vidal Lopes