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Este trabalho é realizado no Hospital Cantareira – SPDM no Município do Estado de São Paulo com pacientes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde para tratamento da desintoxicação de substâncias psicoativas, desde 19/05/2023 (verificar inclusão do Redenção). Durante as reuniões de discussão de casos, uma preocupação constante da equipe multidisciplinar encarregada do atendimento ao paciente era a forma de motivá-lo a aderir ao tratamento, participar ativamente dos grupos terapêuticos e a exclusão de comportamentos inadequados. É notória e fundamental a motivação do paciente para o sucesso do tratamento, tendo em vista que a participação ativa nos grupos terapêuticos é essencial para a abordagem holística que almeja- se promover. Diante deste desafio, foram direcionados esforços na busca por estratégias personalizadas, visando despertar o interesse e a colaboração do paciente. O objetivo não se limitava apenas à melhoria de sua condição clínica, mas, também, à promoção do fortalecimento do engajamento nas atividades terapêuticas propostas. Foi nesse contexto que decidiu- se incorporar a técnica motivacional do Manejo de Contingência. No início da internação, o paciente recebe um cartão onde são registrados os pontos referentes aos comportamentos identificados pela equipe multidisciplinar como fundamentais para a melhoria da qualidade de vida do paciente. Essa abordagem busca estabelecer um sistema claro de recompensas e consequências, proporcionando ao paciente.
Observou- se que o dependente químico apresenta desafios significativos no âmbito comportamental e afetivo-emocional, tornando mais complexo o seu tratamento e a reintegração à sociedade. Ao empregar a técnica do manejo de contingência, conseguiu- se, efetivamente, promover transformações nos comportamentos adversos e aprimorar a adesão, bem como a motivação ao tratamento. Essa abordagem proporciona um ambiente estruturado, onde recompensas e consequências são associadas aos comportamentos desejados e indesejados, incentivando positivamente a busca por mudanças. Com o manejo de contingência, foi alcançado não apenas a modificação de padrões comportamentais prejudiciais, mas, também, a fomentação e construção de uma base sólida para a recuperação e a reinserção social do indivíduo.
É fornecido ao paciente um cartão de pontos, no qual foram estabelecidos alguns comportamentos que visam a melhoria do quadro durante o seu processo terapêutico na instituição, dentre eles destacam-se: Organização do leito e respeito pelos colegas e colaboradores; Participação em grupos terapêuticos; Utilização da pulseira de identificação e Comparecimento às consultas médicas. Diariamente, a equipe responsável realiza uma avaliação do paciente, concedendo um carimbo no item correspondente ao esforço demonstrado por ele: Organização do leito e respeito pelos colegas: Responsabilidade da equipe de enfermagem. Participação em grupos terapêuticos: Responsabilidade da equipe técnica e enfermeiros. Utilização da pulseira de identificação: Responsabilidade da equipe de enfermagem. Consulta com médico: Responsabilidade do médico assistente. As pontuações diárias são contabilizadas e utilizadas para a elaboração de um SCORE, que determina a troca de premiação programada para todos os pacientes ao final da semana, variando de 190 a 340 pontos e de 01 a 04 recompensas. Uma característica da dependência química é o imediatismo, e é por esse motivo que as trocas pelas recompensas são realizadas semanalmente. Essa frequência visa evitar a perda de motivação do paciente, proporcionando-lhe estímulos regulares e incentivando a manutenção de comportamentos positivos. Fatores como ameaça e/ou agressão verbal e física ou danos ao patrimônio público podem acarretar a perda do cartão.
A implementação do sistema de cartão de pontos para avaliação do paciente revela um esforço significativo da equipe multidisciplinar em promover comportamentos saudáveis e colaborativos durante o período de tratamento. Ao estabelecer critérios específicos, como organização do leito, participação em grupos terapêuticos, utilização da pulseira de identificação e comparecimento às consultas médicas, a abordagem visa abranger aspectos essenciais para o bem-estar do paciente. A liberdade dada ao paciente na escolha da recompensa, adaptada às preferências individuais, destaca a consideração pela singularidade de cada pessoa no processo de recuperação. A frequência semanal das trocas de recompensas, considerando o imediatismo associado à dependência química, demonstra sensibilidade à necessidade de estímulos regulares para manter a motivação. A retirada do cartão em casos de comportamento inadequado, como ameaça/agressão, alta pedido e danos ao patrimônio público, estabelece limites claros e reforça a importância da responsabilidade individual.
O manejo de contingência, utilizando o sistema de cartão de pontos, realizado no Hospital Cantareira – SPDM no Município do Estado de São Paulo com pacientes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde para tratamento da desintoxicação de substâncias psicoativas apresenta uma estrutura sólida e abrangente para promover a mudança de comportamento positiva, integrando aspectos clínicos e motivacionais no tratamento da dependência química. Essa abordagem visa criar um ambiente seguro e respeitoso para todos os envolvidos no processo de tratamento, além de incentivar a recuperação franca e integral do paciente.
Manejo de contingência, dependência química.
Bruna Ribeiro dos Santos, Juliana Sartore