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O sarampo é uma doença viral aguda transmitida por secreções respiratórias, iniciando-se seis dias antes e estendendo-se até quatro dias após o início do exantema. Caso suspeito é aquele com febre e exantema maculopapular, associados a tosse, coriza ou conjuntivite. A vacinação com a tríplice viral (SCR – sarampo, caxumba e rubéola) é a principal medida de prevenção e controle da circulação viral. Em 2016, o Brasil recebeu a certificação de país livre do sarampo, mas, em 2018, a circulação endêmica do vírus retornou, resultando em um surto com mais de 20.900 casos confirmados, sendo 9.387 no município de São Paulo (MSP). Este relato aborda as estratégias desenvolvidas desde 2024 pelo Núcleo de Doenças Agudas Transmissíveis (NDAT) relacionado às estratégias de vigilância epidemiológica ampliadas, com o intuito de monitorar casos suspeitos, investigar contatos e rastrear casos importados de sarampo. Essas ações foram adotadas em resposta ao aumento de casos em regiões próximas e aos riscos decorrentes dos fluxos migratórios. Elas complementam as estratégias do Ministério da Saúde para prevenir a reintrodução do vírus do sarampo no Brasil e apoiam a reverificação da interrupção da circulação do sarampo no país. Além disso, contribuem para a certificação da eliminação da rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita, reconhecida em 2024 pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica do sarampo, visando conter a propagação do vírus e interromper possíveis cadeias de transmissão. Específicos: 1.Assegurar a notificação oportuna de casos suspeitos; 2.Fortalecer a capacidade de adoção de respostas rápidas; 3.Reforçar a vigilância laboratorial do sarampo; 4.Contribuir para a manutenção da cobertura vacinal.
Além das ações estabelecidas pelo Ministério da Saúde para monitoramento e reverificação da eliminação do sarampo no Brasil, foram implementadas estratégias de fortalecimento da vigilância epidemiológica das doenças exantemáticas, por meio da padronização dos fluxos de investigação de casos suspeitos, do monitoramento ativo de contatos pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) de residência dos casos suspeitos. Adicionalmente, foram ampliadas as ações de bloqueio vacinal em casos importados fortemente suspeitos e intensificadas a coleta laboratorial de amostras clínicas para diagnóstico molecular e sorológico. Para o rastreamento de contatos e a análise da cobertura vacinal, foram utilizados os sistemas de informações governamentais SIGA Saúde, Vacivida e SI-PNI. Além disso, instituiu-se o uso de formulários eletrônicos para o acompanhamento de contatos e a investigação epidemiológica de sorologias reagentes provenientes da rede privada. Foi realizada uma análise de risco para definir a ampliação das ações de bloqueio da população residente no entorno dos casos fortemente suspeitos, bem como em todos os locais onde esses indivíduos circularam. Foram realizados 301 bloqueios vacinais seletivos (doses aplicadas para pessoas sem comprovação vacinal ou com esquema incompleto para a idade), sendo que dois tiveram operações estendidas pois estavam relacionados a casos importados confirmados de sarampo;
A investigação epidemiológica de exames provenientes da rede privada, contabilizados a partir de julho de 2024, abrangeu a análise de 73 casos. As ações realizadas contribuíram para a contenção da circulação viral e evitaram casos secundários. Além disso, a cobertura vacinal no município de São Paulo em 2024 superou a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, conferindo imunidade coletiva à população.
O trabalho apresenta as estratégias adotadas pelo Núcleo de Doenças Agudas Transmissíveis (NDAT) para o monitoramento e controle de casos suspeitos de sarampo no município de São Paulo. Diante do risco de reintrodução do vírus e do impacto dos fluxos migratórios, foram implementadas ações de vigilância epidemiológica ampliadas, com ampliação dos bloqueios vacinais seletivos e intensificação da vigilância laboratorial. No período analisado, foram realizados 301 bloqueios vacinais, aplicadas 5.344 doses de vacina e monitorados 131 contactantes em 12 voos. As estratégias adotadas evitaram casos secundários e contribuíram para o alcance da meta de cobertura vacinal no município, reforçando a proteção coletiva. A integração entre Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Vigilância em Saúde e sistemas de informação foi essencial para a efetividade das ações, consolidando a vigilância epidemiológica e apoiando a reverificação do Brasil como país livre do sarampo.
Sarampo,Vigilância Epidemiológica,Bloqueio Vacinal
LEANDRO SPALATO TORRES, PATRICIA SALEMI, VALESKA RAMOS ALEGRE, NATALIA GOMES MONTEIRO, LARISSA RANGEL, VINICIUS HILÁRIO FURTADO