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A tuberculose (TB) é uma das principais causas de morte entre pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), apresentando risco 26 a 31 vezes maior de adoecer ou falecer por TB em comparação com indivíduos não infectados. Estima-se que 400 mil PVHA morreram devido à TB. Cerca de um terço da população mundial está infectada com Mycobacterium tuberculosis, o que caracteriza a infecção latente da tuberculose (ILTB). Embora nem todos os indivíduos com ILTB desenvolvam a forma ativa, pessoas com HIV estão mais suscetíveis à reativação devido à imunossupressão. O diagnóstico da ILTB nas PVHA é fundamental para a implementação de tratamento preventivo, reduzindo o risco de progressão para a TB ativa, que exige tratamento mais complexo e tem prognóstico mais grave. Em 2021, o Ministério da Saúde incorporou o exame IGRA para rastreio da ILTB em PVHA com número de células T CD4+ superior a 350 células/mm³, tornando-se a principal ferramenta para diagnóstico da ILTB no Brasil. Fatores como etilismo, uso de drogas, número de células T CD4+ inferior a 350 células/mm³ e falta de adesão à terapia antirretroviral aumentam o risco de desenvolvimento de TB ativa em PVHA. Diante deste cenário, é essencial a implementação de estratégias eficazes de rastreamento, diagnóstico e monitoramento, visando a identificação precoce da ILTB e a prevenção da evolução para formas mais ativas da doença, promovendo a saúde e a qualidade de vida dessa população vulnerável.
Descrever as estratégias de detecção precoce de ILTB, bem como do monitoramento e supervisão do tratamento da infecção latente da tuberculose (ILTB) em pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) atendidas no CTA Mairiporã.
Este estudo retrospectivo analisou dados de prontuários de 171 pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) atendidas no ambulatório do CTA Mairiporã entre jan. e dez. de 2024. A investigação da ILTB seguiu as diretrizes do PNCTB, que recomendam o rastreamento em PVHA com contagem de CD4+ ≤ 350 células/mm³ ou com resultados positivos no teste IGRA. Os resultados das contagens de CD4 foram obtidos através do SIMC, enquanto os resultados dos testes IGRA foram acessados pelo GAL. Pacientes com IGRA reagente ou com contagem de CD4 abaixo de 350 células/mm³, após exclusão de TB ativa, foram considerados elegíveis para o tratamento preventivo. O tratamento consistiu na administração do esquema 3HP, que combina rifapentina e isoniazida em 12 doses semanais, conforme protocolo vigente. A supervisão foi realizada semanal/quinzenalmente, com registros detalhados em formulários específicos anexados aos prontuários dos pacientes. Para assegurar a adesão terapêutica, foi implementado o TDO, no qual os pacientes compareciam semanalmente ou quinzenalmente à unidade para a administração supervisionada da medicação. Cada dose administrada foi registrada em formulários específicos, integrados aos prontuários, permitindo um acompanhamento preciso e contínuo do tratamento. Esta abordagem metodológica visou garantir a identificação precoce e o manejo adequado da ILTB em PVHA, alinhando-se às recomendações nacionais para o controle da TB e minimizar o risco de progressão para a forma ativa da doença.
Das 171PVHA acompanhadas no serviço,72foram investigados para ILTB por meio do exame IGRA, enquanto os demais foram monitorados pela contagem de célulasTCD4. Dos72exames de IGRA realizados, 18(25,0%) apresentaram resultados positivos. Entre esses,17pacientes iniciaram o tratamento, sendo que 13(76,5%) concluíram a terapia, garantindo benefícios como a redução do risco de progressão para TB ativa e a melhora da resposta imunológica. No entanto, 2pacientes(11,8%) tiveram a terapia suspensa devido a efeitos adversos, e 2(11,8%) abandonaram o tratamento, elevando o risco de reativação da doença. Um paciente não recebeu indicação de tratamento por histórico anterior de TB. Entre os pacientes com contagem de CD4+ inferior a 350 células/mm³,13 foram identificados com indicação para tratamento. Desses,1paciente já havia tido tuberculose, 1acompanhado na rede suplementar,4(30,8%) completaram o tratamento, 4(30,8%) apresentaram dificuldades de adesão, 1(7,7%) abandonou o tratamento e 2(15,4%) estão na fase final da terapia. A resistência ao uso da TARV impactou negativamente a adesão ao tratamento da ILTB. Dificuldades como estigma social, medo dos efeitos colaterais e baixa percepção de risco contribuíram para essa baixa adesão.Destaca-se que a administração da medicação foi supervisionada semanal quinzenalmente para incentivar a adesão ao tratamento.Além disso, dos 17 pacientes com indicação de tratamento para ILTB via IGRA, 10 haviam apresentado resultados não reagentes.
O monitoramento e tratamento da ILTB em PVHA no CTA Mairiporã demonstraram-se fundamentais para prevenir a progressão para a TB ativa, contribuindo significativamente para a saúde dessa população vulnerável. A implementação do teste IGRA permitiu a identificação precisa de casos de ILTB, possibilitando intervenções preventivas adequadas. Apesar dos avanços, desafios persistem, especialmente relacionados à adesão ao tratamento e à ocorrência de efeitos adversos. A supervisão direta da administração medicamentosa mostrou-se eficaz para aumentar as taxas de conclusão terapêutica; contudo, a resistência ao uso da TARV e o estigma social ainda impactam negativamente a continuidade do tratamento. Para aprimorar os resultados, é imperativo fortalecer estratégias educacionais e motivacionais, oferecendo suporte individualizado que considere as particularidades de cada paciente. A integração entre os serviços de saúde e a capacitação contínua das equipes são essenciais para identificar precocemente os casos de ILTB e garantir a adesão ao tratamento. Em suma, embora progressos significativos tenham sido alcançados no manejo da ILTB em PVHA, a continuidade e o aprimoramento das políticas públicas são cruciais para superar os obstáculos.
ILTB- PVHA-TB
CAROLINE FERRAZ CARLIN, RICARDO KERTI MANGABEIRA ALBERNAZ, RAPHAEL APARECIDO DE SOUZA, FABIANA SOUSA DE JESUS RIBEIRO