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A equipe do CAPS Infantojuvenil II do distrito de Ermelino Matarazzo, São Paulo, vinha observando sobre as dificuldades de adolescentes em uso de SPA – substâncias psicoativas, de acessarem e darem continuidade dos acompanhamentos no serviço. Sendo assim, após discussões com equipe ampliada, pactuações para a concretização de estratégias de redução de danos foram sendo implementadas, com início em março de 2023, inclusive por buscas ativas em visitas domiciliares e articulação de rede intersetorial. Comportamentos de risco pelo uso prejudicial de substâncias psicoativas em adolescentes tem sido cada vez mais prevalente nos serviços de saúde mental, sendo necessário repensar estratégias que garantam proximidade e vinculação deste público que possui grande dificuldade de acesso aos serviços da rede1. Como política pública, a redução de danos é a estratégia de cuidado motriz dentro dos projetos terapêuticos singulares1. Os agravos comportamentais aliados a componentes de risco como a pobreza, os transtornos mentais, histórico familiar de uso de substâncias, tem mobilizado a equipe do CAPS Infanto-juvenil II de Ermelino Matarazzo a se desenvolver e desempenhar papel fundamental na transversalidade do cuidado, através de atendimentos domiciliares, individuais e familiares e articulação com Rede Intersetorial
Garantir e facilitar o acesso ao cuidado de adolescentes em uso prejudicial de substâncias psicoativas, sob a perspectiva da Redução de Danos
Relato do projeto terapêutico de três adolescentes, sexo masculino, cisgêneros, autodeclarados pardos (L1, 17 anos, L2, 16 anos e L3, 16 anos), acolhidos no CAPS entre 2022 e 2023, por uso prejudicial de substâncias psicoativas. Realizado cuidado comunitário, com atendimentos individuais e familiares, no CAPS IJ e no domicilio dos jovens. Organizado as agendas dos profissionais, bem como a reserva de carro institucional para as visitas e busca ativa. Resultados: A estratégia de Redução da Danos coloca o sujeito no processo de ressignificação do uso da SPA, onde o foco não é a abstinência, mas entender as relações e contextos do uso. Os adolescentes se apresentaram com vulnerabilidade social, rede de suporte fragilizada, com prejuízos na saúde física e mental, comprometimento escolar, baixo vínculo com os serviços de saúde e em comum uso das drogas emergentes “K” ou “Spice”, encaminhados pelo serviço de Medida Socioeducativa. Dada a gravidade e a fragilidade no acesso ao CAPS IJ, por condições geográficas e de renda, a estratégia da referência terapêutica, foi o investimento comunitário, realocando o foco de atendimento no espaço real e dinâmico de vida.
As ações de reabilitação psicossocial no território foram fundamentais para aumento do vínculo e efetividade dos combinados, além da contratualidade, onde referências técnicas pode acompanhá-los em consultas psiquiátricas e clínicas, na UBS e no Hospital; orientações sobre a terapia farmacológica; cuidados com a segurança alimentar e hidratação; atividades educativas de prevenção e promoção de saúde. A rede intersetorial também foi acionada para garantia de direitos, como a Assistência Social, a Justiça, Educação e atendimentos familiares. Observamos a redução gradativa do uso e de acolhimentos por intoxicação, com melhora da qualidade de vida. Fortalecimento dos círculos sociais e familiares, cumprimento efetivo das medidas sócio educativas e não reincidência por atos infracionais.
Ressaltamos sobre a importância de discussões de casos em reuniões ampliadas para planejamento de estratégias de ações de redução nos contextos de vida dos usuários e seus familiares juntamente a rede intersetorial, facilitando e fortalecendo que a equipe do CAPSIJ a desenvolver atribuições no campo da saúde mental, e na oferta de cuidados a adolescentes em uso de substâncias psicoativas, e a garantia de acesso a direitos estabelecidos pelo ECA. Conclui-se que a atuação territorial com foco na redução de danos no acompanhamento desses usuários contribui para redução de internações clínicas em unidades de urgência e emergência, e psiquiátricas em CAPS 3; diminui a reincidência de atos infracionais, promove a autonomia e resgate do protagonismo de sua existência através do projeto terapêutico singular.
ACESSO AO CUIDADO DOS ADOLESCENTES NO CAPS IJ
Gilmar da Silva Araújo, Aline Urini Negrigo, Bruno Makoto Matsuno, Jessana Bessa