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O Comitê Regional de Prevenção e Investigação da Transmissão Vertical da Sífilis da Coordenadoria Regional de Saúde Sul (CRS Sul) foi implantado conforme Portaria Municipal nº003/CRS-SUL/2020 e Protocolo/Guia do Ministério da Saúde. O comitê é realizado mensalmente e conta com a participação dos representantes das áreas técnicas (Vigilância em Saúde, Atenção Básica, Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Assistência Laboratorial e IST/AIDS) da CRS-Sul e das cinco Supervisões Técnica de Saúde (STS) Campo Limpo, Capela do Socorro, M’Boi Mirim, Parelheiros e Santo Amaro/ Cidade Ademar, além das Organizações Sociais de Saúde (OSS)/Parceiros das Maternidades, serviços especializados e demais serviços envolvidos. O comitê foi criado com a intenção de investigar todos os casos de Sífilis Congênita (SC) notificados na região Sul de forma a identificar eventuais falhas nos serviços durante acompanhamento das gestantes com sífilis, recém-nascidos e crianças expostas, além das vulnerabilidades sociais das gestantes com sífilis, para discussão de possíveis estratégias a serem realizadas para prevenção de casos de SC.
Relatar as estratégias adotadas pelo comitê de investigação da transmissão vertical da sífilis para redução da sífilis congênita na região sul e os resultados obtidos segundo dados de notificação de Sífilis Congênita por CRS e STS em comparação com as taxas de incidência de SC por mil nascidos vivos em 2021, 2022 e 2023.
Visando a ampliação do diagnóstico e a garantia do tratamento adequado da sífilis adquirida e sífilis em gestante e, consequentemente, a redução do número de casos de SC, foram adotadas algumas estratégias: educação permanente via protocolos vigentes com foco na assistência e na vigilância da sífilis; ampliação da participação dos profissionais das UBS e Maternidades no encontros do comitê para melhoria da qualidade da investigação dos casos de SC com desfechos adequados conforme protocolos e proposição de intervenções necessárias; realização de visitas nas maternidades para divulgação e execução do protocolo municipal de prevenção da TV da sífilis; avaliação do diagnóstico de sífilis, principalmente em gestantes, com Teste Rápido para garantia de diagnóstico precoce; avaliação dos resultados de TR de sífilis para indicação da necessidade de treinamento aos profissionais da assistência; monitoramento dos resultados laboratoriais para identificação de divergências e intervenções necessárias; avaliação de todos os casos apresentados no comitê pela vigilância em saúde com levantamento do perfil epidemiológico para promoção de ações de saúde e prevenção da sífilis; apresentação dos dados do comitê para gestão regional e local para conhecimento das potencialidades e fragilidades da gestão e do serviço, bem como as vulnerabilidades individuais, no sentido de intervir em soluções e determinantes para redução da SC.
A taxa de incidência de SC na CRS-Sul de 2021 foi de 7,0 casos por mil nascidos vivos, sendo 7,7 casos em Campo Limpo, 7,8 casos na Capela do Socorro, 7,1 casos no M’Boi Mirim, 4,7 casos em Parelheiros e 6,1 em Santo Amaro/Cidade Ademar. O MSP teve nesse ano a taxa de 7,1 casos. A partir de 2022, a SMS, Atenção Básica/COVISA, adotou o ‘Selo de boas práticas no enfrentamento da sífilis congênita’ com premiação aos trabalhos das STS e CRS. Os trabalhos são classificados nas categorias ouro, prata e bronze, conforme o alcance dos indicadores e metas de processos previstos no Guia para Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV e/ou Sífilis do MS. Dos casos de 2021, somente as STS de Parelheiros, M’Boi Mirim e Santo Amaro/Cidade Ademar receberam Selo por terem a taxa menor que 7,5 casos por mil nascidos vivos. Em relação aos casos de SC nascidos em 2022, a CRS-Sul teve redução da taxa de incidência com 6,5 casos de SC por mil nascidos vivos, a STS Campo Limpo com 6,5 casos, Capela do Socorro com 7,0 casos, M’Boi Mirim 7,3 casos, Parelheiros 3,4 de Santo Amaro/Cidade Ademar com 6,3 casos. Diante desses indicadores de 2022, em 24/10/23 a CRS Sul e suas STS receberam da SMS o Selo nas categorias prata para Parelheiros e bronze para as demais. Além dos resultados dos indicadores epidemiológicos, também se verificou que houve diminuição dos casos de SC com falha dos serviços de assistência.
Concluímos que as estratégias realizadas pelo comitê estão contribuindo com a redução da transmissão vertical da Sífilis, porém há desafios além do aprimoramento da assistência e da gestão. O território da CRS-Sul apresenta altos índices de vulnerabilidade social, produzindo uma série de problemáticas e desafios na formulação de políticas públicas efetivas diante dessa realidade. Temos avaliado que muitos casos de SC têm como eixo a vulnerabilidade individual e social, que impacta na garantia do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da sífilis, principalmente em gestantes, como por exemplo, pré-natal irregular, não tratamento da parceria sexual, gravidez indesejada, o uso abusivo de drogas, pacientes sem residência física, entre outras. Entendemos que é necessário ampliar e fortalecer as ações do comitê com intensificação do diagnóstico precoce e tratamento oportuno e adequado das gestantes e parcerias sexuais no pré-natal, realização das ações de educação permanente para qualificação dos profissionais de saúde e da gestão, qualificação das informações epidemiológicas com notificação e investigação dos casos e desenvolvimento de ações de saúde integradas com os demais atores envolvidos na prevenção da sífilis.
Sífilis, Gestante, Comitê
Patrícia Leal Sousa, Marcela Miura Satow, Alexandra Guimarães de Oliveira, Silvia Akemi Odo, Edgar Rocha Britto, Sarah Saul, Francidalva Cantuário Gonçalves Carneiro, Juliane Guingo