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Os Serviços Residências Terapêuticas (SRT) são descritas na Portaria 106/2000 como moradias destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que não possuam suporte social e laços familiares e, que viabilizem sua inserção social, sendo assim, equipamentos potentes para a reapropriação da identidade, resgate da autonomia e reconstrução dos vínculos afetivos destes sujeitos, e imprescindíveis no processo de desinstitucionalização, que não deve ser compreendida apenas pela desospitalização (BRASIL, 2000). Em meio a essa discussão, torna-se necessário interdisciplinaridade, já que, para os casos clínicos mais complexos, o trabalho compartilhado é um recurso de ampliação da atuação dos profissionais neste sentido, é por meio da interdisciplinaridade do cuidado que os vários olhares dos profissionais se encontram, para uma troca de saberes e o compartilhamento de estratégias de trabalho que busquem uma atenção ampliada e que possibilitem o cuidado do sujeito de acordo com suas necessidades e de forma integral (Bispo, Tavares, & Tomaz, 2014). Destaca-se a elaboração das práticas de cuidado alinhadas à Reforma psiquiátrica e os Serviços Residenciais Terapêuticos, pautando os princípios que regem os Direitos Humanos. O relato de experiência justifica-se levando em conta a complexidade do cuidado, do perfil do morador das SRT, da importância da atuação multiprofissional, da rede de atenção à saúde (RAS).
Relatar os cuidados a saúde, reconhecendo os sujeitos de direito e na perspectiva do cuidado em liberdade, suas necessidades e desejos, construindo o cuidado a partir da retirada da sonda nasoenterica (NSE) aos cuidados mais complexos com as suas lesões (queimaduras de 1º e 2º grau), nos cuidados multidisciplinares, e um morador com transtornos mentais grave, morador de SRT.
M.P., sexo masculino, branco, 52 anos, passou 30 anos em hospital psiquiátrico, apresentava comportamento heteroagressividade, agitação psicomotora, convulsões, insônia, retardo mental grave e automutilação sendo submetido a procedimento de lobotomia. Portador de megacólon, a disfagia passou 18 meses em uso de sonda nasoenterica (SNE). Hipótese diagnóstica de F 06.8 (CID). Faz uso de várias medicações, com Projeto Terapêutico Singular (PTS), complexo e desafiador para ser construído. Em Maio de 2025, em uso de dispositivo SNE, apresentava comportamento recorrente de retirada do dispositivo, entende-se a necessidade de ampliar a discussão. Iniciada discussão em rede para viabilização de retirada da SNE com supervisão da equipe do SAD, equipe da SRT e referências técnicas do CAPS. Diante disto, o cuidado em rede se fortaleceu, em julho de 2025, o mesmo fez a transição da dieta por SNE para via oral. Deste modo, todas as necessidades do sujeito eram discutidas em rede. Em 18 de Julho de 2025, o mesmo feriu-se, ateando fogo no cobertor, que acabou atingindo o próprio corpo. A equipe prestou os primeiros socorros, foi acionado o SAMU. Foi encaminhado para a UPA, com diagnóstico de queimaduras de segundo e terceiro grau, tronco, hipocôndrio e coxa esquerda. O mesmo teve alta para casa SRT, onde continuou recebendo com a supervisão do enfermeiro Responsável Técnico (RT), e apoio multidisciplinar da equipe do CAPS, SAD e Unidade Básica de Saúde (UBS).
Foi realizada uma discussão de caso multidisciplinar com a introdução de dieta pastosas e líquidos com espessante, o plano de cuidado foi elaborado e segue sendo acompanhado com suporte das equipes do SAD e SRT até os dias atuais. A reavaliação ocorre todos os meses ou sempre que necessária supervisão é realizada pelo enfermeiro, responsável técnico das residências terapêuticas, conduta que se encontra até o momento bem sucedido e estável. Através de observação clínica e comportamental, o morador apresentou melhora na convivência, diminuiu a exposição às radiações, boa adaptação alimentar, com aceitação de alimentos pastosos sem presenças intercorrências clínica decorrente da retirada da SNE. Após as lesões auto provocada, o morador segue sendo assistido pela equipe dos equipamentos, SAD, UBS, CAPS, SRT, fez se necessário a elaboração de um plano de cuidado, semanal, para queimados críticos, que contemplavam curativos complexos ricos em diversos materiais, supervisões e orientações, tais como: todos os dias realizar curativo, com materiais estéreis, limpos todos dias; administração dos medicamentos de horário, analgésicos e avaliação da dor; ofertar líquidos e dieta com espessante via oral para hidratação; orientações para o banho de aspersão, sempre a com água em temperatura próxima mais próxima da ambiente.
O trabalho conjunto realizado de forma articulada e integrada, além de contribuir para a troca de saberes, proporciona uma solução ao considerar a totalidade dos problemas do usuário, ou seja, de modo que, seus problemas não sejam tratados de forma fragmentada. A avaliação era realizada diariamente pela enfermagem, com parceria da equipe do SAD, UBS e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), sempre por um profissional de saúde qualificado. Quando surgiram dúvidas, frente a não evolução da cicatrização era proposto a substituição dos materiais do curativo. As principais contribuições identificadas foram: Articulação dos cuidados do morador da SRT com a RAS. Supervisão do enfermeiro RT frente às dificuldades apresentada pela equipe de cuidadores e equipe de enfermagem. Conhecer a efetividade dos curativos e coberturas em feridas por queimaduras. Diminuir custos com tratamento para lesões de pele relacionadas a queimaduras. Corroborar com o SRT que é pouco discutido, para além dos cuidados e reabilitação psicossocial. Fortalecer as evidências e contribuir com o fortalecimento do SUS, garantir o processo de cuidar com qualidade.
Interdisciplinaridade Projeto Terapêutico Singular
THIAGO SUZANO OLIVEIRA, ANA MARIA SANTOS DA SILVA, ELEN DO NASCIMENTO, SAMANTA P. S. PEREIRA, THAIS REGINA CORREA