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Em 2024 foi criado o Projeto Boas Práticas, uma iniciativa que integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), parceria entre o Hospital do Coração (HCOR), a Beneficência Portuguesa de São Paulo e o Ministério da Saúde. Este projeto visa qualificar serviços na gestão e manejo clínico na linha de cuidado da Síndrome Coronariana Aguda (SCA), por meio do monitoramento do uso de ferramentas e da implementação de diretrizes assistenciais em cardiologia. A UPA Jardim Icaraí Quintana foi uma das instituições selecionadas para participar do projeto neste triênio, representando uma oportunidade significativa para aprimorar a qualidade da assistência e contribuir para a melhoria da saúde pública. Este relato apresenta a experiência da UPA Jardim Icaraí Quintana na identificação precoce e no manejo da SCA. Através da implementação de estratégias específicas, buscamos reduzir o tempo entre a chegada do paciente e a realização do eletrocardiograma, visando melhorar os desfechos clínicos dos indivíduos atendidos. Essa abordagem objetivou não apenas otimizar o atendimento, mas também assegurar que os pacientes recebam intervenções oportunas e eficazes, contribuindo para melhores resultados em sua saúde.
O objetivo deste relato de experiência é apresentar a vivência da UPA Jardim Icaraí Quintana na redução significativa do tempo porta-eletrocardiograma através da implementação de novas estratégias, por meio do apoio do Projeto Boas Práticas e atuação do Núcleo de Educação Permanente (NEP) estabelecendo um padrão de atendimento que permita a realização do exame em até 10 minutos, conforme recomendado por diretrizes assistenciais.
Após ser integrada ao Projeto Boas Práticas, a UPA recebeu um aparelho de eletrocardiograma, com laudos elaborados por cardiologistas do HCOR, minimizando atrasos no diagnóstico. Durante reuniões mensais, nas quais indicadores de desempenho são abordados, identificou-se a necessidade urgente de redução do tempo porta-ECG. Para isso, diversas ações foram implementadas utilizando ciclos de melhoria contínua baseados na metodologia PDSA. Entre as iniciativas adotadas, destaca-se o treinamento da equipe sobre o protocolo institucional de SCA, envolvendo não apenas os profissionais assistenciais, mas também as demais equipes, enfatizando a importância da detecção precoce de sintomas. Adicionalmente, foram padronizados os pedidos de exames e realizadas rondas diagnósticas voltadas à auditoria dos protocolos de SCA. Outras medidas incluíram a designação de cadeira de rodas exclusiva para transporte de pacientes com suspeita de SCA e a criação de recursos visuais, com comunicados direcionados à população e placas anexas aos computadores que incentivam os profissionais ao questionamento ativo sobre dor torácica ao paciente. Também foi instalada a “Campainha do Coração”, cuja função é sinalizar à sala de emergência sobre o encaminhamento de pacientes que realizarão ECG. Ademais, o NEP utilizou a ferramenta 5W2H para identificar e corrigir falhas nos processos assistenciais e capacitou multiplicadores para treinamento sobre posicionamento de eletrodos durante a realização do ECG.
A análise longitudinal do indicador Tempo Porta-ECG, abrangendo o período de junho de 2024 a janeiro de 2025, revela uma evolução significativa na otimização do processo assistencial, com uma redução expressiva de 76,5% no tempo para a realização do primeiro eletrocardiograma após a admissão do paciente. O estudo mostra que o tempo médio inicial era de 34 minutos em junho de 2024, seguido por uma queda acentuada, atingindo 8 minutos em agosto. No entanto, observou-se uma oscilação em setembro, quando o tempo subiu para 18 minutos, possivelmente devido a fatores sazonais ou organizacionais. Nos meses subsequentes, o indicador estabilizou entre 12 e 14 minutos, culminando em janeiro de 2025 com o registro do menor tempo da série histórica (8 minutos), superando a meta institucional de 10 minutos. Essa melhoria sustentada sugere a efetividade das intervenções realizadas, que incluíram o redesenho de processos, capacitação da equipe assistencial e a definição clara de protocolos institucionais. Esses resultados representam um case de sucesso na gestão do tempo-resposta em serviços de urgência e emergência, com um impacto direto na qualidade assistencial e nos desfechos clínicos dos pacientes atendidos.
O Projeto Boas Práticas trouxe avanços significativos para o atendimento à Síndrome Coronariana Aguda na UPA Jardim Icaraí Quintana, com destaque para a redução expressiva no tempo porta-eletrocardiograma. A experiência demonstrou como intervenções bem planejadas, aliadas à capacitação da equipe e ao uso de ferramentas de gestão, podem transformar a qualidade do cuidado em saúde. Além disso, a colaboração entre diferentes profissionais e instituições reforça a importância de um trabalho integrado no contexto do Sistema Único de Saúde. Desta forma, os avanços alcançados pela UPA Jardim Icaraí Quintana não apenas melhoraram os desfechos clínicos dos pacientes atendidos, mas também asseguraram uma assistência em saúde mais eficiente frente às necessidades da população. A manutenção dessas práticas, portanto, é essencial para consolidar os resultados positivos obtidos e expandir os benefícios do projeto em futuras iniciativas.
Tempo porta-ECG, síndrome coronariana aguda
ISABELA CLARASSOTI SIMIONATO, ISADORA BARBOSA, ANDRÉIA ALMEIDA DA SILVA, BÁRBARA DE APARECIDA CYPRIANO, FRANCISLENE PEREIRA BORGES, SUZANA DA SILVA FREIRE COSTA, ANGELA DE OLIVEIRA LEMOS, LETÍCIA SOUZA FERNANDES