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Diante da necessidade de implementar a atual Reforma Psiquiátrica, que busca transferir os cuidados de pacientes de hospitais psiquiátricos para a comunidade, é importante reconhecer que manter pessoas com transtornos mentais institucionalizadas equivale a privá-las do direito fundamental de construir suas próprias identidades. É nesse contexto que os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) se destacam como uma importante estrutura de cuidado comunitário, oferecendo moradia assistida para até 10 pessoas que passaram por longos períodos de internação. O objetivo primordial desses serviços é atuar de forma proativa na reconstrução das identidades individuais dos beneficiários, facilitando assim sua reintegração plena na sociedade.
O objetivo foi estabelecer um Serviço Residencial Terapêutico tipo II, com capacidade para abrigar 10 residentes em um modelo misto. Esses residentes seriam provenientes do Hospital Bezerra de Menezes, situado no município de Rio Claro/SP, e do Hospital São Leopoldo Mandic, localizado na cidade de Arara/SP.
A metodologia adotada para a implantação do Serviço Residencial Terapêutico (SRT) seguiu um cronograma dividido em quatro etapas distintas. Na primeira etapa, iniciada em fevereiro de 2022, procedemos à avaliação dos pacientes em colaboração com a equipe do CAPS II e dos hospitais onde os pacientes estavam internados. A segunda etapa teve início em maio do mesmo ano e envolveu a classificação da elegibilidade dos pacientes, bem como o acompanhamento deles e de seus familiares. Dos 19 moradores inicialmente considerados, 10 foram elegíveis para o SRT, 6 para Residências Inclusivas (RI) e 3 para Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Em 2023, na terceira etapa, foi selecionado o imóvel para abrigar o serviço, o qual passou por adequações necessárias. Além disso, foram publicadas as empresas qualificadas para participar do chamamento, realizada a contratação da empresa escolhida e montado o serviço. A quarta etapa, realizada em outubro, focou na adaptação dos 10 residentes selecionados para o SRT. Finalmente, em 23 de novembro de 2023, o serviço foi oficialmente inaugurado, e todos os residentes foram acolhidos e acompanhados pela equipe do CAPS II, com a aplicação de seus Planos Terapêuticos Singular (PTS) devidamente elaborados.
Os resultados da implantação do Serviço Residencial Terapêutico (SRT) em Limeira têm sido notáveis e impactantes para a comunidade local e seus residentes. Após quase três meses de funcionamento da residência, observamos uma evolução significativa nos residentes. É importante ressaltar que muitos deles passaram cerca de 20 anos em internações hospitalares, chegando ao SRT com pouca familiaridade com aspectos básicos da vida cotidiana, como utilizar uma mesa de refeição, manusear talheres e pratos, entre outros. Ao longo dos meses desde a inauguração, testemunhamos uma adaptação notável por parte dos residentes. Eles não apenas aprenderam essas habilidades básicas, mas também demonstraram uma melhoria significativa em sua capacidade de comunicação e interação social. Além disso, receber visitas de familiares e até mesmo a possibilidade de passar finais de semana em suas residências evidenciam a reconstrução de laços familiares e sociais que antes estavam prejudicados devido à longa internação hospitalar. Esses progressos são indicativos do sucesso do SRT em proporcionar um ambiente terapêutico e de suporte que permita aos residentes recuperarem sua autonomia, fortalecerem sua identidade individual e reintegrarem-se à comunidade de forma saudável e produtiva. Esses resultados demonstram a eficácia e a importância desse modelo de cuidado na promoção da saúde mental e do bem-estar dos indivíduos com transtornos mentais.
Em suma, a implementação do Serviço Residencial Terapêutico (SRT) em Limeira representa um avanço significativo na promoção da saúde mental e no aprimoramento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), oferecendo um cuidado humanizado para indivíduos com transtornos mentais. Este modelo de cuidado comunitário proporciona uma alternativa eficaz e benéfica aos tradicionais hospitais psiquiátricos, destacando que a reintegração na sociedade é não apenas viável, mas também altamente benéfica para o bem-estar e a recuperação dos indivíduos afetados.
Desinstitucionalização, Saúde Mental.
Vitor Sérgio Couto dos Santos, Alexandre Ferrari Augusto, Andresa Medeiros Barros, Mayra Vasconcelos Araújo