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A Supervisão Técnica de Saúde Sé, junto à Coordenadoria Regional de Saúde Centro, é responsável pelo monitoramento e apoio às ações de saúde dos distritos administrativos: Sé, República, Liberdade, Cambuci e Bela vista no município de São Paulo. Na rede de atenção à saúde, atualmente temos 5 Unidades Básicas de Saúde, composta por 22 equipes de estratégia saúde da família, 5 equipes de consultório na rua e 7 equipes de atenção primária. De acordo o último censo populacional do IBGE, os distritos abrigam cerca de 256.000 habitantes e concentra cerca de 6.000 pessoas em situação de rua, 20% do total do município (Censo da População em Situação de Rua – PMSP 2021). As unidades de saúde do território enfrentam cotidianamente os desafios de acolher e atender integralmente às pessoas em situação de rua, dada a complexidade e vulnerabilidade dessa população. Entre as principais dificuldades podemos pontuar: alta prevalência simultânea de doenças crônicas, doenças infecciosas, transtornos mentais e dependência química; barreiras institucionais que afastam à população das unidades de saúde; necessidade de estabelecer vínculo e relações de confiança, pois muitas dessas pessoas têm experiências de violência e exclusão; entre outras. Frente a esse cenário, a equipe da STS Sé iniciou um projeto de aproximação das equipes da atenção básica e levantamento das dificuldades no cuidado compartilhado às pessoas em situação de rua.
A experiência objetivou promover a aproximação e o fortalecimento da integração entre as equipes da Atenção Básica, Consultório na Rua e outros serviços de saúde para otimizar o cuidado às pessoas em situação de rua; mapear desafios estruturais, administrativos e operacionais que impactam o acesso e a adesão aos acompanhamentos de saúde; realizar ajustes nos fluxos de atendimento, considerando as necessidades e realidades da população atendida; e, criar estratégias para facilitar a continuidade do cuidado, mesmo diante das vulnerabilidades. O projeto buscou, assim, aprimorar a atuação das equipes de saúde e superar desafios no cuidado compartilhado, garantindo um atendimento mais seguro, eficaz e digno às pessoas em situação de rua.
A Supervisão Técnica de Saúde Sé estabeleceu como meta para o Plano Municipal de Saúde (ciclo 2022-2025): “Aprimorar a integração entre as Equipes de Consultório na Rua, Estratégia Saúde da Família e Equipes de Atenção Primária das UBS do território da STS Sé” e como indicador: “Percentual de UBS da STS Sé desenvolvendo ou participando de ações conjuntas entre as equipes, com foco no cuidado compartilhado a pessoas em situação de rua”. E, ao longo dos anos 2023, 2024 e 2025, por meio das Programações Anuais de Saúde (PAS). A PAS traduz em ações concretas os objetivos estabelecidos no Plano Municipal de Saúde, por meio deste instrumento de gestão definimos as principais atividades a serem realizadas nos anos, considerando as necessidades da população. Foram realizadas ações de sensibilização em 100% das UBSs para as demandas da população em situação de rua e a necessidade do cuidado compartilhado; ações conjuntas com as áreas técnicas: Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Saúde Bucal, Busca Ativa de Tuberculose; foi incluído a temática vulnerabilidade da pessoa em situação de rua nas capacitações previstas no PLAMEP; e, realizado anualmente um encontro com toda a Rede de Saúde da STS Sé sobre as demandas da população em situação de rua, a necessidade do cuidado compartilhado e experiências exitosas.
A experiência proposta alcançou os seguintes resultados: – Ampliação da participação de profissionais do consultório na rua nas ações de educação permanente e continuada; – Participação de profissionais do consultório na rua em espaços compartilhados com as outras equipes da Atenção Básica, Especializada e Urgência e Emergência: Núcleos de Vigilância, Comitês, Conselho Gestor, Núcleos de Prevenção à violência, etc.; – Ampliação do contato dos interlocutores das áreas técnicas da STS Sé com as equipes de consultório na rua para encaminhar cursos, discutir casos, entre outros; – Melhor compreensão do trabalho desenvolvido pelas equipes de consultório na rua, principalmente pelas equipes de estratégia de saúde da família; – Novos fluxos e abordagens para melhorar o acolhimento e a adesão ao cuidado; – Proposição de ajustes nos protocolos de atendimento para maior efetividade; Ou seja, podemos observar o início de um processo de qualificação da atenção à saúde da população em situação de rua, promovendo um cuidado mais acessível, humanizado e efetivo.
A experiência desenvolvida pela Supervisão Técnica de Saúde Sé demonstrou avanços significativos na qualificação do cuidado compartilhado às pessoas em situação de rua. A aproximação entre as equipes da Atenção Básica, Consultório na Rua e demais serviços possibilitou maior articulação e integração, contribuindo para um atendimento mais humanizado e efetivo. Os resultados obtidos evidenciam o fortalecimento das práticas colaborativas, a ampliação da participação das equipes nos espaços de discussão e planejamento, além do aprimoramento dos fluxos assistenciais. A sensibilização dos profissionais e o aprofundamento do conhecimento sobre as especificidades dessa população foram passos essenciais para a construção de estratégias mais inclusivas e acessíveis. Apesar dos avanços, o desafio da continuidade do cuidado permanece, exigindo esforços contínuos para consolidar as mudanças e garantir que as ações implementadas se tornem permanentes. Dessa forma, a iniciativa se apresenta como um modelo de boas práticas, demonstrando que a integração entre as equipes e a adaptação dos serviços podem resultar em impactos positivos na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida dessa população historicamente vulnerabilizada.
Planejamento, Universalidade, Vulnerabilidades
LUCIANA CARVALHO DA SILVA, GINA MARTINS GIL