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A Política Nacional de Humanização (PNH) foi criada em 2003, para efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão da saúde pública, com objetivo de qualificar as práticas do cuidado em saúde, correspondendo à produção de novas atitudes por parte de trabalhadores, gestores e usuários e de novas éticas no campo do trabalho, superando problemas e desafios do cotidiano. O sistema de saúde, têm o objetivo de promover, restaurar e manter a saúde da população, sendo compostos por um conjunto de serviços que se comunicam entre si buscando a proteção social. Neste sentido, a Intersetorialidade é uma estratégia de gestão que, da mesma forma, busca articular diferentes setores da sociedade, para compartilhar conhecimentos diversos em prol da resolução de um mesmo problema. Contudo, por vezes, os problemas de saúde estão permeados por questões sociais como: violência, moradia inadequada, quebra de vínculos familiares, ausência de rede de apoio, perda ou desrespeito de direitos enquanto pessoa com deficiência ou ainda morosidade e ou burocracias que dificultam acesso aos serviços resultando na fragmentação do cuidado. Tudo isso, chega como um adoecimento mas, não se resume em uma consulta. Acessar a resolução através do serviço judiciário é um direito porém, nem sempre precisaria ser acionado.
Relatar as estratégias utilizadas pelas equipes Intersetoriais, em prol de reestruturação da vida de uma pessoa com deficiência.
Foram identificadas as dificuldades que culminaram no acionamento de diversos serviços: garantia de direitos através da justiça, Serviço de Assistência Social – Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICA) e Residência Inclusiva (RI) e Serviços de Saúde pela Atenção Básica e Atenção Especializada. O caso chegou à equipe do Centro Especializado em Reabilitação (CER II), em janeiro de 2023, por determinação judicial, trazido pela equipe da Atenção Especializada. Paciente gênero feminino,46 anos, com amputação membro inferior direito, já adaptada para as atividades de vida diária (AVD’s). Contudo, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e passou por situações de conflitos familiares, que culminaram em seu abandono e a institucionalização dos filhos. Equipes se mobilizaram para pensar um Projeto Terapêutico Singular – PTS, com as ações: Transferência para uma unidade de Residência Inclusiva (RI) com cuidados diários; atendimento pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD); fisioterapia e educação física pela Unidade Básica de Saúde de Referência; atendimentos com equipe multiprofissional (Fisioterapia/ Terapia Ocupacional/ Psicologia / Enfermagem), grupo de Orientação aos Cuidadores para o SAICA e RI, além do transporte adaptado pelo CER II.
As estratégias de ação foram direcionadas para estabilizar o quadro hemodinâmico, iniciar reabilitação pós Acidente Vascular Cerebral (AVC), garantir moradia da paciente e proteção das crianças. Reuniões periódica entre os serviços favoreceram o gerenciamento do cuidado, resultando em uma reestruturação da vida, para que a paciente alcance sua total independência e assim tenha autonomia para cuidar de si mesma e de seus filhos. No momento, mantém seus atendimentos pela equipe de reabilitação no CER II, com ganhos na funcionalidade. As questões de moradia e relacionadas ao acolhimento das crianças seguem em resolução pela equipe do CREAS e pela justiça.
Envolver a rede de saúde bem como a rede intersetorial, conseguindo qualificar a atenção e o cuidado do paciente é um processo árduo e necessário para o cuidado integral. Compreender as nuances tanto objetivas quanto subjetivas do caso, desenham uma estrada a ser seguida pelos atores envolvidos, e facilitam o desenrolar situacional que favoreça o restabelecimento da saúde bem como a ressignificação e reestruturação da própria vida. Contudo, o sistema está permeado por alguns entraves que podem dificultar a captação de famílias ou indivíduos adoecidos e esse atraso pode significar desatenção, complicações clínicas e judicialização. Treinar a equipe para o trabalho em REDE, ou seja, para pensar estratégias, ampliar o diálogo, estabelecer fluxos dinamizam o cuidado e devolvem a dignidade à pessoa com deficiência.
Estratégia; Cuidado; Pessoa com deficiência.
Sueli Rodrigues de Souza, Simone Atore, Letícia Perez Dias, Maria Aparecida Zavattieri, Odinete Keiko Yano Nagayama, Monica Letícia Cara