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A organização da Rede de Atenção à Saúde (RAS) materno-infantil enfrenta o desafio da fragmentação assistencial, que frequentemente resulta em atrasos no diagnóstico de patologias críticas. Em Taboão da Serra/SP, o Centro de Referência de Saúde da Mulher (CRSM) atua como o nó estratégico para o pré-natal de alto risco, integrando as 14 Unidades Básicas de Saúde (UBS) do território. A justificativa deste modelo reside na necessidade de um suporte especializado interdisciplinar para gerenciar as patologias de maior prevalência e reduzir a morbimortalidade perinatal através da regionalização e do fluxo assistencial contínuo.
Demonstrar a eficácia da utilização de fluxogramas assistenciais e critérios de estratificação de risco para otimizar o acesso ao CRSM e à rede hospitalar, garantindo um atendimento humanizado e eficiente entre os diferentes níveis de atenção.
Relato de experiência baseado na implementação de dois fluxogramas decisórios interativos: 1. Fluxograma de Acesso e Regulação: Estabelecimento de critérios objetivos (idade > 40 anos, histórico de óbito fetal, patologias prévias) para encaminhamento imediato das UBS ao CRSM; 2. Fluxograma de Manejo Clínico: Segmentação interna em linhas de cuidado (Diabetes Gestacional e Hipertensão/DHEG) com protocolos de monitorização glicêmica, nutricional e Dopplerfluxometria. O monitoramento é realizado via planilha de desfechos perinatais (parto, peso e vitalidade neonatal).
No período analisado (11/2023-01/2026), foram cadastradas 902 gestantes. A análise dos dados extraídos da planilha de monitoramento comprova a eficiência da rede: • Filtro Assistencial e Perfil de Risco: A prevalência de Diabetes Gestacional (36,8%) e Hipertensão (29,9%) valida a eficácia da triagem na Atenção Primária. Observou-se que cerca de 15% das pacientes apresentavam idade materna avançada (≥ 40 anos), justificando o acompanhamento especializado. • Vitalidade Neonatal: Um indicador crítico de sucesso foi o Índice de Apgar. Mais de 92% dos recém-nascidos apresentaram Apgar no 5º minuto entre 8 e 10, evidenciando que o controle pré-natal rigoroso garantiu estabilidade metabólica e hemodinâmica ao nascimento. • Manejo de Casos Complexos: Em gestações gemelares (aprox. 5% dos casos), o manejo permitiu desfechos favoráveis com pesos viáveis (média de 2.150g), reduzindo riscos de complicações severas. • Integração Hospitalar: As intervenções cirúrgicas ocorreram sob indicações estritamente técnicas (ex: falha de indução ou apresentação anômala), refletindo uma articulação ágil com a rede hospitalar de maior complexidade.
A experiência do Programa “Amor de Mãe” demonstra que a regionalização aliada a fluxogramas claros elimina o vazio assistencial. A estratificação de risco organiza a demanda e salva vidas ao antecipar complicações graves. O monitoramento contínuo via planilha de desfechos, que aponta alta vitalidade neonatal mesmo em grupos de risco, permite validar políticas públicas e ajustar protocolos em tempo real, servindo como modelo de governança para a rede materno-infantil no estado de São Paulo.
gestante, regulação, diabetes gestacional
ANTONIO CARLOS PACHECO DE ALMEIDA, PATRÍCIA COMPARINI RIBEIRO, YNGRID PINTO FERNANDES MACÁRIO, AILTON GARCIA BOGALHO JUNIOR