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Uma luta constante, resultante de uma sociedade machista e que expõe mulheres à violência, dificuldade a acessar serviços de saúde que olhe para além das queixas apresentadas e aumento expressivo de notificações compulsórias de violência contra mulheres. Mesmo com avanços na política de saúde publica voltada à violência, as ações de vigilância deste agravo devem ser constantes. Fazendo análise dos casos de notificações compulsórias de pessoas do sexo feminino, chamou a atenção o número casos de violência por lesões auto provocadas, inclusive de recidivas. Durante as investigações epidemiológicas evidenciamos que em muitos casos há histórico de passagens constantes a atendimentos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), relatos de dores persistentes, alterações do sono, mudança do comportamento, alteração alimentar, aumento de consumo de substâncias como medicamentos, álcool e outras e denominadas por médicos como poliqueixosas. Geralmente essas mulheres frequentam as UBS periodicamente e muitas vezes com comportamento impaciente, agressivo ou protestante, atitudes que lhes rendem adjetivos pejorativos como dona de casa sem roupas para lavar e a toa, mulher com falta de sexo, entre outros. Diante disso a Vigilância Epidemiologia (VE) viu a necessidade de capacitar os profissionais sobre sinais sugestivos de pessoas em sofrimento, preenchimento adequado das fichas de notificação compulsória de violência e a importância dos dados para o desenvolvimento de políticas públicas.
Capacitar profissionais para identificar pessoas vitimas de violência Apoiar as equipes de saúde a encorajar mulheres a identificar violência Reduzir o número de lesões auto provocadas e tentativas de auto extermínio Melhorar o acolhimento de vítimas de violência Zerar a ausência de preenchimento dos campos raça/cor e escolaridade de todos os casos. Apresentar a todos a Rede Municipal de Atendimento a vítima de violência. Fortalecer o Comitê de Vigilância das Violências Divulgar amplamente os pontos de atendimentos para vítimas de violência sexual
No final de 2023 e ao longo de 2024 a equipe da VE participou de reuniões programadas com categorias profissionais para falar sobre violência, em unidades básicas de assistência a saúde, rede de urgência e emergência e hospital para capacitação do preenchimento correto das fichas de notificação do agravo. Realizou ainda capacitação voltada para médicos, com o intuito de desmistificar o termo poliquiexoso e ampliar o olhar para além das queixas. Para os profissionais que atuam nas recepções das UBS, demonstramos a importância do acolhimento inicial e que a empatia faz toda a diferença para a identificação de casos prováveis, bem como demonstramos aspectos físicos, comportamentais e patológicos que mulheres em sofrimento tendem a apresentar, mostramos imagens com os impactos que a violência traz na saúde das mulheres. Além disso trabalhamos as diversas violências que existem e a rede de atendimento municipal para acolhimento de pessoas vitimas de violência. O município passou a veicular vídeo institucional sobre violência sexual, sinal universal de identificação de violência e o acolhimento imediato.
Evidenciamos melhora no preenchimento de fichas com redução no número de informações ignoradas ou em branco, aumento no número de notificações compulsórias para o agravo trazendo dados fidedignos ( 2022: 456, 2023: 396 e 2024: 491 casos e 91 em investigação), o que nos possibilita avançar nas políticas públicas de saúde, atendimento humanizado, estabelecimento de vinculo com a equipe de saúde e redução de exposição da vitima.
O acolhimento qualificado, diferenciado, humanizado e protetivo são possíveis e deve ser feito por todos os profissionais da saúde. Após a compreensão de todos, os fardos de mulheres vitimas de violência ficam menores e as dores podem ser transformadas em cura, o grito em olhar e a violência em superação.
VIOLÊNCIA, MULHER, EMPATIA, POLIQUEIXOSA
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