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O crescente número de avistamentos/encontro de escorpiões e de escorpionismo (incluindo óbitos) no Brasil nos últimos oito anos, sobretudo no estado de São Paulo, requereu dos municípios a implementação de estratégias multidisciplinares em manejo e controle, considerando seu avanço geográfico e maior susceptibilidade de óbito para crianças com idade até 10 anos e idosos. Em vista do cenário estabelecido, Mauá replanejou suas ações de vigilância e controle a fim de prevenir a morbimortalidade relativa ao escorpionismo, atuando de forma melhor padronizada através de pesquisas, levantamento e proposições da equipe de vigilância em saúde, elaborando nos últimos cinco anos, o plano municipal de manejo e controle do animal, mapeando áreas, aderindo aos sistemas de inserção de dados, aumentando abordagens em campo, bem como disseminando atividades educativas em pontos de interesse técnico/sanitário. Outrora, os atendimentos eram baseados no recebimento e identificação de espécimes em balcão ou por malote, com alguns casos redundando em vistorias e orientações in loco, à luz de uma criterização dependente de treinamentos, rotatividade e disponibilidade de equipes envolvidas em cada época.
Beneficiar a população como um todo, com ênfase nos locais de maior incidência, por meio do fortalecimento do sistema de vigilância para a prevenção e controle de escorpiões e consequente aprimoramento das ações em campo. Assim, com esse atendimento mais oportuno e específico, há mais acesso à informação e oportunidade de conscientização para os munícipes sobre como evitar a atração e a presença dos escorpiões, prevenindo – se os acidentes por ele causados e sobre como proceder em suspeita ou caso de acidente. A crescente abordagem educativa aos serviços de saúde também facilita a sua rotina de acolhimento aos usuários nos seus territórios, no que diz respeito ao tema, o mesmo aplicando – se ao sistema escolar.
A presente abordagem qualitativa foi obtida através de eventos, disparados pelo recebimento de capacitações oferecidas aos municípios pela então existente Superintendência de Controle de Endemias – SUCEN, com a participação de Mauá em 2019/2020. A consulta ao material técnico por ela divulgado e o uso de literatura correlata embasaram reuniões sistemáticas dos técnicos de vigilância do município, para fins de levantamento de dados, revisão/planejamento de práticas e elaboração do Plano Municipal de Manejo e Controle de Escorpiões, concluído em outubro de 2022 (com revisões e atualizações pactuadas a cada dois anos). Seguiram – se capacitações internas para servidores da Gerência de Saúde de Zoonoses e das outras vigilâncias, bem como externas, para unidades de saúde e escolas das regiões com casuística mais relevante. A adoção da estratégia da vistoria em cruz, que consiste em vistorias e orientações realizadas no imóvel de notificação de escorpião e seus vizinhos da direita, da esquerda, posteriores e anteriores, possibilitou maior conhecimento da situação. Ainda, dois sistemas estaduais de registros de atividades, sendo o Sistema ESCORPIO especializado em notificações, atendimentos/vistorias e mapeamentos e o SISAEDUCA, exclusivo para a alimentação de ações educativas de vigilância de zoonoses como um todo, incluindo-se as tangentes à temática escorpião/escorpionismo, foram ferramentas importantes agregadas ao processo, que auxiliaram no seu aprimoramento.
Após início das reuniões e capacitações (recebidas e replicadas), revisões de práticas e elaboração do plano municipal de atuação, as respostas às notificações de avistamentos ou acidentes receberam um número maior e mais qualificado de abordagens em campo, graças à utilização do sistema em cruz, o mesmo ocorrendo para as atividades educativas em equipamentos de saúde e de educação que, ao demonstrarem um interessante dinamismo, também puderam ser aplicadas em feiras livres no município. Já houve uma atualização do plano municipal (2025), em interação com mais atores de saúde, pois, além das vigilâncias de zoonoses e epidemiológica, participaram o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST, e as coordenadorias de Atenção Primária à Saúde e Urgência e Emergência, com vistas à avaliação das atividades e replanejamento para refino de assertividade em relação ao próximo período de vigência do documento.
Sendo de conhecimento que a casuística relacionada a escorpiões vem aumentando e que seu controle passa por medidas preventivas em relação ao ambiente, um avanço qualitativo e quantitativo se apresenta como resposta diante da necessidade flagrante, o que provocou o município no sentido de alterar a sua forma de acolhimento e abordagem de como vinham sendo operacionalizadas as tratativas com escorpiões, como principal tema dentro do universo dos animais peçonhentos de relevância para a saúde pública. Ao mesmo tempo, a consolidação dos atendimentos a acidentes em pontos estratégicos no Estado de São Paulo veio ao encontro dos conteúdos preventivos tratados na atuação das equipes de vigilância. O ineditismo de algumas atividades e a dinamização de outras já existentes redundaram em importante contribuição social e, com visível possibilidade de amplificação e melhorias pela positividade e interesse percebidos em relação ao tema em todas as esferas perpassadas.
Sistema, Escorpionismo, Manejo
ALEXANDRE PEREZ CLIMACO DE FREITAS, ANA LUCIA FERRARI