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O Núcleo de Nutrição foi implantado em São José dos Campos – SP, em abril de 2006, para organizar a rede de assistência nutricional na em todos os níveis de atenção, inclusive domiciliar e para desenvolver ações de promoção à alimentação adequada de forma sustentável e intersetorial. Em dezembro de 2017 ocorreu ampliação do quadro de nutricionistas da atenção primária, permitindo maior capilaridade do atendimento e facilitando o acesso à população, tanto com relação à oferta de vagas, quanto em relação à proximidade dos domicílios, ampliando o percentual de UBS com Nutricionistas de 32,5% para 47,5% e reduzindo o absenteísmo de 39,6% (2017) para 33,5% (2018), sendo que a queda nas faltas se manteve no ano de 2019, onde foi identificado percentual de faltas de 30,4%. Estudo sobre carga global das doenças (GBD 2017 Diet Collaborators, 2019) destacou a importância do investimento em ações de promoção da alimentação adequada e saudável na atenção primária à saúde, identificando a má alimentação como fator de risco que mais contribuiu para a mortalidade mundial e o segundo fator de risco que mais contribuiu para os anos de vida perdidos. Esta análise sistemática aponta que melhorias nas condições de alimentação da população poderia prevenir 1 em cada 5 mortes no mundo. Diante do impacto positivo que as ações de alimentação e nutrição podem acarretar na saúde da população, o presente trabalho teve como objetivo conhecer a evolução nutricional dos usuários atendidos no ano de 2018.
O presente trabalho teve como objetivo avaliar a evolução nutricional dos usuários atendidos no ano de 2018 com relação ao estado nutricional inicial, número de consultas ofertadas e uso de medicamentos, por meio de informações registradas no prontuário eletrônico.
Cálculo da amostra: No ano de 2018 ocorreram 7920 atendimentos de nutrição na rede de atenção básica, o cálculo da amostra foi realizado com auxílio do Programa Epi Info, versão 7, considerando- se uma prevalência estimada de morbidade de 50%, margem de erro de 5% e intervalo de confiança de 95%, resultando em uma amostra de 367 pacientes. Critérios de inclusão: Usuários atendidos em consulta de primeira vez, durante o primeiro trimestre de 2018, que compareceram pelo menos em um retorno, distribuídos proporcionalmente por todas as 19 UBS com atendimento nutricional, por ordem cronológica de data. Critérios de exclusão: Gestantes, acamados ou cadeirantes, usuários que receberam suporte nutricional por processos de alto custo e prontuários eletrônicos com ausência de informação antropométrica. Análise estatística: Análise dos dados foi realizada por meio do Software Epi Info, versão 7. Considerou-se a média como medida de tendência central e o desvio- padrão, como informação de dispersão. Utilizou-se nível de significância de 5% para os testes estatísticos (Análise de Variância – ANOVA e teste Qui quadrado).
394 usuários, média de 42,86 + 21,66 anos, sendo 30,1% pertencente ao sexo masculino (n=122), sem diferença etária entre gênero (p=0,40). Classificação do estado nutricional inicial, segundo IMC: baixo peso (BP) em 6,1% (n=24), eutrofia (E) em 15% (n=59), sobrepeso (S) em 27,1% (n=107) e obesidade (O) em 51,8% (n= 204). Classificação do estado nutricional final: BP em 4,5% (n=18), E em 17,3% (n=68), S em 30,2% (n=119) e O em 48% (n= 189). Considerou-se evolução nutricional favorável (ENF) o ganho e/ ou redução de peso de pelo menos 100g, de acordo com indicação do estado nutricional inicial. ENF foi identificada em 57,6% (n=227), evolução desfavorável (ED) em 35% (n=138) e manutenção do estado nutricional (MEN) em 7,4% (n=29). pacientes com ENF, viu-se que, em média, os classificados com BP ganharam 2,08 + 1,70 kg, os com S perderam 2,93 + 2,10 kg e com O, reduziram 4,00 + 3,93 kg. O grupo com diagnóstico inicial de S e O mostrou maior proporção de ENF, vista em 54,2% (n=13) dos classificados inicialmente com BP, 45,8% (n=27) naqueles com E, 60,7% (n=65) com S e 59,8% (n=122) com O. Ofertou-se média de 2,93 + 1,12 consultas, sem diferença significativa (p=0,31) entre a média de consultas segundo ENF (2,9 + 1,14) ou ED (3,03 + 1,16) e os com MEN (2,72 + 0,84). Quanto ao uso de medicamentos, verificado em 75% (n=296), viu-se redução em 43,6%, sendo mais significativa nos usuários com dispensação > a 5 fármacos (52,9%), comparados aos de < de 5 drogas (37,1%) (p=0,026).
Atualmente o município de São José dos Campos-SP conta com 85% (2024) das UBS com atendimento nutricional referenciado. Sabe-se que tanto a alteração do estado nutricional, quanto a redução na dispensação de fármacos são multifatoriais, deste modo, os resultados do presente trabalho refletem a atuação de uma equipe de nutrição em conjunto com os demais profissionais da rede de atenção à saúde, que contribuem para a modificação das condições de saúde da população. Os achados desta análise podem ser considerados positivos na contribuição do enfrentamento do atual cenário epidemiológico, referente à prevalência de doenças e agravos não transmissíveis e aumento da incidência de excesso de peso corporal, sobretudo por se caracterizar como uma intervenção não farmacológica e que envolve mudança de comportamento na população.
atenção primária à saúde, assistência nutricional
ELIZABETH MARIA BISMARCK NASR, ARETHA DE FATIMA DO AMARAL SANTOS, GEORGE LUCAS ZENHA DE TOLEDO