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Os Centros Especializados de Reabilitação são serviços que realizam diagnóstico, tratamento, reabilitação, concessão e adaptação de tecnologia assistiva; e é classificado conforme o quantitativo de modalidades de serviços de reabilitação (auditiva, física, intelectual e visual). A experiência descrita foi realizada no CER IV Milton Aldred, situado na região do Grajau, zona sul de São Paulo; contando com ampla equipe multiprofissional e equipe administrativa. Sabe-se que a gestão em saúde ainda se mantém atrelada a métodos tradicionais, baseadas na teoria clássica da administração, sendo uma gestão centralizadora que não propicia a autonomia e responsabilização da equipe frente aos novos desafios. Para potencializar as competências da equipe e estimular a sua participação ativa nos processos dos CER, faz-se necessário que a gestão em saúde acompanhe o desenvolvimento de seus recursos. Assim, torna-se vital a promoção de uma equipe capaz de compartilhar o conhecimento, estabelecer comunicação aberta e ativa, com liberdade para novas propostas de trabalho, criando uma gestão cooperativa. Este modo de gestão proporciona grandes vantagens em relação às organizações tradicionais. A participação do responsável técnico como facilitador entre a atuação gerencial e o corpo terapêutico torna-se importante ferramenta de desenvolvimento de revisão de processos e avaliação de fluxos qualitativos e quantitativos.
Explanar sobre a importância da participação ativa de um responsável técnico no processo de cooperação da gestão, assim como um facilitador das potencialidades da equipe, resultando numa atuação mais autônoma e eficaz – Relato de experiência Centro Especializado de Reabilitação – CER IV Milton Aldred.
Atualmente a organização da gestão pública garante que os serviços de saúde contem com um gerente, RT médico e RT da enfermagem. Este modelo foi trazido aos serviços de reabilitação, mas com a especificidade do CER, fez-se necessário a inclusão de responsáveis técnicos vindos do corpo terapêutico. Em 2022, dividimos a equipe por área de atuação, sendo: reabilitação física, auditiva, intelectual e visual. E para organizar os processos de cada área foi criada a função de responsável técnico – RT. A escolha deste profissional deu-se por indicação da gerência e da equipe, e manifestação do profissional interessado. Assim, desenhamos os fluxos de trabalho de cada área, tendo como base o documento norteador dado pela Área Técnica/ Saúde da Pessoa com Deficiência de São Paulo, considerando seus dados quantitativos e a necessidade do território de abrangência onde o serviço está situado. O RT está alinhado com a gerência e tem como desafio auxiliar no controle administrativo do CER e estimular o desenvolvimento coletivo, visando melhorias nos processos do serviço; assim como identificar o potencial de cada ator da equipe, alavancando a qualidade do serviço prestado ao usuário final. Com autonomia dos profissionais e os colocando como participantes ativos dos processos, é natural que se identifique maior responsabilidade e empenho dos mesmos no que é essencial ao seu trabalho: prestação de serviço com maior eficácia e eficiência nos cuidados à população.
Além do acompanhamento de metas e processos quantitativos do CER, a partir da atuação do RT, pudemos estabelecer um fluxo mais eficiente e ágil no acolhimento de casos agudos, em que o usuário necessite de intervenção oportuna para potencializar o processo de reabilitação. Tal acesso foi possibilitado em matriciamentos com o território, abarcando também as demandas observadas pela rede de cuidado destes pacientes. Da mesma forma, este usuário passa a ser acompanhado pelo terapeuta com maior competência dentro da especificidade identificada pelo projeto terapêutico singular, fato este, discutido e identificado em reuniões clínicas semanais. Um dos maiores ganhos observados nesta proposta de partilha do cuidado gerencial é observado na maior possibilidade de estímulo e direcionamento de potências entre os membros da equipe, estabelecendo um sistema de compartilhamento de ideias e saberes, reforçando a cooperação dos atores da organização. Através deste movimento, cada terapeuta da equipe torna-se também um representante capacitado e potente no ato de fortalecimento da rede de saúde com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e demais serviços do território que compartilham do cuidado do paciente, tais como EMAD, URSI, CAPS, EMAP, Maternidades e Hospitais locais.
Pode-se observar, que a implantação do modelo de co-gestão com a participação de um responsável técnico por área da reabilitação se mostrou potente e com ganhos importantes para a equipe e para o usuário final assim como para o cumprimento de metas. Através da experiência construída no CER IV Milton Aldred, podemos observar que tal compartilhamento da construção dos processos permitiu maior autonomia e envolvimento da equipe técnica, e melhor gerenciamento dos resultados por parte da gestão, que acaba por poder desempenhar de forma mais assertiva a liderança institucional.
equipe, comunicação, co-gestão
DÉBORA REGINA BRAGA BARIANI, JULIANA CAETANO PINTO