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A dengue, é uma doença febril aguda, uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, é um problema relevante de saúde pública no Brasil especialmente em áreas urbanas com grande concentração de pessoas. A região deste relato é a Jaçanã-tremembé está localizada na zona norte da cidade de São Paulo, local onde enfrentou altos índices de infecção de dengue por conta de suas características ambientais favoráveis para a proliferação de Aedes e alta densidade populacional. No ano de 2024 a zona norte compreendeu 22% das notificações de dengue de todo o município de São Paulo, e 24% dos óbitos pelo agravo dengue até o momento, conforme os dados notificados no SINAN. Diante deste cenário epidêmico surgiu a necessidade de criar um comitê focado na análise dos casos de óbitos do território por dengue, com o objetivo de implementar medidas de controle mais eficazes, monitorar o acompanhamento dos casos graves, e compreender se haveriam pontos a serem melhorados no território para o desfecho dos casos. O comitê foi instituído e sugerido pela Divisão Regional de Saúde Norte, organizado pela Unidade de Vigilância em Saúde Jaçanã-Tremembé e composto por uma equipe multidisciplinar, interinstitucional formada por representantes da Unidade de Vigilância em Saúde, Supervisão Técnica de Saúde, equipamentos de saúde locais, profissionais de saúde pública, e demais especialistas.
Este projeto visou a criação e implementação do Comitê de Óbitos por Dengue na região Tremembé – Jaçanã, com os objetivos específicos de: Analisar os óbitos ocorridos por dengue, identificando as causas, fatores contribuintes, possíveis fragilidades nos processos; Avaliar o manejo dos casos pela equipe assistencial dos equipamentos envolvidos; Desenvolver e implementar ações de prevenção voltadas para o controle de casos graves e redução da mortalidade por dengue; Integrar os serviços de saúde para melhorar a resposta aos casos de dengue, através da implantação dos protocolos de atendimento e os fluxogramas de arboviroses estabelecidos pelo município; Promover a formação contínua dos profissionais quanto a prevenção, diagnóstico e manejo de casos de dengue e demais arboviroses. Estabelecer estratégias de comunicação eficaz para a população, com foco na conscientização sobre a hidratação adequada, sintomas graves, sinais de alarme e a busca por atendimento médico rápido.
A metodologia do projeto foi baseada na criação de um comitê interinstitucional composto por representantes dos equipamentos de saúde da região, gestores da SBCD (Sociedade Brasileira Caminhos de Damasco) parceira tanto da rede de urgência e emergência quanto da atenção básica, médicos, Supervisão Técnica de Saúde, Divisão Regional de Saúde e outros profissionais de Vigilância Epidemiológica e Ambiental A primeira fase do projeto envolveu o conhecimento e a orientação dos membros da equipe sobre os procedimentos de investigação dos casos e a documentação necessária para cada etapa. Em seguida, foi realizado o levantamento e a análise dos óbitos por dengue. Os óbitos foram organizados em pastas online para apresentação eletrônica e discussão em comitê, previamente à reunião os equipamentos e gestores participantes eram informados dos casos para discussão e busca de informações. Foi identificado a necessidade da criação de uma ferramenta que facilitasse a análise e identificação dos padrões e fatores que contribuíam para os desfechos desfavoráveis, e que ainda pudessem nos apoiar quanto as opções de identificação de oportunidades de melhorias nos processos, com base nessas análises, foram desenvolvidos planos de ações para um atendimento mais eficaz nos casos graves de dengue, alinhado às melhores práticas clínicas e às diretrizes do Ministério da Saúde e Secretaria Municipal de Saúde.
O Comitê de Óbitos por Dengue do território Jaçanã-Tremembé contribuiu com o fortalecimento entre os equipamentos de saúde da região e o serviço municipal de Vigilância em Saúde, melhorando os processos, identificando pontos de fragilidades, reduzindo os danos por meio da implementação de práticas de prevenção mais eficazes e um acompanhamento adequado dos casos graves. Acrescentamos a isso a importância significativa que é a gestão olhar para as suas próprias possíveis deficiências ou oportunidades de melhorias para identificação de potenciais mudanças na assistência à saúde. Em paralelo, as trocas e as identificações de vulnerabilidades criaram oportunidades de intercâmbio entre os gestores para a realização de campanhas educativas nas unidades de saúde, com informações sobre os sintomas da dengue grave e a importância de procurar atendimento médico imediato, além da possibilidade de criar barreiras para as deficiências percebidas. O comitê também foi responsável por monitorar e avaliar as visitas dos casos de óbito no território integrando as ações epidemiológicas e ambientais com os desfechos. Percebemos que a orientação adequada e o uso do fluxograma específico para o manejo de casos de arboviroses mostrou-se essencial para a segurança dos processos e da garantia do manejo correto do paciente, alinhados com a educação continuada dos profissionais de saúde, para resultar em uma resposta mais ágil e eficiente, diminuindo a probabilidade de óbitos evitáveis.
A criação do Comitê de Óbitos por Dengue do território Jaçanã – Tremembé tem contribuído para mapear as fragilidades assistenciais no atendimento as pessoas com suspeitas de arboviroses por meio da avaliação do percurso do usuário no território. Os integrantes do comitê e dos representantes dos serviços elaboraram um plano de ação para corrigir as fragilidades detectadas nesse processo sendo assim, o comitê atua de forma investigativa, educativa, ética e sigilosa para melhoria da vigilância e assistência das arboviroses. A participação ativa de profissionais de saúde de diversas áreas e a articulação entre os equipamentos de saúde foram fundamentais para que as ações sejam mais eficientes e integradas. As lições aprendidas com a análise dos óbitos e a revisão dos protocolos de atendimento contribuem continuamente para o aprimoramento das práticas de saúde pública, garantindo que a território Jaçanã – Tremembé se torne cada vez mais protegida contra a dengue, e demais agravos por possuir uma interação efetiva entre os serviços de saúde.
dengue; óbitos; arbovirose
CAMILA CARDOSO BARRAL, KARYN PAES DE SOUZA POZELLI, VERONICA DE SÁ ROLIM