Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, de evolução abrupta e gravidade variável, com elevada letalidade nas suas formas graves. A doença é causada por um vírus transmitido por mosquitos, e possui dois ciclos de transmissão (urbano e silvestre). No ciclo urbano, a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos Aedes aegypti infectados. No ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos com hábitos predominantemente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes. É uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo evento suspeito ou confirmado deve ser prontamente comunicado/notificado, em até 24 horas após a suspeita inicial, às autoridades locais competentes pela via mais rápida (telefone, e-mail, etc). Em 2025, o município de Brotas foi o epicentro da doença no Estado de São Paulo, esse fato se iniciou com registros de casos de febre amarela e o primeiro óbito suspeito, e depois confirmado. Esses episódios geraram alerta das autoridades de saúde, representantes do CVE, GVE e Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) da SES-SP, se reuniram no município motivados pela necessidade de medidas urgentes de intensificação da vacinação e vigilância epidemiológica na região. A campanha teve a meta de vacinar o maior número de pessoas em um curto espaço de tempo, evitando o alastramento da doença.
A campanha teve como principal objetivo ampliar a cobertura vacinal entre a população de forma rápida e eficiente. A estratégia da vacinação domiciliar complementa a oferta tradicional em UBSs, alcançando pessoas que, por motivos sociais, geográficos ou de mobilidade, ainda não haviam sido vacinadas, alcançando especialmente moradores que não tinham a vacina em seus registros e aqueles que tinham dificuldade de acesso às Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Essa estratégia buscou prevenir o alastramento rápido e a transmissão da doença, além de proteger grupos vulneráveis, minimizando o risco de novos casos.
Na estratégia de vacinação emergencial os gestores de saúde recrutaram equipes de profissionais da enfermagem para fazer a aplicação da vacina domiciliar, equipes de cadastradores e motoristas para condução até os bairros alvo para atualização vacinal. Ao todo participaram 7 enfermeiros 2 técnicos de enfermagem, 10 profissionais de saúde para o cadastro e planejamento de equipes e 6 motoristas. A ação ocorreu em dias úteis, no período das 16:00 até as 19:00 horas. As equipes percorreram áreas rurais próximas ao local do óbito para imunizar moradores que ainda não foram vacinados contra a doença. Após a ação nas áreas rurais, se expandiu para outros bairros do município, buscando atingir o máximo de pessoas vacinadas. A equipes percorreram bairros, comércios, áreas rurais e residências para vacinar diretamente no domicílio ou verificar a situação da carteira de vacinação da pessoa. Isso foi importante para conter um avanço da doença e chegar em zonas com menor cobertura vacinal ou de difícil acesso. Foi essencial ter comunicação eficaz para esclarecer dúvidas e incentivar a população a aceitar a vacinação domiciliar ou ir até a Unidade de Saúde para se vacinar. Todos os dados coletados (pessoas vacinadas, recusas, ausências e pendências) foram registrados em formulários e posteriormente em sistemas digitais. Essas informações permitiram o acompanhamento diário da cobertura vacinal, a identificação de áreas com baixa adesão e o redirecionamento das equipes quando necessário.
A campanha de intensificação se iniciou em fevereiro de 2025 com o bloqueio inicial da zona rural e finalizou em setembro com o fim da vacinação residencial, chegando a atingir 1600 vacinas aplicadas no mês de abril, entre a intensificação e as doses de rotina das unidades de saúde, atingindo um número de 3827 doses aplicadas no período de fevereiro a setembro de 2025. Ao final da campanha, a população total imunizada atingiu um percentual de 86,67% da população do município, uma cobertura muito superior que a média de 77,74% do Estado de São Paulo. Ao final da campanha, foi realizada a análise dos resultados, comparando as metas planejadas com a cobertura alcançada. A partir do mês de dezembro, a incidência da febre amarela na região se reduziu, o que reforça o resultado positivo da experiência no município, apesar de não se ter atingido 95% da população, a meta inicial, atingiu o suficiente para causar o “efeito de imunização de grupo” onde a imunização da maioria protege os demais.
Foi percebido que a ação também reforçou a conscientização da população sobre a importância da vacina como a principal ferramenta de prevenção da febre amarela. Houve um aumento do número de pessoas procurando serviço de vacinação do município para atualização da caderneta vacinal, o que favoreceu aumento da cobertura vacinal para outras doenças como covid-19 e hepatite B. Foram identificados os desafios, as lições aprendidas e as recomendações que servirão para campanhas futuras, garantindo o aprimoramento contínuo das estratégias de vacinação. Entre os desafios, a vacinação em campo demanda planejamento de rotas, identificação e mobilização das equipes de saúde bem treinadas para o atendimento domiciliar. Medidas adicionais também ocorreram concomitantemente a campanha, ações conjuntas entre as equipes de saúde e da CCD realizam uma varredura minuciosa na região dos casos confirmados, para identificar possíveis focos do mosquito transmissor e garantir o bloqueio da doença. Além disso houve a aplicação de inseticida nas áreas do Salto de Botas, Barreiro, Campos Elíseos e no hospital onde se notificou o primeiro caso.
Vacina, Prevenção, Vigilância, Saúde, Mosquito.
PRISCILA MAXIMO DE CARVALHO PRUDENTE, GILBERTO TABOGA, SILMARA URBANO PESSA LEITE, EDSON ROBERTO PINOTTI, ISABELA BUENO MONTEIRO