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O monkeypox é um Orthopoxvirus causador da Mpox, zoonose endêmica da África Central e Ocidental, identificada principalmente em roedores e macacos. A transmissão ocorre por contato direto com lesões, fluidos corporais e secreções respiratórias. As manifestações clínicas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e erupção cutânea vesicular pustular disseminada, quadros mais graves são mais frequentes em pessoas com imunossupressão prévia, como indivíduos vivendo com HIV, a taxa de letalidade pode variar de 0% a 10%, a depender da cepa viral e das condições locais de assistência à saúde.. A Mpox foi declarada Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde em 2022, exigindo resposta rápida dos sistemas de saúde. Evidências apontam maior risco de formas graves e complicações em pessoas vivendo com HIV (PVHIV), sobretudo na presença de imunossupressão avançada (CD4 ≤100 células/mm3). No município de Francisco Morato, a vacinação foi implementada em agosto de 2023 no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), serviço de referência para IST/HIV, no âmbito do Sistema Único de Saúde. A estratégia seguiu as diretrizes do Ministério da Saúde, priorizando PVHIV com CD4 ≤100. A experiência mostrou-se relevante para o SUS municipal ao direcionar ação preventiva específica a grupo de maior vulnerabilidade clínica, reduzindo risco de desfechos graves e fortalecendo o cuidado integral.
2.1 Implementar a vacinação da vacina varíola símia (atenuada) contra Mpox em PVHIV com CD4 ≤100 acompanhadas no CTA municipal. 2.2 Alcançar elevada cobertura vacinal no grupo prioritário, reduzindo risco de formas graves. 2.3 Identificar fatores associados à não adesão e desenvolver estratégias educativas para enfrentamento da hesitação vacinal. 2.4 Fortalecer o vínculo entre equipe multiprofissional e usuários por meio de aconselhamento qualificado.
Trata-se de relato de experiência desenvolvido no CTA do município de Francisco Morato com levantamento nominal de pacientes com CD4 ≤100 obtidos através do sistema Siclom (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos). A equipe multiprofissional realizou abordagem presencial durante consultas e busca ativa telefônica. Foram ofertadas orientações individualizadas sobre transmissão, gravidade da doença em imunossuprimidos a importância e segurança do imunizante. A vacinação seguiu protocolos técnicos vigentes, com registro nominal e monitoramento de eventos adversos. No ano de 2023, 28 pacientes foram considerados elegíveis para a vacinação, já em 2024, 7 pacientes atenderam ao critério estabelecido para a imunização. Realizou-se acompanhamento sistemático da adesão e registro dos motivos de não vacinação. Considerando a inexistência de indivíduos elegíveis em número suficiente para utilização integral das doses recebidas, houve ampliação dos critérios de elegibilidade, contemplando pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral, além de usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).
Em 2023, dos 28 pacientes elegíveis, 24 foram vacinados, resultando em cobertura de 85,7%. Quatro pacientes (14,3%) não receberam a vacina por abandono de seguimento. Em 2024, dos 7 pacientes elegíveis, 4 foram vacinados, alcançando cobertura de 57,1%, enquanto 3 (42,9%) não receberam a dose por abandono. Conforme pode-se observar no gráfico abaixo. Entre os fatores associados à não adesão, destacaram-se: receio relacionado ao caráter recente da vacina, a influência de fake news, insuficiência de informações iniciais e baixa percepção da gravidade da Mpox. Pacientes com acompanhamento regular demonstraram maior aceitação após aconselhamento individualizado, evidenciando o impacto positivo da orientação profissional na tomada de decisão. Não foram registrados eventos adversos graves. A estratégia contribuiu para proteção de população altamente vulnerável e qualificação das ações preventivas no serviço.
A experiência evidencia que a vacinação contra Mpox em PVHIV com CD4 ≤100 é estratégia essencial de equidade e proteção no SUS municipal. A cobertura satisfatória em 2023 demonstra efetividade da abordagem ativa e do vínculo assistencial. A redução da cobertura em 2024 reforça o impacto do abandono de seguimento e da hesitação vacinal, destacando a necessidade de intensificar estratégias de educação em saúde e busca ativa. A vivência reafirma o papel do CTA como espaço estratégico de cuidado integral, prevenção combinada e enfrentamento de emergências sanitárias, com potencial de replicabilidade em outros municípios.
CTA, Vacina Monkeypox
ALICE SILVEIRA ALVES, ANGELA ALENCAR DE LIMA, MÁRCIA MARQUES DA SILVA FERNANDES