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A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi aprovada em 2006 com o intuito de implementar ações e serviços das PICs no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa implementação abrange um sistema que valoriza a integralidade, a busca pela promoção da saúde e o desenvolvimento de uma Atenção Primária à Saúde (APS) competente1. A APS se caracteriza pelos 4 atributos essenciais: acessibilidade, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado, além dos 3 atributos derivados: competência cultural, orientação familiar e comunitária2. Durante o primeiro ano da Residência em Medicina de Família e Comunidade, tive a oportunidade de estagiar no Centro Multiprofissional de Práticas Integrativas e Complementares da Saúde (CEMPICS), no Parque Fracalanza. Nesse período, conheci as 13 PICs do serviço, com aprofundamento em Homeopatia. A partir dessa experiência, iniciei o estágio longitudinal, que acompanhará todo o processo da minha formação. Pela racionalidade homeopática, os sintomas e as sensações são a exteriorização de um organismo afastado de seu equilíbrio. Cada um expressa esse desequilíbrio de uma forma individual, dependendo de suas sensibilidades, constituição e hereditariedade. Os medicamentos agem estimulando o organismo a encontrar um novo equilíbrio dentro das suas limitações e possibilidades, em casos de doenças agudas ou crônicas, contribuindo para a saúde integral do indivíduo3.
Ressaltar a proximidade entre a prática homeopática e a atuação do Médico de Família e Comunidade, por meio do relato de experiência baseado na vivência durante o estágio realizado no CEMPICS Fracalanza.
Relato de experiência sobre uma vivência acadêmica no CEMPICS Fracalanza, inserida no estágio longitudinal da Residência em Medicina de Família e Comunidade da Prefeitura de Guarulhos, no período de março de 2023 a setembro de 2024.
No CEMPICS, participei do Grupo Integrativo, cujo objetivo é realizar educação popular com temas de prevenção e promoção à saúde e acompanhei, inicialmente como ouvinte, as consultas homeopáticas, as quais me estimularam a iniciar um curso de especialização em Homeopatia, não vinculado ao serviço, visando aprimorar meus conhecimentos e reforçar a qualidade da assistência prestada. No segundo ano da Residência, iniciei os atendimentos homeopáticos com supervisão da preceptoria e discussões de todos os casos, conforme os critérios estabelecidos pelo Programa de Residência Médica. Frequentemente, os pacientes atendidos e seus familiares mantinham seguimento dentro do serviço, equiparando-se ao modelo de atendimento do médico de família e comunidade. A Homeopatia, no contexto da APS, oferece ferramentas para a atuação do Médico de Família e Comunidade, promovendo uma abordagem integral pautada no cuidado longitudinal, na competência cultural e na orientação voltada para a família e a comunidade. Essa prática está em sintonia com os princípios do SUS: universalidade, equidade e integralidade. A universalidade é garantida pelo acesso à homeopatia a qualquer indivíduo, independentemente de suas condições socioeconômicas. A equidade se reflete na personalização do cuidado, adaptado às necessidades específicas de cada paciente. Já a integralidade, na Homeopatia, mantém uma visão ampliada que considera todos os processos biopsicossociais do indivíduo4.
A experiência foi extremamente enriquecedora, proporcionando uma compreensão mais profunda do papel do médico de família e comunidade. O estágio não apenas favoreceu o aprofundamento teórico e prático, mas também destacou o CEMPICS como um importante equipamento de saúde que apoia estágios longitudinais, contribuindo significativamente para a formação acadêmica de profissionais da saúde. Além disso, evidenciou a importância de uma abordagem integral, alinhada aos princípios da APS.
Homeopatia, Atenção Primária à Saúde
VICTÓRIA ABREU GATTO, FERNANDA MARIA SIMÕES DA COSTA FUJINO, LIVIA MITCHIGUIAN HOTTA, THAIS PERELLA CUNHA SCIGLIANO, DENISE CASTANHO ANTUNES