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Diante do crescente número de pessoas com deficiência intelectual/cognitiva, incluindo tea, buscando atendimento no Brasil, a atual Política do Ministério da Saúde destaca-se por seu compromisso com a inclusão desses indivíduos em toda a rede de serviços do sus. Reconhecendo a importância de implementar respostas eficazes para lidar com os desafios complexos relacionados à saúde dessas pessoas. Apesar do aumento na discussão sobre atendimento inclusivo e humanizado, questões de acessibilidade, prioridade e garantia dos direitos ainda estão distantes das equipes de saúde em muitos lugares. Em casos de adoecimento agudo, a fragilidade da atenção primária leva os pacientes às emergências, acessíveis e disponíveis 24 horas por dia. Quando isso ocorre, pacientes e familiares esperam por uma assistência resolutiva, compassiva e individualizada. No entanto, diversos estudos indicam grande dificuldade e distanciamento das equipes assistenciais em relação aos pacientes e suas famílias. Medidas consolidadas na literatura para cuidar de pessoas com deficiência intelectual/cognitiva na emergência incluem: Acolhimento, classificação de risco, cuidados em situações urgentes; ampliar e aprimorar o acesso aos serviços de saúde; e facilitar o acesso a atendimento odontológico de emergência. Portanto, é fundamental que as equipes dos serviços de emergência reconheçam a importância do acolhimento nesse contexto, priorizando o cuidado centrado no paciente para preservar sua dignidade humana.
Relatar a experiência da upa 24h na assistência do paciente com alguma deficiência intelectual/cognitiva através da análise do tempo decorrido no atendimento dos mesmos desde a chegada à recepção e seu desfecho na Unidade no período de julho a dezembro de 2023 em concomitância ao desenvolvimento de ações em educação permanente junto à equipe assistencial multiprofissional. Uma vez que a Política Nacional de Humanização (pnh), desenvolvida em 2003, tem o objetivo de efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão e deve estar inserida em todas as políticas e programas, promovendo o debate para uma melhor forma de cuidar aliado à novas formas de organizar o trabalho. A emergência deve ser um cenário que promova a integração do manejo de sintomas nas descompensações agudas, concentrando os esforços para um atendimento humanizado, empático para o paciente e sua família.
Trata-se de uma análise observacional, com delineamento retrospectivo a partir da análise dos dados dos prontuários atendidos na upa 24h de julho a dezembro de 2023. A partir de ouvidoria recebida de uma mãe com filho com tea, concluiu-se que havia a necessidade de atenção aos pacientes com indicação de cuidados especiais. A partir daí levantou-se o contexto clínico desses pacientes e pudemos notar nós críticos na assistência ao paciente e seus familiares. Assim, traçamos metas para melhoria com treinamento para a equipe multiprofissional, a qual, sem dúvida foi o maior desafio, visto nossa alta demanda de atendimentos diários. No entanto, pudemos observar um maior envolvimento dos profissionais em lidar com o tema, todos conseguiram esclarecer as angústias, promovendo um ambiente seguro para compartilhar informações de modo que as experiências pessoais e o cenário de pacientes com deficiência cognitiva/intelectual pudesse ser enfrentado com dignidade, conforto, amparo e compaixão. O treinamento ocorreu em outubro de 2023. Nesse ponto, os profissionais puderam ter contato com o que é, de fato, suas definições, classificação de risco e importância de tornar o ambiente mais preparado para recebê-los. Com a compreensão e aplicabilidade dos conceitos na prática diária, foram acolhidas as demandas da equipe, criação de um selo adesivo para identificação desses pacientes logo na triagem e conseguir uma agilidade no atendimento/ tempo de espera e permanência na Unidade.
No segundo semestre de 2023 ocorreram 281 atendimentos de pacientes portadores de alguma deficiência intelectual/cognitiva na upa 24h, sendo 16% deles pacientes pediátricos (45 pacientes), 55% adultos (154 pacientes) e 29% corresponde a população idosa (82 pacientes). O perfil de doença que os acometia foi dividido em seis grupos de doenças: Neurológicas (11%); Síndrome Gripal (19%); Dor (22%); Trauma (11%); Gastrointestinais (8%) e Outros (29%). Quanto a resolutividade, 12% dos pacientes foram encaminhados ao serviço Terciário, 3% foram destinados para seguimento na Atenção Primária de Saúde, e tivemos 1% de Óbito na Unidade de Pronto Atendimento – upa 24h. O dado mais importante levantado foi em relação ao tempo de espera desde a entrada na recepção até a saída da Unidade pelo paciente. Antes do treinamento com equipe multidisciplinar, a média de tempo entre a triagem e ser chamado para a consulta médica era de 54min 54seg e o tempo de permanência na Unidade desde a admissão na Recepção e Saída do paciente na Unidade era de 03h14min08seg. Após o treinamento, houve uma mudança brusca de cenário, pois o tempo de espera entre a triagem e a consulta médica caiu para 31min51seg e o tempo total de permanência na Unidade reduziu para apenas 02h39min05seg, com mais de 80% de resolutividade na própria Unidade de Pronto Atendimento.
O estudo realizado na upa 24h mostra que o cenário de emergência é visto como algo resolutivo e curativo, o que torna um desafio na demanda de pacientes portadores de deficiência intelectual e do tea. Contudo, muito deve-se a falta de preparação proporcionada a equipe em relação a esse tema. Foi preciso sensibilizar e qualificar a equipe de saúde no sentido técnico e humano, abordar a deficiência para além dos trâmites burocráticos, promover o melhor tratamento possível para o paciente que busca o atendimento em uma upa 24h. Sendo assim, é fundamental que a equipe valide a importância dos treinamentos realizados na unidade. Apesar das limitações, espera-se que com treinamento e reflexões sobre o tema, os profissionais de saúde consigam proporcionar para pacientes e familiares um atendimento com empatia, conforto e dignidade. Ou seja, humanizando o atendimento para conseguir resolutividade e qualidade.
PORTADORES DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E DO TEA
Beatriz dos Santos Thimóteo, João Henrique Biagi, Nelson Alves Pinheiro Neto, Tiago José Aio De Freitas, Evandro Neves