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A dengue representa um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, exigindo dos municípios respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências. No município de Catanduva, interior do Estado de São Paulo, o aumento da incidência de casos e da infestação pelo mosquito Aedes aegypti demandou o fortalecimento das ações de vigilância e controle vetorial no ano de 2024. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Equipe Municipal de Combate ao Aedes aegypti (EMCAa), estruturou um conjunto de estratégias operacionais e intersetoriais voltadas à mitigação da epidemia, com foco na redução de criadouros, no monitoramento entomológico e na ampliação da participação comunitária. As ações foram executadas de forma articulada com outros setores da administração municipal e com apoio de instituições de ensino, incorporando soluções tecnológicas como ferramentas de apoio à tomada de decisão. A experiência descrita justifica-se pela necessidade de demonstrar que o enfrentamento da dengue exige planejamento contínuo, integração entre áreas técnicas e inovação, sendo possível obter resultados expressivos mesmo em contextos de alta pressão epidemiológica. A sistematização dessa experiência visa contribuir para o compartilhamento de práticas exitosas e replicáveis no âmbito da gestão municipal do SUS.
Objetivo geral: Descrever e analisar as estratégias adotadas pelo município de Catanduva (SP) para a mitigação da epidemia de dengue, destacando os resultados obtidos a partir das ações integradas de vigilância em saúde. Objetivos específicos: •Apresentar as principais ações operacionais desenvolvidas pela EMCAa no controle do Aedes aegypti; •Demonstrar o impacto das ações sobre os indicadores entomológicos, especialmente o Índice de Breteau; •Evidenciar a importância da intersetorialidade e do uso da tecnologia como instrumentos de fortalecimento da vigilância em saúde; •Compartilhar uma experiência municipal passível de replicação em outros contextos.
Trata-se de um relato de experiência de natureza descritiva, desenvolvido a partir das ações de enfrentamento à dengue, realizadas no município de Catanduva entre outubro de 2024 e abril de 2025. As estratégias foram executadas pela EMCAa, com apoio das Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária, Unidade de Vigilância em Zoonoses, Agentes Comunitários de Saúde e demais setores da gestão municipal, como secretaria de obras e serviços, secretaria do Meio Ambiente, SAEC, Defesa Civil e Guarda Civil Municipal. As ações incluíram visitas domiciliares sistemáticas, eliminação mecânica de criadouros, aplicação de larvicidas biológicos, nebulização portátil e veicular, Avaliação de Densidade Larvária (ADL) e instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). Paralelamente, foram desenvolvidas atividades de Informação, Educação e Comunicação (IEC), com envolvimento da população e divulgação contínua de orientações preventivas. Como diferencial, o município estabeleceu parceria com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP – Campus Catanduva) para o desenvolvimento e utilização de ferramentas tecnológicas, como aplicativo de monitoramento, geolocalização de casos e sistema de mapeamento semanal da dengue. Os dados operacionais e entomológicos produzidos subsidiaram o planejamento das ações e a avaliação dos resultados.
No período de janeiro a abril de 2025, foram realizadas 65.951 vistorias em imóveis, sendo 53.755 executadas pela EMCAa e 12.196 pelos Agentes Comunitários de Saúde. No mesmo intervalo, foram realizadas 13.278 ações de nebulização portátil e veicular, além da remoção sistemática de criadouros e materiais inservíveis, totalizando aproximadamente 18.750 kg de entulhos eliminados. O monitoramento entomológico demonstrou impacto positivo das ações, com variação do Índice de Breteau ao longo do período: média de 0,7 em outubro de 2024, elevação para 3,1 em janeiro de 2025 e posterior redução para 1,7 em abril de 2025, evidenciando resposta efetiva às intervenções intensificadas. Destaca-se ainda a instalação de 3.000 Estações Disseminadoras de Larvicida em mais de 40 bairros do município, em parceria com a Fiocruz, ampliando a cobertura do controle biológico. O uso de ferramentas tecnológicas possibilitou melhor visualização das áreas críticas, otimização das equipes de campo e fortalecimento da capacidade de resposta da gestão municipal.
A experiência do município de Catanduva demonstra que o enfrentamento da dengue exige ações contínuas, integradas e baseadas em evidências, com protagonismo da vigilância em saúde. A atuação estruturada da EMCAa, aliada à intersetorialidade, ao engajamento comunitário e à incorporação de tecnologias, contribuiu de forma significativa para a mitigação da epidemia e para a melhoria dos indicadores entomológicos. Os resultados alcançados reforçam a importância do planejamento, do monitoramento permanente e da inovação como pilares da gestão municipal do SUS. Trata-se de uma experiência exitosa, com potencial de replicabilidade em outros municípios, especialmente aqueles que enfrentam cenários semelhantes de alta infestação e pressão epidemiológica. Compartilhar essa prática contribui para o fortalecimento das políticas públicas de vigilância em saúde e para a construção de respostas mais eficientes às arboviroses.
Vigilância em Saúde, Arboviroses, Controle Vetores
ADRIANO CÉSAR DE ARAÚJO, GISELDA MARA ORLANDO GOZZO, BENEDITO APARECIDO DA COSTA, MARCIO ANDREY TEIXEIRA, EDUARDO ROGÉRIO MALAQUIAS CHAGAS, DIULIA VITÓRIA FARIA RIBEIRO, GABRIEL LUIZ DE OLIVEIRA, GABRIEL RIBEIRO DE LIMA, THAIS JELLMAYER MARTINS GONÇALVES, GABRIEL VELOSO FERRO DE LIMA