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O Projeto PET Saúde/ Inovação e Saúde Digital nasce em agosto de 2025, no município de Bragança Paulista, como parte do movimento nacional de fortalecimento do SUS por meio da transformação digital. Desenvolvido com discentes e docentes da Universidade São Francisco em parceria com a Secretaria de Saúde de Bragança Paulista, o projeto reúne estudantes das áreas de tecnologia, saúde e direito, além de preceptores, coordenadores, tutores e orientadores de serviço, em uma experiência interprofissional viva, dinâmica e desafiadora. Logo no início, ficou evidente: falar de inovação sem falar a mesma língua conceitual é receita para ruído. O SUS é um sistema complexo, potente e orientado por princípios que precisam ser compreendidos coletivamente. Em um projeto que une tecnologia, gestão da informação e cuidado em saúde, o alinhamento conceitual deixou de ser detalhe e se tornou estratégia central. A experiência acontece articulada às unidades e serviços municipais, beneficiando de forma direta e indireta a população adscrita aos territórios acompanhados, fortalecendo a qualidade do cuidado e a organização dos processos de trabalho. O projeto está em andamento, com previsão de continuidade até 2027.
Promover o alinhamento conceitual entre os integrantes do Projeto PET Saúde/I&SD, assegurando uma compreensão compartilhada acerca dos princípios e diretrizes do SUS, da Saúde Digital como estratégia de fortalecimento do cuidado, da gestão da informação em saúde como instrumento para a tomada de decisão qualificada, da integração ensino-serviço-comunidade e do papel de cada área na construção de soluções inovadoras. Busca-se consolidar uma base comum de entendimento que sustente práticas colaborativas, reduza ruídos conceituais e potencialize resultados no território, qualificando as ações desenvolvidas no âmbito do projeto.
Nos primeiros meses de execução, o projeto destinou carga horária semanal de 8 horas exclusivamente para alinhamento conceitual e integração dos participantes. Mais do que reuniões formais, foram criados espaços de construção coletiva, com momentos de fala conjunta, escuta ativa e problematização das diferentes compreensões sobre SUS, inovação, tecnologia e gestão da informação. A metodologia privilegiou rodas de conversa, análise de situações reais do território, estudo orientado de marcos normativos do SUS e debates interáreas, permitindo que estudantes da tecnologia dialogassem com a saúde, que o direito contribuísse com a dimensão ética e legal, e que preceptores e tutores trouxessem a realidade concreta dos serviços. O alinhamento não foi tratado como etapa burocrática, mas como fundamento do projeto. A construção de um repertório comum possibilitou que as ações de inovação digital fossem pensadas a partir das necessidades do território e da lógica do cuidado, e não apenas da lógica tecnológica. O processo segue em curso, sendo constantemente revisitado ao longo da execução do projeto até 2027.
Mesmo em andamento, o projeto já apresenta resultados consistentes e qualitativamente relevantes. Destaca-se, sobretudo, a consolidação de uma linguagem comum entre áreas historicamente apartadas, como tecnologia, saúde e direito. Conceitos como interoperabilidade, territorialização, cuidado longitudinal, proteção de dados, governança e gestão da informação passaram a ser compreendidos de forma integrada, sempre ancorados na lógica organizativa e nos princípios do SUS. Observa-se também o fortalecimento da identidade coletiva do grupo, maior clareza quanto a papéis, atribuições e responsabilidades, além de maior segurança técnica e ética na proposição de soluções digitais alinhadas às necessidades concretas dos serviços municipais de saúde. O processo formativo favoreceu a escuta qualificada, o diálogo interprofissional e a tomada de decisão compartilhada. O alinhamento conceitual contribuiu diretamente para a redução de retrabalho, prevenção de propostas descontextualizadas e ampliação da capacidade de interlocução com gestores e equipes das unidades. Como impacto indireto, a população adscrita aos territórios acompanhados passa a se beneficiar de processos mais organizados, decisões baseadas em evidências e tecnologias orientadas pelo cuidado integral, fortalecendo a qualidade da atenção e a efetividade das ações no território.
A experiência demonstra que inovação em saúde não começa no software, mas no sentido que orienta sua construção. Antes de programar sistemas, estruturar bancos de dados ou implantar plataformas, é fundamental alinhar conceitos, valores, princípios e propósitos. Sem essa base, a tecnologia corre o risco de apenas informatizar problemas já existentes, sem transformá-los. O Projeto PET Saúde/I&SD evidencia que o alinhamento conceitual constitui ferramenta estratégica de gestão, de educação permanente e de transformação institucional. Ao promover compreensão compartilhada sobre os fundamentos do SUS, da Saúde Digital e da gestão qualificada da informação, o projeto organiza o pensamento coletivo antes de organizar fluxos digitais, fortalecendo a coerência entre planejamento, execução e avaliação das ações. Ao integrar tecnologia, saúde e direito sob uma base conceitual comum, a iniciativa aposta em uma inovação com identidade pública, compromisso ético e enraizamento territorial. Até 2027, o desafio é sustentar esse espaço permanente de diálogo crítico e construção coletiva, garantindo que cada avanço tecnológico permaneça orientado pelos pilares que sustentam o SUS: cuidado integral, equidade, transparência e responsabilidade social.
Alinhamento conceitual; PET Saúde; Comunicação.
CLARA BRITO ALVES, NATÁLIA CONCEIÇÃO ROCHA, GRACE PFAFFENBACH, FABIOLA SIMPLICIO DA SILVA, AMANDA ZENI, LISAMARA DIAS DE OLIVEIRA NEGRINI, CARMEM SILVIA GUARIENTE, CRISTIANE CHIARION VIDIRI