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O projeto foi desenvolvido por meio de reuniões participativas com a comunidade, iniciadas em março de 2016, com o objetivo de utilizar o terreno da UBS Tancredão/Campos Elíseos – Campinas/SP para criar uma horta comunitária. A partir de doações de mudas de plantas medicinais e hortaliças feitas pelos moradores, o espaço reúne diversas espécies vegetais com aplicações medicinais e culinárias. A manutenção da horta é realizada por meio de trabalho voluntário, com orientação de pessoas conhecedoras da prática e manejo de plantas das mais variadas espécies. Atualmente, o projeto está vinculado à proposta de Farmácia Viva da Rede Municipal de Saúde de Campinas e cadastrado no Programa de Agricultura Urbana e Periurbana – Campinas Solidária e Sustentável, instituído pela Lei nº 16.183, de 29 de dezembro de 2021.
O projeto oferta à comunidade mudas, plantas para uso em receitas e orientações sobre seus usos medicinais e culinários. Estabeleceu um espaço de convivência para moradores e usuários da UBS, promove a integração com o meio ambiente e reúne práticas ambientais sustentáveis. Coordenam o projeto uma terapeuta ocupacional e um agente de saúde bucal. A horta está integrada ao núcleo de terapia ocupacional, proporcionando aos pacientes que optam por esse processo terapêutico o contato e cuidado com a terra e as plantas.
A ideia inicial foi apresentada por um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente, considerando a existência de um terreno ocioso próximo à unidade de saúde. A coordenadora promoveu reuniões com a comunidade para discutir o uso do espaço, definindo-se canteiros em forma de mandala, com plantio de hortaliças, plantas medicinais e mudas de árvores para um pequeno pomar. A participação se deu por voluntariado, com adesões graduais da equipe da unidade básica de saúde e de moradores interessados em agricultura urbana. Foram realizados encontros no terreno para seu preparo e início dos canteiros, seguindo processos de adequação de solo, compostagem e plantio das primeiras mudas. Desde então, mantêm-se ciclos sucessivos de plantio, colheita e preparo da terra. O espaço permanece acessível à comunidade sob orientação dos responsáveis. Voluntários dedicam tempo à captação de recursos e manutenção da área. A coleta de mudas ocorre por divulgação do projeto, aceitando-se plantas medicinais, hortaliças, plantas alimentícias não convencionais e árvores. O projeto desenvolve palestras e oficinas sobre uso de plantas medicinais e preparos culinários, incentivando o envolvimento da população. Realizam-se reuniões periódicas para organização e coordenação. Para maiores detalhes, consultar o regimento interno.
O projeto tem apresentado resultados em múltiplas dimensões da saúde comunitária. No aspecto fitoterápico, fornece plantas medicinais que auxiliam no manejo de sintomas como cefaleia, náuseas, distúrbios digestivos, ansiedade leve e insônia, promovendo alternativas naturais ao uso excessivo de medicamentos. Na dimensão nutricional, sensibiliza o acesso a hortaliças frescas e orgânicas, contribuindo para reeducação alimentar e adoção de hábitos mais saudáveis. Através de grupos multidisciplinares, apoia ações preventivas nos grupos de hiperdia (hipertensão e diabetes), integrando cultivo terapêutico, orientação nutricional e educação em saúde, fortalecendo o vínculo entre comunidade e unidade básica de saúde.
O projeto mantém-se ativo desde 2016, consolidando-se como iniciativa de referência em saúde comunitária. Em 2017, conquistou o terceiro lugar no 1º Prêmio Práticas Exitosas do SUS Campinas: Cuidado na Atenção Primária em Saúde. A horta é reconhecida como modelo para implementação de Farmácias Vivas em Campinas, participando regularmente da Semana de Fitoterapia Prof. Walter Radamés Accorsi, organizada pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o Grupo Saberes à Luz do Sol e a CATI. Estabeleceu parcerias estratégicas com o LAPACIS/Unicamp (Laboratório de Práticas Alternativas Complementares e Integrativas em Saúde) e com a CATI, que fornecem suporte técnico, agrícola e fitoterápico essenciais à qualificação das ações. Como perspectivas, busca-se ampliar o engajamento de voluntários, expandir as atividades educativas em fitoterapia e nutrição, intensificar a distribuição de mudas à comunidade e fortalecer a rede de trocas de saberes entre hortas comunitárias do município. O projeto reafirma seu compromisso com a promoção da saúde integral, a sustentabilidade ambiental e o fortalecimento dos vínculos entre a unidade de saúde e a comunidade.
Agricultura urbana,Fitoterapia,Saúde coletiva
IDÍLIO CANDIDO NETO, ANA PAULA DA CUNHA ALVARES