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O Hospital Municipal de Urgências Albert Sabin (HMEAS), no Complexo de Saúde de São Caetano do Sul, enfrentava superlotação, longas esperas e fluxos assistenciais pouco definidos, com impacto no acesso oportuno, na segurança do cuidado e na humanização no SUS municipal. Observava-se baixa resolutividade para casos de menor complexidade, que competiam por espaço e tempo assistencial com quadros graves, gerando gargalos e sobrecarga das equipes. A experiência iniciou-se em 06/2025, com planejamento em saúde sustentado por estratégias de diagnóstico situacional e benchmarking em uma UPA de São Paulo que já utilizava o modelo, seguido de estruturação organizacional e adequações prediais para implantação de fluxo unidirecional. A intervenção incorporou instrumentos operacionais de planejamento do SUS no ponto de atenção, com ênfase na classificação de risco, na definição das portas de entrada e na organização da Rede de Atenção no componente de urgência por meio de fluxos e referências internas. A governança do processo incluiu pactuações e processos decisórios compartilhados entre gestão e trabalhadores, com participação de usuários (Tríplice Inclusão) para qualificar acolhimento e comunicação. Participaram direção e coordenações do HMEAS, farmácia, equipe administrativa, médicos e enfermagem (enfermeiros e técnicos). Foram beneficiados usuários do SUS na urgência, sobretudo casos de baixa complexidade (verde e azul) e, indiretamente, pacientes graves, com a ampliação.
Implantar e consolidar o modelo FAST Track para casos de baixa complexidade na urgência do HMEAS, com definição clara das portas de entrada, fluxos e referências, reordenando a oferta de serviços conforme a estratificação de risco. Reduzir tempo de espera e tempo total de permanência dos pacientes verde/azul; aumentar a resolutividade no primeiro atendimento e reduzir retornos evitáveis; promover inovação por redesenho de processos e fluxo unidirecional; fortalecer governança e pactuações internas para processos decisórios orientados por dados; qualificar a gestão de pessoas e a gestão do trabalho por meio de capacitação, padronização de condutas e integração multiprofissional; e otimizar recursos assistenciais (consultórios, medicação e exames), contribuindo para a organização da Rede de Atenção no componente de urgência.
A metodologia de implantação do FAST Track, iniciada em junho de 2025, focou no reordenamento da urgência. O processo começou com planejamento em saúde, incluindo diagnóstico situacional e benchmarking em UPA de São Paulo com modelo similar. O aprendizado orientou adequações estruturais para instituir fluxo unidirecional e separar etapas do cuidado.As mudanças físicas incluíram: conversão da antiga farmácia em sala de medicação e farmácia satélite; readequação de sala para UDC; reestruturação da recepção com três salas de triagem e novos consultórios; reforma do corredor FAST Track; e construção de saída exclusiva para garantir fluidez.Houve adequação da classificação de risco aos princípios do HumanizaSUS. A qualificação profissional envolveu treinamento de 20 enfermeiros nos novos fluxos e no Sistema Manchester, capacitação de 38 enfermeiros e preparo de 44 técnicos e 8 enfermeiros para atuação nas salas de medicação (VO/IM e EV).A farmácia reorganizou o rol de medicamentos para o FAST Track. A governança baseou-se em decisões compartilhadas entre gestão, trabalhadores e usuários (Tríplice Inclusão). Participaram direção, coordenações, farmácia, equipe administrativa, médicos e enfermagem, visando reduzir espera, ampliar resolutividade, otimizar recursos e qualificar a Rede de Atenção à Urgência.
A implantação do FAST Track estruturou o acesso e reorganizou fluxos e referências no HMEAS, com definição mais clara das portas de entrada e reordenamento da oferta conforme classificação de risco. Houve aumento da resolutividade regional na urgência, com redução de gargalos e maior disponibilidade para casos graves. Entre pacientes de baixa complexidade (verde e azul), registrou-se redução de 60% no tempo de espera para o primeiro atendimento e de 50% no tempo total de permanência. O FAST Track passou a absorver cerca de 40% da demanda da emergência por via ágil, melhor distribuindo recursos. Em média, 8% dos atendidos são encaminhados ao médico da ESF. Observou-se redução de 15% no retorno em até 72 horas, indicando maior resolutividade inicial, e de 20% no uso de exames complementares, evidenciando racionalidade clínica. A qualificação do trabalho incluiu capacitação de 20 enfermeiros em fluxogramas de triagem, 38 no Manchester e 44 técnicos e 8 enfermeiros para medicação e novo fluxo. A integração com a farmácia (satélite e rol específico) fortaleceu pactuações. As adequações prediais e o fluxo unidirecional ampliaram organização, conforto e previsibilidade ao usuário.
A experiência evidencia que a implantação do FAST Track, quando conduzida por planejamento em saúde e sustentada por governança, pactuações e processos decisórios compartilhados, é uma estratégia efetiva para qualificar o acesso na urgência do SUS municipal. O benchmarking, o diagnóstico situacional e a estruturação do fluxo unidirecional foram determinantes para alinhar a intervenção à realidade local. A definição das portas de entrada, a organização de fluxos e referências e a integração com a UDC e a farmácia ampliaram eficiência, segurança, humanização e resolutividade, com ganhos mensuráveis (redução de esperas, permanência, retornos e uso de exames). A qualificação na gestão de pessoas e na gestão do trabalho mostrou-se condição de sustentabilidade, reforçando a importância de capacitação e clareza de papéis. Como expectativa, recomenda-se manter monitoramento de indicadores, revisões periódicas dos fluxogramas e fortalecer articulação com a Rede de Atenção e instâncias regionais (como CIR), para pactuar fluxos e referências intermunicipais quando aplicável e sustentar a resolutividade regional.
FAST Track,Urgência e Emergência,Resolutividade
RODRIGO TOLEDO MOTA, ADRIANA BERRINGER STEPHAN, RICARDO CARAJELEASCOW, MARINA MACEDO DAMINATO, DAGOBERTO GOMES DE MOURA, GABRIELA KUWAHARA RIZZO, CARMEN LUCIA ANTUNES PIMENTA SIMÕES, GABRIELA MASCHIO SEMIM, CARLOS ANTÔNIO FADEL, VANESSA CALIPO LEANDRO, NELSON DONATO DOS SANTOS JÚNIOR, MARIO FERNANDES, THALES PLASTINA ASTRO, SIMONE APARECIDA DUARTE SIGOLO ROBERTO