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Desde o início da pandemia, os profissionais de saúde são considerados o grupo de maior exposição ao vírus SARS-CoV-2, em serviços de saúde ambulatoriais e hospitalares, mesmo após a vacinação contra Covid-19 (1–5). Desde o início da vacinação, diversos estudos vêm demonstrando a efetividade da vacinação na proteção contra casos graves e mortes (6–9). Wang e colaboradores, ao compararem 50 países, reforçam que a vacinação é uma valiosa medida de proteção contra morte por Covid-19 e que, quanto maior as coberturas vacinais, menores as taxas de mortalidade por Covid-19, apesar de não proteger de novas infecções pelo coronavírus (10). Em um estudo entre profissionais da saúde durante a onda da variante Ômicron e suas subvariantes, foi verificado que a imunidade híbrida (infecção prévia associada à vacinação) protegeu mais os indivíduos contra uma nova infecção comparado com somente a vacinação, ou a infecção prévia (11). Este estudo caso controle tem relevância pelo fato de focar nos profissionais da saúde da Atenção Primária e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de um Distrito de Saúde de Campinas e analisar a situação vacinal e infecção prévia destes profissionais de saúde.
•Descrever situação vacinal dos profissionais de saúde selecionados do Distrito Sudoeste; •Investigar a associação entre a situação vacinal da dose de reforço dos casos de Covid-19 em amostra dos profissionais de saúde vacinados da Atenção Primária e do CAPS sintomáticos respiratórios com teste laboratorial para Covid-19 positivo comparando com os sintomáticos com teste negativo no Distrito Sudoeste; •Investigar a associação entre a situação vacinal referente à característica do esquema vacinal (heterólogo ou homólogo) dos casos de Covid-19 em amostra dos profissionais de saúde vacinados da Atenção Primária e do CAPS sintomáticos respiratórios com teste laboratorial para Covid-19 positivo comparado com os sintomáticos com teste negativo no Distrito Sudoeste.
Trata-se de estudo caso-controle teste negativo, para avaliar fatores associados aos testes positivos para Covid-19 entre os profissionais confirmados com Covid-19 envolvidos na assistência (casos, n-95) e os mesmos com teste negativo (controles, n-88) da Atenção Primária e do CAPS do Distrito Sudoeste de Campinas, no período de março de 2021 a julho de 2022. Foram incluídos no estudo, aqueles que aceitaram participar da pesquisa, que receberam pelo menos duas doses de vacina contra Covid-19 há pelo menos 30 dias, sintomáticos respiratórios testados pelo RT-PCR ou teste antígeno. Os casos foram os profissionais com teste positivo e os controles com teste negativo no período. Foram excluídos da amostra os profissionais de saúde sem esquema vacinal completo, que não frequentaram os serviços durante o período da aplicação do questionário. Os casos e controles foram amostrados aleatoriamente para aplicação de questionário semiestruturados de forma presencial nos locais de trabalho dos profissionais (n-193). As informações obtidas nos questionários foram confirmadas por meio do banco de dados do Distrito de Saúde Sudoeste, no sistema E-SUS Notifica, no sistema GAL e Vacivida. As bases de dados foram disponibilizadas pela Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas /Distrito Sudoeste. Para registro das informações coletadas dos bancos de dados e análises estatísticas foram utilizadas respectivamente os pacotes Excel®2019, SPSS v.21 e EPIINFO.
A distribuição de vacinas entre os profissionais de saúde investigados teve a vacina Sinovac/Butantan como a administrada com maior frequência na primeira etapa (90,2%), seguido da vacina AstraZeneca/Fiocruz (8,2%). Já na dose de reforço, a Pfizer foi a vacina administrada com maior frequência como dose de reforço. A distribuição foi de 91,5% entre os profissionais que tomaram a vacina Sinovac/Butantan e 80% entre os que tomaram a vacina AstraZeneca/Fiocruz. Apenas 5% dos profissionais selecionados não tomaram a dose de reforço.
Este estudo aponta a infecção prévia por Covid-19 como fator protetivo a novas infecções por Covid-19. Vários estudos apresentam este mesmo resultado de proteção à Covid-19 e de apresentações graves da doença, quando associadas à vacinação (12–15). Em um estudo de casos e controles entre profissionais da saúde durante a onda da variante Ômicron e suas subvariantes, foi verificado que a imunidade híbrida (infecção prévia associada à vacinação) protegeu mais os indivíduos contra uma nova infecção, comparado com somente a vacinação, ou a infecção prévia. A infecção pela subvariante BA.1, associada a duas ou três doses de vacina de mRNA foi mais protetiva para a infecção por BA.2 em até 5 meses (redução do risco de 96%) (16). No atual estudo, a maioria dos profissionais recebeu vacinação heteróloga com maior proporção nos controles do que nos casos, o que aponta o fator protetivo desta variável contra as infecções por Covid-19. Estudos pregressos comprovam que a vacinação heteróloga com dose de reforço oferece maior proteção que a vacinação homóloga (16–18). A efetividade das vacinas CoronaVac e da Pfizer como dose de reforço relacionaram-se com um aumento de efetividade da vacinação respectivamente para 92,7% a 97,3% (11).
Vacinação,COVID,vacinal dos profissionais de saúde
TANIELLA CARVALHO MENDES