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Na maior parte do tempo de hospitalização, a criança fica restrita ao leito, cercada de pessoas estranhas, submetidas à procedimentos invasivos e dolorosos. Esses fatores tornam-na mais vulnerável às consequências emocionais e motoras. É comum a ocorrência de mecanismos de defesa, do tipo regressão, onde a criança retorna a uma fase anterior à de sua real idade, além da recusa de alimentos, diminuição do vocabulário, perda do controle dos esfíncteres, além de outras reações emocionais. Apesar de um grande avanço ter ocorrido quanto à atenção pediátrica, muito do que é feito com as crianças para curar a doença é traumático, desagradável e ameaçador. A fisioterapia é um dos pilares do tratamento das crianças e o fisioterapeuta deve permitir que sua terapia seja o menos traumática possível, mas ao mesmo tempo, funcional e efetiva. Pensando em tudo isso, será que é possível e eficaz realizar a terapia baseada na felicidade da criança, permitindo que ela seja o centro do cuidado?
Incentivar os fisioterapeutas a realizar a terapia levando em conta o que faz a criança feliz; manter/melhorar a funcionalidade da criança pós alta hospitalar; introduzir os pais e cuidadores à terapia.
A terapia é individualizada, focada nos objetivos terapêuticos de cada criança, porém levando em consideração o que a faz feliz, fazendo com que a terapia seja leve, produtiva, funcional e provoque a sensação de bem estar tanto para o paciente quanto para o terapeuta. As ações são individuais, pois cada criança tem suas preferências e objetivos terapêuticos. A equipe da fisioterapia traçará as estratégias terapêuticas específicas baseadas na avaliação inicial realizada no seu atendimento. A terapia é baseada na estimulação da saída do leito, na utilização de brinquedos adequados à idade da criança e que faça sentido a ela. Se for possível, realizá-la à luz do sol, ao ar livre, utilizando a música adequada à cada criança. Sempre associados à funcionalidade e as aptidões motoras de cada criança.
Melhora do vínculo entre terapeuta, paciente e seus cuidadores; melhora do engajamento e da motivação da equipe multidisciplinar; alta hospitalar sem déficit motor (avaliado através de uma escala de funcionalidade).
Realizamos no HM Vila Santa Catarina um atendimento onde o pilar central é a criança. Avaliamo-la como um ser completo, visando as necessidades motoras, mas também, levando em conta o que a faz feliz, fazendo com que a terapia seja um momento de sorrisos e “respiro” da tão temida internação hospitalar. Além de introduzir os pais e cuidadores à terapia, facilitando o vínculo com o fisioterapeuta bem como tornando a atividade educativa Percebendo os benefícios desse tipo de atendimento, o mesmo tornou-se habitual e segue sendo nossa filosofia de trabalho.
fisioterapia, pediatria
BIANCA AGOSTINI ZOLIO, PAULA TORRES SIMOES