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O fluxo de atendimento às intercorrências clínicas em um ambulatório de especialidades do Jardim São Luiz, zona sul de São Paulo, passou por reorganização devido à mudança de endereço. Antes, os atendimentos de urgência e emergência eram compartilhados com um serviço de Assistência Médica Ambulatorial (AMA), com encaminhamento conforme a gravidade clínica, deambulando ou em cadeira de rodas. Em junho de 2025, a unidade mudou-se para um novo espaço, planejado para qualificar a assistência e ampliar a capacidade, incluindo sala específica para emergências. Observou-se procura espontânea de usuários por reconhecerem o ambulatório como o ponto de atenção mais próximo, ainda que para passar no ambulatório em consulta exija agendamento. Durante a permanência nas salas de espera, foram identificadas intercorrências clínicas como crises convulsivas, dor torácica, hipotensão, hipoglicemia e quedas, evidenciando a necessidade de reorganizar o fluxo assistencial, fortalecer a classificação de risco, monitoramento contínuo e articulação com a rede de referência, assegurando atendimento oportuno, seguro e resolutivo, conforme a Política Nacional de Humanização, protocolo HumanizaSUS e princípios da Rede de Atenção Especializada.
Descrever a organização do atendimento emergencial na sala de emergência do ambulatório de especialidades após a mudança de endereço, e analisar a atuação da equipe multiprofissional frente às intercorrências clínicas durante o acolhimento dos usuários. Evidenciar a importância da classificação de risco, do monitoramento contínuo dos sinais vitais e do acionamento oportuno do Time de Resposta Rápida, visando à estabilização clínica e ao encaminhamento adequado aos serviços de referência quando necessário.
Trata-se de relato de experiência, de caráter descritivo, baseado na análise dos atendimentos emergenciais realizados na sala de emergência do ambulatório a partir de junho de 2025. Os atendimentos foram registrados e categorizados conforme gravidade clínica, necessidade de intervenção imediata e desfecho assistencial, incluindo resolução na unidade ou encaminhamento para serviços de maior complexidade. Adotou-se o protocolo de classificação de risco do HumanizaSUS, com categorias vermelho, amarelo, verde e azul. Os usuários foram submetidos à avaliação clínica inicial, monitorização dos sinais vitais e aplicação da Escala NEWS, além de outros instrumentos de avaliação clínica. Os dados foram sistematizados para análise descritiva do perfil dos atendimentos, resolutividade local e articulação com a Rede de Atenção às Urgências e Emergências.
No período analisado, foram realizados 65 atendimentos emergenciais, classificados pelo protocolo do HumanizaSUS: 15 vermelho, 19 amarelo, 29 verdes e 2 azul. Desses, 32 (49%) foram resolvidos na unidade, sem remoção, e 33 (51%) demandaram encaminhamento ao serviço de referência. Como estratégia de qualificação do cuidado e redução de riscos, foram realizados treinamentos periódicos com a equipe multiprofissional, abordando fluxos e rotinas de protocolos institucionais, como atendimento à dor torácica, Código Azul, AVC, preparo e diluição de medicamentos, organização do carrinho de emergência, transporte seguro do usuário, avaliação de sinais vitais com Escala NEWS, punção venosa e uso adequado dos equipamentos. A gestão da unidade, os enfermeiros e a Comissão de Gerenciamento de Riscos realizam avaliações periódicas dos atendimentos e definem ações educativas conforme os eventos identificados.
Os resultados mostram que os atendimentos emergenciais ocorreram de forma oportuna, com acionamento adequado do serviço de remoção conforme a gravidade clínica, incluindo remoções com ou sem suporte avançado. A atuação integrada da equipe multiprofissional permitiu identificação precoce de sinais de deterioração, monitoramento contínuo e condução segura dos casos. A implantação de uma sala de emergência estruturada e a reorganização do fluxo assistencial após a mudança de endereço contribuíram para a melhoria da qualidade do atendimento, promovendo maior resolutividade, segurança do paciente e alinhamento com a Rede de Atenção Especializada e a Política Nacional de Humanização do SUS. Periodicamente, a gerência realiza avaliações dos processos de transferência, visando ao aprimoramento contínuo da assistência.
Gestão em Saúde; Emergência; Classificação.
JAREDE VIEIRA NERY, SELMA DE SOUZA COSTA SANTOS