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O cenário de pandemia da COVID-19 apresentou diversos desafios para a Vigilância Epidemiológica especialmente no tocante ao volume de fichas de notificação recebidas diariamente. Na época tínhamos apenas 03 funcionários voltados para a digitação de fichas em sistemas de informação e todos eles já com suas atribuições diárias já preenchidas. Com a nova demanda que surgiu foi necessária a contratação de 04 funcionários extras para a digitação das fichas, porém havia a questão de recebimento dessas notificações e ainda as separar e encaminha-las para quem era de direito em razão de ainda termos outros agravos de notificação e que são rotineiramente investigados pela equipe antes de serem lançados em sistema. São utilizados na vigilância o SINAN (Sistema Nacional de Agravos de notificação), SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) SINASC (Sistema de Informação de Nascidos Vivos), SIVEP-gripe onde foram notificados os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e o E-SUS notifica com os casos leves de COVID-19.
Nos períodos de pico de transmissão a quantidade de fichas de notificação, tanto para casos leves quanto para casos graves, aumentava vertiginosamente e foi preciso adequarmos a organização do processo de trabalho para que tivéssemos agilidade e qualidade de informação para alimentar o boletim epidemiológico diário e após a Pandemia manter o processo de organização sem perder o foco principal que é a separação das notificações.
Para a mudança do fluxo de recebimento das fichas de notificação, foi criada uma sala específica, separada de toda a equipe da Vigilância Epidemiológica, divulgamos amplamente essa alteração para toda a rede com o intuito de evitarmos que as fichas seguissem fluxo diverso do que pretendíamos. No setor tínhamos 02 funcionários e 02 estagiários que contavam com 03 computadores e 01 impressora.
Para melhor organização de todo fluxo gerado por conta da demanda foi criado o setor de triagem dentro da Vigilância Epidemiológica para melhor organização de recebimento, distribuição e arquivo destes documentos. Nesta época tínhamos em torno de 20.000 fichas represadas aguardando digitação entre os casos graves e leves. Com a nova organização e com o empenho e colaboração de todos foi possível colocarmos em dia as notificações, pois apesar de nossos esforços tivemos vários picos de transmissão, onde chegamos a ter 30.000 fichas represadas. Com a implantação de nova rotina de trabalho e com estabelecimento de metas diárias de digitação foi possível colocarmos em dia as notificações no sistema e ainda organizarmos nosso arquivo de maneira que não tenhamos perda de fichas mesmo com o alto volume que recebíamos.
A pandemia de COVID-19 foi crucial para que a Vigilância se reinventasse, quebrasse paradigmas e vícios de trabalho que persistiam há anos. Todos nós tivemos que rever nossos processos de trabalho de maneira abrupta para que pudéssemos dar conta da demanda gigantesca que tivemos.
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Leonardo Antunes Martuscelli, Shirley Cristina de Abreu, Lucio do Carmo da Silva