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A leishmaniose visceral é uma zoonose de grande relevância para a saúde pública, especialmente em áreas urbanas onde há circulação do vetor Lutzomyia longipalpis e presença de cães como principais reservatórios. O município de Araçatuba é considerado área endêmica desde 1999, quando foi registrado o primeiro caso autóctone. Desde então, têm sido notificados casos humanos e óbitos, reforçando a necessidade de estratégias integradas de vigilância, prevenção e controle. Para enfrentar esse cenário, foi elaborado o Plano de Ação para Intensificação da Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana, que incluiu a caracterização ambiental dos territórios em parceria com a Coordenadoria de Controle de Doenças, com o objetivo de identificar fatores de risco e condições favoráveis à manutenção da transmissão. As ações de campo envolveram: •Inquérito canino: cadastro dos animais, coleta de material para exames e monitoramento sorológico; •Encoleiramento: utilização de coleiras impregnadas com deltametrina, de ação repelente ao vetor; •Manejo ambiental: medidas voltadas à redução de criadouros e condições propícias à presença do vetor. Essas atividades foram executadas pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE), de forma integrada às ações de monitoramento e acompanhamento realizadas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), garantindo maior cobertura territorial, vínculo com a comunidade e identificação dos domicílios com presença de cães.
Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência bem-sucedida da ação “Fora Leish”, implementada no município de Araçatuba, com ênfase na redução da transmissão da leishmaniose visceral. As estratégias adotadas compreenderam a realização de inquérito canino e o encoleiramento de cães residentes em áreas com ocorrência de casos humanos, configurando medidas integradas de vigilância e controle. Ademais, busca-se evidenciar a relevância da articulação intersetorial e tripartite na execução das ações, ressaltando sua contribuição para a efetividade das intervenções e para a sustentabilidade das políticas públicas de saúde voltadas ao enfrentamento da doença.
A ação “Fora Leish” foi desenvolvida em sete áreas do município de Araçatuba, delimitadas pelo território das Unidades Básicas de Saúde com registro de casos humanos de leishmaniose visceral nos últimos quatro anos. As atividades incluíram o cadastramento de cães por meio de visitas domiciliares realizadas pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE), aplicação de inquérito canino, coleta de material para exames laboratoriais e encoleiramento com coleiras impregnadas com deltametrina, acompanhado de orientações sobre conservação e manejo em casos de reações adversas. Paralelamente, foram reforçadas medidas voltadas à redução de criadouros e à eliminação de condições favoráveis ao vetor. A execução contou com a integração entre ACE e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), ampliando a cobertura territorial e fortalecendo o vínculo comunitário. A iniciativa foi apoiada por instituições parceiras, como o Centro de Controladoria de Doenças (CCD) e a UNESP-Araçatuba, garantindo suporte técnico-científico às ações. Trata-se de uma ação tripartite, envolvendo município, estado e união, com integração de esforços, insumos e estratégias. Paralelamente, foram desenvolvidas diversas ações educativas junto à população, abordando temas como prevenção da leishmaniose, cuidados com os cães, manejo ambiental e importância da adesão às medidas de controle.
A ação possibilitou o cadastramento dos animais e assegurou ampla cobertura nas áreas priorizadas, resultando em expressivo número de cães encoleirados e na atualização do cenário epidemiológico canino por meio do inquérito realizado. Observou-se elevada adesão da população, favorecida pela atuação integrada dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) e dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), bem como pelas atividades educativas desenvolvidas durante as visitas domiciliares. No primeiro ciclo, foram cadastrados 4.870 cães e encoleirados 5.830, correspondendo a uma taxa de cobertura de 121%. A parceria com instituições de ensino e pesquisa contribuiu para o aprimoramento técnico das ações, enquanto o modelo tripartite garantiu sustentabilidade, organização logística e alinhamento com as diretrizes dos programas de vigilância em saúde. A integração entre vigilância epidemiológica, atenção básica e educação em saúde fortaleceu o enfrentamento da leishmaniose no território fazendo com que o município alcançasse a meta do encoleiramento.
A experiência do “Fora Leish” em Araçatuba demonstra que o encoleiramento canino, associado ao inquérito canino e a ações educativas contínuas, é uma estratégia eficaz no controle da leishmaniose visceral em áreas com histórico de transmissão humana. A atuação integrada entre ACE, ACS, instituições parceiras como a UNESP e os entes federativos evidencia a importância da cooperação intersetorial e tripartite para o sucesso das ações em saúde pública. A continuidade e ampliação dessas estratégias são fundamentais para a redução do risco de transmissão, proteção da saúde humana e animal e fortalecimento da vigilância em saúde no município.
leishmaniose, integração, intersetorialização
DANIEL FERREIRA MARTINS JUNIOR, ELISABETE CRISTINA VELLO, PRISCILA NOGUEIRA DE MORAIS CESTARO, GUILHERME JUAN PONTE REGO DOS SANTOS, RUTE MARA FLORIANO PAULINO, TANIA MARA TOMIKO SUTO