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Os afogamentos configuram relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões costeiras, onde a exposição ao ambiente aquático é cotidiana. Crianças e adolescentes compõem grupo de maior vulnerabilidade, e a prevenção depende de educação estruturada, vigilância ativa e integração intersetorial. No município de São Sebastião, litoral norte paulista, a forte relação territorial com o mar e o fluxo turístico intensificam o risco de ocorrências aquáticas. Diante desse cenário, foi implantado, em junho de 2025, o projeto SAMU GVM – Guarda-Vidas Mirim, iniciativa intersetorial entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) e a Secretaria Municipal de Educação. A proposta estruturou formação teórica e prática em segurança aquática, primeiros socorros e cidadania, alinhada aos princípios do SUS, fortalecendo a cultura preventiva e qualificando jovens como multiplicadores de informações de proteção à vida.
Oferecer formação teórica e prática em segurança aquática e primeiros socorros para estudantes de 11 a 16 anos. Desenvolver cultura de prevenção de afogamentos e acidentes domésticos. Qualificar jovens para reconhecimento de riscos e acionamento adequado do sistema 192. Fortalecer integração entre saúde, educação e segurança pública. Formar protagonistas juvenis na disseminação de práticas preventivas.
A experiência foi implementada como projeto piloto na Escola Municipal Prof.ª Edileusa Brasil Soares de Souza (Costa Sul/Maresias), envolvendo 30 alunos de 11 a 16 anos. O programa teve carga horária total de 30 horas, distribuídas em 15 encontros de duas horas, realizados no contraturno escolar. As aulas ocorreram entre agosto e novembro de 2025, com certificação em dezembro. O currículo foi estruturado em quatro eixos: disciplina e organização, primeiros socorros, técnicas básicas de salvamento aquático e cidadania. As atividades incluíram aulas teóricas com recursos audiovisuais, estudos de casos reais e simulações práticas de reanimação cardiopulmonar, desobstrução de vias aéreas, controle de hemorragias, imobilizações simples e manejo inicial de traumas. Também foram abordados riscos específicos do ambiente marinho, como correntes de retorno, maré vermelha, fauna marinha e segurança em piscinas. Para certificação, exigiu-se frequência mínima de 90% e aprovação teórica e prática. Está previsto estágio supervisionado de 4 horas em fevereiro de 2026, no posto do GBMar na Praia de Maresias, com supervisão conjunta.
Dos 30 alunos inscritos, 15 concluíram o curso com aprovação, representando 50% de certificação. Observou-se aumento significativo do conhecimento sobre prevenção de afogamentos, reconhecimento de correntes marítimas e condutas seguras em ambientes aquáticos. Os participantes demonstraram capacidade de identificar situações de risco, acionar corretamente o 192 e aplicar técnicas básicas compatíveis com sua faixa etária. Destaca-se ocorrência real durante o período do curso, em que uma participante realizou salvamento de afogamento em piscina residencial, aplicando manobras aprendidas, com desfecho positivo. A experiência fortaleceu a articulação entre SAMU, GBMar e rede municipal de ensino, ampliando a compreensão comunitária sobre o funcionamento da Rede de Atenção às Urgências do SUS e consolidando cultura preventiva no território.
O Projeto SAMU GVM demonstrou que a educação preventiva estruturada é estratégia efetiva de redução de riscos em regiões costeiras, promovendo segurança, cidadania e fortalecimento do SUS municipal. A capacitação de jovens como multiplicadores amplia o alcance das ações preventivas e contribui para mudança cultural em território de alta exposição ao risco aquático. O caso real de salvamento durante o curso evidencia impacto imediato e relevância social concreta da iniciativa. Trata-se de ação intersetorial sustentável, replicável em outras unidades escolares e com potencial de institucionalização permanente como política municipal de prevenção de afogamentos.
afogamento, prevenção, urgência, juventude
ANDRÉ LUÍS DA SILVA LEANDRO, RICARDO LUIZ DE CAMARGO