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O Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma das principais doenças crônicas da infância, exigindo monitoramento contínuo e controle rigoroso. O Brasil ocupa o terceiro lugar em prevalência mundial, com mais de 35 mil casos. Caracterizado pela destruição das células β pancreáticas, o DM1 leva à dependência de insulina e pode causar complicações graves, como hiperglicemia e hipoglicemia, impactando a saúde e o desempenho escolar. A hiperglicemia provoca sintomas como sede excessiva, fadiga e emagrecimento, enquanto a hipoglicemia pode gerar tontura, sudorese, fraqueza e até convulsões. Estudos indicam que a maioria dos pacientes insulino-dependentes já enfrentou eventos hipoglicêmicos, comprometendo sua capacidade cognitiva e bem-estar. O tratamento exige múltiplas aplicações de insulina, automonitoramento glicêmico, alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos. A escola, além de espaço de aprendizado, desempenha um papel fundamental na inclusão e na promoção da saúde. No entanto, pesquisas mostram que muitos professores de Educação Física desconhecem o manejo adequado do aluno com DM1, limitando sua participação nas atividades esportivas. Dessa forma, a capacitação desses profissionais é essencial para garantir segurança, inclusão e qualidade de vida a esses estudantes.
Implementar e avaliar um programa de capacitação em três módulos, abordando tipos de diabetes, monitoramento glicêmico, gestão de crises e prevenção do diabetes tipo 2. Mensurar o conhecimento dos professores antes e depois da capacitação, avaliando seu impacto na segurança e competência no manejo do diabetes e emergências glicêmicas. Analisar a autopercepção dos docentes sobre sua capacidade de intervir em crises e apoiar alunos com diabetes, identificando mudanças de atitude e maior confiança. Identificar lacunas na formação dos professores e propor recomendações para capacitação contínua, garantindo suporte adequado aos alunos. Contribuir para políticas educacionais inclusivas e protocolos de atendimento, promovendo um ambiente escolar mais seguro e adaptado. Implantar o Plano de Manejo do Diabetes nas Escolas (PMDE), assegurando diretrizes eficazes para o acompanhamento dos alunos.
O estudo promoveu a capacitação intersetorial entre as Secretarias Municipais da Saúde e da Educação, preparando professores de educação física para o manejo seguro de alunos com diabetes. Foram ministrados três módulos por especialistas, focados na identificação e resposta a emergências glicêmicas. A amostra foi composta por 40 professores de educação física da rede municipal. Todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e seguiram as normas éticas. Os módulos foram ministrados em horários extracurriculares e abordaram os seguintes temas: Módulo 1: Tipos de diabetes, monitoramento glicêmico e aplicação de insulina. Módulo 2: Tratamento, reconhecimento de crises glicêmicas (hipo e hiper) e intervenção segura. Módulo 3: Relação entre diabetes tipo 2 e obesidade, prevenção e hábitos saudáveis. Coleta e Análise de Dados: Foi aplicado um questionário composto por questões iniciais sobre o tempo de atuação do profissional, nível de formação, se já haviam ministrado aulas para alunos diabéticos e se o profissional se sentia apto no manejo deste aluno. Posteriormente haviam 12 questões específicas sobre diabetes, o manejo durante o período escolar e a prática esportiva. O questionário foi aplicado antes e após a capacitação para avaliar se a formação promoveria um melhor conhecimento e preparo dos professores nesta temática. A análise estatística evidenciou o impacto do treinamento.
Os resultados revelaram lacunas no conhecimento dos profissionais sobre diabetes e atividades físicas demonstrando que o conhecimento acerca do assunto é insuficiente, apesar de 72,5% terem pós-graduação. Cerca de 55% nunca havia lecionado para alunos diabéticos e 92,5% solicitavam laudo médico para a prática esportiva. O questionário específico sobre o diabetes antes da formação obteve como resultado geral mediana de 4 questões corretas de um total de 12; 42,5% desconheciam os valores adequados de glicemia antes do exercício; e 60% reconheciam a importância de fornecer carboidratos ou utilizar calçados adequados. No reconhecimento da hipoglicemia, 32,5% identificaram corretamente os sintomas e 57,5% não sabiam como agir em caso de crise; 20% souberam recomendar a ingestão de 15g de carboidratos de rápida absorção. Em crises graves, 62,5% sugeriram acionar serviços de urgência, e 27,5% propuseram massagear açúcar na mucosa oral, método indicado nestes episódios. Além disso, 75% dos professores relataram insegurança devido à falta de preparo durante a graduação, 12% consideraram o treino aeróbico associado ao resistido como o mais indicado, o que demonstra uma falta de entendimento sobre exercícios adequados para este público. Após a formação os resultados evidenciaram aumento de 2 pontos na mediana; em questões específicas demonstradas anteriormente houve um aumento significativo no nível de conhecimento e outras necessitam se maior consolidação.
Os resultados deste estudo evidenciam uma preocupação com o preparo dos professores de educação física para o manejo de alunos com diabetes, destacando a falta de informações adequadas sobre a condição e suas implicações nas atividades físicas. A escassez de conhecimento sobre monitoramento glicêmico, sinais de hipoglicemia e a necessidade de interação com as famílias podem representar riscos à saúde dos alunos. A maioria dos professores (75%) se sentiu despreparado, devido à falta de treinamento específico durante a graduação, o que além de comprometer a segurança também limita a participação dos alunos nas atividades físicas, essenciais para o controle do diabetes. Este cenário reforça a necessidade urgente de programas de formação contínua nas escolas, focados em diabetes e outras condições crônicas. Esses treinamentos devem abranger orientações sobre o manejo em emergências, práticas seguras de exercícios e comunicação eficaz com as famílias. Apenas com uma formação sólida, os professores poderão criar um ambiente seguro e inclusivo, garantindo um manejo adequado do diabetes nas escolas.
diabetes; escola; profissionais da educação física
LUANE GAVA