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As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) presentes nos equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) são importantes ferramentas para a promoção da saúde através de práticas, muitas vezes ancestrais, e que, ao tratar de forma uníssona enfermidades físicas, emocionais e cognitivas, trazem alívio, sejam eles agudos ou crônicos. O potencial dessas especialidades não tem passado despercebido pelos profissionais da saúde e, também, pela população que, gradativamente vem optando por novas formas de cuidar da saúde, preferindo novas abordagens que fujam do escopo tradicional da medicina ocidental. Embora elas, podem não substituir tratamentos conservadores, podemos dizer que, ao serem incorporadas nas rotinas de prevenção, tratamento e monitoramento de doenças, as PICS representam um ganho extraordinário para as equipes de trabalho em saúde e, especialmente, para os pacientes. Quando integradas a práticas corporais, seus efeitos são potencializados, tendo em vista a importância do exercício físico na manutenção da saúde, sobretudo, em uma população notoriamente sedentária: segundo dados publicados em 2023, quase 60 % da população brasileira está inativa. [1]. A Secretaria de Saúde de Jundiaí acredita que a junção da Auriculoterapia com a prática de exercícios de baixo impacto traga benefícios efetivos à comunidade, disponibilizando, na UBS Corrupira, esses serviços de forma integrada.
A Auriculoterapia é uma prática oriunda da Medicina Tradicional Chinesa, consistindo na utilização de pontos específicos do pavilhão auricular para tratar várias desordens do corpo. [2] Disponibilizamos esse método para o tratamento de pacientes com enfermidades dolorosas, inflamatórias, endócrino-metabólicas e condições de anormalidade de ordem psíquica, mental ou cognitiva, entre outras ocorrências. O emprego de exercícios físicos de baixo impacto tem por objetivo estimular a atividade física e a socialização, o que leva à prevenção de doenças – como as cardiovasculares – e diminui sintomas decorrentes da depressão e ansiedade, entre outros transtornos, melhorando, de forma conjunta, a saúde física e mental. Assim, a aplicação conjunta da Auriculoterapia e de exercícios de baixo impacto visa estimular o bem-estar físico, metal e cognitivo dos pacientes que recorrem a estas atividades para alívio dos sintomas de diversas enfermidades, aumentando, assim, sua qualidade de vida.
A partir de uma reunião de matriciamento, onde foi chegada à conclusão de que a maioria dos usuários da UBS Corrupira são sedentários optamos – através das práticas integradas do eMulti, juntamente com a equipe do Programa Saúde da Família (PSF) – iniciar um programa acessível à população e suas necessidades prementes, tendo, como foco inicial, o combate às doenças psíquico-sociais e a diminuição da capacidade motora. Desse modo, foi deliberado que o professor de Educação Física Samuel Ricardo de Almeida, aplicaria, durante 60 minutos, exercícios físicos de baixo impacto, utilizando materiais recicláveis como apoio. Na sequência, a Fisioterapeuta Cristina Aparecida Padoin inicia, de forma coletiva, uma seção de meditação e relaxamento que dura em torno de 20 minutos, seguida por sessões individuais de Auriculoterapia. Após definição de execução, foram organizados grupos de apoio ao projeto: em cada mês, uma dupla de Agentes Comunitário de Saúde acompanha o grupo, com a responsabilidade de informar o usuário sobre quaisquer mudanças na rotina, organizar o local, dar suporte para a equipe do eMulti durante os atendimentos e preparar os materiais que serão utilizados no grupo, como água, chás, materiais de higiene. Portanto, o projeto acontece todas às segundas-feiras, das 7h30 h às 10h30, em um espaço privado fornecido pela Igreja Católica local, com um público, predominantemente, de pessoas idosas e do sexo feminino.
Embora o objetivo inicial fosse atender o público de maneira geral, tínhamos ciência de que, pelo dia e horário ofertados, nosso grupo de participantes seria, majoritariamente de pessoas idosas, aposentadas ou sem ocupação formal. Ao ofertarmos o serviço, a recepção foi tímida, com um número reduzido de participantes para ambas as atividades. Mas, bons resultados são sempre o melhor cartão de visita: com a propaganda “boca a boca”, estamos atuando, hoje, com a capacidade máxima de usuários: 30 pessoas para a ginastica e 50 para a Auriculoterapia. Ao realizarmos o controle e monitoramento da frequência de cada usuário, pudemos verificar a melhoria na capacidade física dos mais idosos e debilitados e, segundo relatos dos próprios pacientes, aumento da autoestima e fortalecimento do sistema imunológico e principalmente alívio das dores musculoesqueléticas, melhora na qualidade do sono, estresse e ansiedade. E pudemos perceber que esse mérito não fica apenas para as práticas aplicadas: o convívio social e a sensação de comunidade servem de incentivo e conforto a todos os participantes e, também, à equipe responsável pelo projeto, que cada vez mais motivada, busca soluções para ampliar e aprimorar o serviço.
As PICS têm se mostrado recursos terapêuticos essenciais para a modernização e o fortalecimento dos cuidados oferecidos pelo SUS, sobretudo, no que se refere a autoestima e autocuidado. Representam a oportunidade de disponibilizar um atendimento ainda mais humanizado à população. Há muito foi comprovado que o hábito de praticar exercícios físicos é de extrema importância para prevenção e controle das doenças crônicas não transmissíveis, diminuição das dores osteomioarticulares, melhora a imunidade, a consciência corporal, diminui os efeitos do sofrimento mental, acarretando maior qualidade de vida para quem o pratica. Trazem ao usuário uma rica experiência que transforma seu corpo e mente à medida que fortalece seu sistema cognitivo e emocional. Ofertar à população um serviço que foge do escopo tradicional e que traz tantos benefícios concretos é gratificante, visto o impacto positivo causado nos participantes do projeto. Seguimos, tendo a certeza de que estamos integrando práticas de assistência, prevenção e promoção da saúde, tendo como suporte, sempre, as boas práticas da Atenção Básica à Saúde.
meditação, auriculoterapia, atividade física
CAROLINA DE AZEVEDO NEVES SEVERIANO, MARCIA REGINA PEREIRA DE OLIVEIRA, CRISTINA APARECIDA PADOIN, SAMUEL RICARDO DE ALMEIDA