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O pré-natal do parceiro é uma abordagem inovadora que visa envolver os homens no acompanhamento da gestação, reconhecendo a importância de sua participação não só para a saúde da mãe e do recém-nascido, mas também para a dinâmica familiar como um todo. Originalmente, essa prática tinha como foco a prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, além de evitar sequelas para o bebê, como a sífilis congênita. Além de cuidar da saúde do homem, o pré-natal do parceiro fortalece o vínculo afetivo entre o pai e o filho desde os primeiros momentos, também promovendo uma relação mais saudável entre o casal e entre a família. Na UBS Caxingui, a análise dos indicadores do pré-natal do parceiro durante o primeiro semestre de 2024 revelou uma adesão ainda baixa por parte dos homens, destacando a necessidade de estratégias mais eficazes para engajá-los nesse processo tão importante.
1. Sensibilizar os profissionais médicos e enfermeiros sobre a importância da prática do pré-natal do parceiro. 2. Aumentar a adesão dos parceiros na realização de exames de sorologia e no cuidado integral de sua saúde. 3. Mapear os parceiros com sorologia alterada e implementar medidas de prevenção precoce da transmissão vertical de infecções sexualmente transmissíveis. 4. Verificar a pressão arterial dos parceiros e orientá-los sobre a necessidade de cuidados para redução do risco cardiovascular. 5. Informar sobre o direito da mulher a ter um acompanhante no pré-parto, parto e puerpério, destacando os benefícios dessa participação para a saúde da mulher, do recém-nascido e da família.
Este estudo aborda a implementação de ações voltadas para intensificar o acompanhamento dos parceiros no pré-natal. A metodologia foi dividida nas seguintes etapas: 1. Sensibilização e capacitação da equipe de saúde – Foram realizadas rodas de conversa para orientar os profissionais sobre a importância da participação do parceiro no pré-natal e seu impacto na saúde materno-fetal. 2. Adequação do prontuário da gestante – Foi incluído um campo específico para registro do acompanhamento do parceiro, incentivando os profissionais a solicitarem exames sorológicos, verificarem o status vacinal e aferirem a pressão arterial dos parceiros. 3. Triagem e acompanhamento dos parceiros – Os parceiros com sorologia alterada foram identificados e encaminhados para acompanhamento adequado, incluindo tratamento para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com o objetivo de reduzir a transmissão vertical. 4. Avaliação da adesão e impacto – Foram analisados indicadores como a adesão dos parceiros às consultas, exames realizados e impacto das intervenções na prevenção de DSTs e na saúde materno-infantil.
A implementação das ações resultou em um aumento significativo na participação dos parceiros no pré-natal. Observou-se que 67% das gestantes acompanhadas no segundo semestre de 2024 tiveram a presença do parceiro em pelo menos uma consulta, representando um aumento de 100% em comparação ao período anterior à intervenção. Com a adequação do prontuário, os profissionais de saúde passaram a registrar de forma mais sistemática a participação dos parceiros, permitindo um melhor monitoramento. Como resultado, 53% dos parceiros realizaram exames sorológicos, dos quais apenas um apresentou alteração e foi encaminhado para tratamento imediato e acompanhamento. Além disso, a aferição da pressão arterial também foi realizada em 67% dos parceiros, contribuindo para a identificação precoce de possíveis fatores de risco para doenças cardiovasculares. O impacto dessas ações refletiu-se em um fortalecimento do vínculo dos parceiros com a equipe de saúde, contribuindo para um acompanhamento mais completo da gestante e favorecendo um ambiente familiar mais saudável para o bebê.
A experiência conduzida na UBS Caxingui demonstra que a implementação de estratégias direcionadas ao envolvimento do parceiro no pré-natal pode gerar impactos positivos tanto para a saúde materno-infantil quanto para a dinâmica familiar. A sensibilização dos profissionais de saúde, a adequação dos prontuários e a oferta ativa de exames e triagens contribuíram para um aumento na adesão dos parceiros, promovendo um cuidado mais integral e preventivo. Além dos benefícios clínicos, como a detecção precoce de ISTs e a redução do risco cardiovascular, o fortalecimento do vínculo entre os parceiros e a equipe de saúde reforça a importância da participação masculina no processo gestacional. A presença do parceiro no pré-natal não apenas auxilia na promoção da saúde da gestante e do bebê, mas também fomenta um ambiente familiar mais acolhedor e informado. Apesar dos avanços observados, a adesão ainda pode ser aprimorada por meio de ações contínuas de educação e engajamento, garantindo que mais parceiros compreendam seu papel no cuidado gestacional. Dessa forma, reforça-se a necessidade de políticas públicas e estratégias de incentivo para consolidar o pré-natal do parceiro como uma prática essencial dentro da atenção primária à saúde.
cuidado gestacional, gestação, pré-natal
MARIANA DE SALES DIAS, GEORGE LUIZ ASSUNÇÃO, CAMILLA DIAS PEREIRA