Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Atenção Básica, conforme a Lei nº 8.080/1990, a Lei nº 8.142/1990 e a Política Nacional de Atenção Básica (Portaria nº 2.436/2017), constitui a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e ordenadora do cuidado no território. Seu fortalecimento requer gestão participativa, valorização das equipes e efetiva participação social. O município de Atibaia conta com 19 unidades de saúde, 23 equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), 14 equipes de Atenção Primária (EAP), 124 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), 1 Academia da Saúde e 1 Consultório na Rua. Entre abril e julho de 2025, a Diretoria da Atenção Básica promoveu rodas de conversa com 100% das equipes, envolvendo ACS, gerentes, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipe multiprofissional. A iniciativa teve como objetivo resgatar a essência da ESF, fortalecer o vínculo com a comunidade e qualificar o processo de trabalho territorial. Estruturada como estratégia de Educação Permanente em Saúde (Portaria nº 198/2004), a experiência gerou impactos significativos tanto nos profissionais quanto na população adscrita.
Fortalecer a Atenção Básica como ordenadora da Rede de Atenção à Saúde; Valorizar o protagonismo dos 124 ACS como elo estratégico entre serviço e território; Qualificar o papel dos gerentes como lideranças organizacionais do cuidado; Integrar efetivamente a equipe multiprofissional no planejamento territorial; Ampliar a participação social e as ações intersetoriais; Intensificar práticas de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos.
Foram realizadas rodas de conversa territoriais conduzidas pela Diretoria da Atenção Básica e por apoiadoras institucionais, envolvendo as 23 ESF e 14 EAP do município. Os encontros utilizaram metodologias participativas, análise do processo de trabalho e construção coletiva de estratégias. Os ACS apresentaram diagnósticos situacionais baseados nas visitas domiciliares e na territorialização. Os gerentes participaram da reorganização de fluxos e da pactuação de metas e indicadores. Médicos, enfermeiros, técnicos e equipe multiprofissional contribuíram na elaboração de atividades integradas de cuidado. Cada unidade estruturou plano local de fortalecimento da ESF, articulado ao apoio da equipe e Multi, população e rede de apoio ampliando a equidade e a intersetorialidade das ações.
Houve envolvimento de 80% das unidades e fortalecimento do protagonismo dos 124 ACS no planejamento territorial. Observou-se ampliação da integração multiprofissional e reorganização das agendas, com inclusão de atividades coletivas. Foram intensificadas ações como incentivo ao aleitamento materno, prevenção do câncer de colo do útero e de mama, fortalecimento do pré-natal e realização de grupos educativos. Registrou-se maior adesão da comunidade às atividades das unidades e fortalecimento do vínculo longitudinal entre equipe e população. As equipes relataram aumento do sentimento de pertencimento, maior clareza do papel institucional e alinhamento às diretrizes da PNAB, consolidando a Atenção Básica como coordenadora do cuidado no município.
A experiência evidencia que o fortalecimento da ESF depende de incentivo institucional estruturado, liderança participativa e valorização dos profissionais, especialmente dos ACS como articuladores estratégicos do território. Ao integrar gestão, gerentes, equipes multiprofissionais e comunidade, consolidou-se um modelo alinhado às normativas do SUS e aos princípios da universalidade, integralidade e equidade. As rodas de conversa consolidaram-se como ferramenta estratégica de Educação Permanente em Saúde, com potencial de replicabilidade, sustentabilidade e impacto estrutural na organização da Atenção Básica municipal.
protagonismo, acs, gestão participativa
CRISTIANE BUENO DE SOUZA, GABRIELA CRISTINA BARREIRO, FLÁVIA VASCONCELOS CORRALO