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Em dezembro de 2020, o município de Guarulhos por meio da Portaria nº 245, implantou o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) tendo como finalidade realizar detecção, verificação, avaliação, monitoramento e comunicação de risco imediato de potenciais emergências em saúde pública. Define-se emergência em saúde pública as situações que demandem o emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública em virtude da ocorrência das seguintes situações: epidemiológicas (surtos ou epidemias), de desastres ou de desassistência à população. O desastre é compreendido como um evento que apresenta duas características importantes, combinadas ou não. A primeira é a interrupção do funcionamento normal de uma comunidade afetando seu cotidiano. Envolvendo perdas materiais assim como danos ambientais e à saúde da população. A segunda é exceder a capacidade de uma comunidade ou sociedade afetada em lidar com a situação utilizando seus próprios recursos. As interferências do homem na natureza têm favorecido às mudanças climáticas e ao maior risco de ocorrência de desastres, com implicações na saúde da população, em especial das mais vulneráveis. Esse projeto visa fortalecer as ações do Programa Nacional de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres – Vigidesastres , por meio das ações de alerta, comunicação, resposta e reabilitação às emergências em saúde pública por desastres.
Identificar e monitorar os tipos de desastres ambientais e seu impacto na saúde humana; Fortalecer as ações integradas de prevenção, mitigação, resposta e reabilitação às emergências em saúde pública.
O presente projeto, utilizou-se de metodologia quantitativa por meio de levantamento dos dados de eventos detectados, verificados e acompanhados pelo CIEVS Guarulhos. Os dados são oriundos do Sistema Integrado de Defesa Civil (SIDEC) e da Avaliação dos Danos de Interesse do Setor Saúde e Identificação de Necessidades (ADAN-SUS). Posteriormente os dados foram tabulados em planilha excel para facilitar o monitoramento dos eventos utilizando-se das seguintes variáveis: natureza dos eventos, nº de desalojados, nº de enfermos, nº de feridos, danos materiais, danos aos serviços públicos e da rede de saúde.
Ao analisar os dados monitorados no período de março de 2021 a outubro de 2023, observou- se 9 ocorrências de incêndios urbanos, sendo 1 em comunidade e outros 8 em empresas ou galpões. Foram registradas 44 ocorrências de inundações, 2 acidentes em rodovias com vazamento de etanol, 1 acidente com vazamento de gás, 2 acidentes de trabalho com material químico perigoso, 1 deslizamento de terra e 18 quedas de muros. O número total de vítimas feridas ou enfermas correspondem a 6 e 61 respectivamente. Nesse período 4.204 pessoas ficaram desalojadas. Verificou-se que cerca 65% das pessoas atendidas nas ocorrências eram adultas e cerca de 23% eram crianças. Quanto ao número de ocorrências a região Cantareira (19) registrou maior número de eventos, seguida pela região São João (12), Pimentas (11) e Centro (9). A região Cantareira concentra maior número de ocorrências relacionados a inundações e alagamentos, enquanto registros de incêndios foram identificados em todas as regiões com predominância das ocorrências por incêndios encontrados na região São João e Pimentas.
Diante do exposto, o monitoramento e acompanhamento dos eventos, permitiu maior cooperação e integração entre as áreas técnicas do departamento de vigilância em saúde. Como forma de aprimorar a comunicação entre as áreas foi elaborado fluxo de resposta às emergências em saúde pública a desastres. Além de fortalecer as ações de vigilância em saúde no manejo adequado às situações de desastres no território. Utilizar o instrumento da Avaliação dos Danos de Interesse do Setor Saúde e Identificação de Necessidades (ADAN-SUS) favoreceu um novo olhar para as vulnerabilidades do território. Por fim, esse projeto nos fez conhecer e identificar o perfil dos desastres que mais acometem o município e fomentar a criação de planos de gestão de risco e contingência para o enfrentamento às situações de emergência em saúde por desastres.
Emergência em saúde pública, desastres, prevenção
Magda Carvalho de Oliveira