Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Durante os matriciamentos de saúde mental realizados entre as treze UBS e os três serviços de saúde mental – Centro de Atendimento Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij), Centro de Atendimento Psicossocial II (CAPS II) e o Serviço Especializado em Saúde Mental (SESM) –, observou-se que a atenção básica apresentava um número elevado de casos encaminhados para os serviços especializados. Além disso, um agravante identificado foi o tempo de espera para que esses pacientes fossem atendidos nos serviços especializados. Contudo, ao discutirmos os casos, percebemos que muitas das demandas poderiam ser atendidas diretamente nas próprias unidades de saúde básica, por meio de ações já oferecidas, uma vez que se tratavam de casos de menor complexidade. A partir dessa compreensão, e após discussões internas no SESM e com os serviços territoriais, planejamos ações conjuntas com as equipes da atenção básica. Inicialmente, iniciamos o acolhimento de pacientes que possuíam apenas guias de referência e contrarreferência para os serviços de saúde mental, com foco principal na avaliação psicológica.
Ampliar o alcance do atendimento, reduzindo o tempo de espera, sem comprometer a qualidade do cuidado; • Fortalecer a aproximação com o território e promover a corresponsabilização no cuidado dos usuários; • Oferecer acolhimento aos usuários e intervenção eficaz nas demandas de saúde mental apresentadas; • Prevenir o agravamento de quadros com demandas em saúde mental, por meio da intervenção precoce em casos leves ou moderados.
Após o levantamento das demandas e guias durante os matriciamentos, a equipe do SESM, em parceria com a atenção básica, organizou grupos territoriais, com data, horário e número de participantes previamente definidos. A maioria desses encontros ocorreu às sextas-feiras, no período da manhã, com uma média de 15 participantes por grupo. Os grupos, denominados grupos de acolhimento, foram divididos por faixa etária: adultos/idosos e crianças/adolescentes, e sempre realizados na atenção básica, com duração aproximada de 1h30min. Durante as atividades, cada participante era convidado a compartilhar o motivo do encaminhamento, os sintomas atuais, além de informações sobre sua rotina, lazer e rede de apoio. Após esse momento de compartilhamento, as profissionais do SESM, juntamente com a equipe territorial, realizavam intervenções, oferecendo orientações, sugerindo atividades disponíveis no território e, quando necessário, encaminhando para a rede especializada.
Ao longo do ano, aproximadamente 80% das unidades básicas de saúde participaram dos grupos realizados. A maioria dessas unidades designou membros de suas equipes para atuar junto aos profissionais do SESM, o que potencializou os grupos, considerando o vínculo com a equipe destas unidades territoriais com os usuários e o conhecimento das atividades oferecidas no território. Observou-se também que, após o início das atividades, o número de encaminhamentos para os serviços especializados diminuiu, uma vez que, com a nova estratégia adotada pela unidade, os profissionais passavam a identificar a necessidade e, quando necessário, entravam em contato com a equipe de matriciadores. Dessa forma, era possível pactuar com a equipe do SESM a formação de novos grupos. Além dos resultados apresentados, ficou evidente que muitas das demandas não necessitavam de encaminhamento para outros serviços e poderiam continuar sendo acompanhadas pela própria unidade. Com isso, realizamos orientações aos profissionais da unidade sobre como monitorar e dar seguimento aos casos internamente.
A experiência dos grupos de acolhimento em saúde mental na atenção básica, em parceria com o SESM, se mostrou uma estratégia eficaz para ampliar o acesso, reduzir o tempo de espera e promover um cuidado mais próximo ao território, além de fortalecer o matriciamento das equipes. A iniciativa reforça a importância das intervenções precoces, realizadas em espaços acessíveis e próximos à comunidade, para a promoção da saúde mental e prevenção de adoecimentos psíquicos. Esse modelo de cuidado, ao fortalecer a rede de atenção primária, evidencia a relevância de práticas que integram prevenção, acolhimento e corresponsabilização no cuidado à saúde mental.
Saúde Mental, Rede de Saúde
SANDRA CRISTINA SILVESTRINI, GLAUCIA APARECIDA SILVA BUENO