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A tuberculose ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil. Segundo o Boletim Epidemiológico da Tuberculose 2025, o número de diagnósticos de novos casos segue em torno de 84 mil. A adesão ao tratamento, devido ao seu longo período, é um dos maiores desafios, resultando em abandono e complicações clínicas. Diante desse cenário, a Unidade de Saúde da Família Mariana II, localizada no município de Garça/SP e sob gestão da Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD), desenvolveu uma ação com tempo de execução de um ano, voltada ao fortalecimento do vínculo e acompanhamento dos pacientes em tratamento de tuberculose. Para isso, adotou a estratégia preconizada de medicação diária assistida na unidade, bem como acompanhamento ativo da evolução do quadro, garantindo melhor adesão e segurança terapêutica, além de promover o cuidado integral. Também foi identificado como essencial o acompanhamento multidisciplinar, voltado para o manejo de hábitos e vícios que frequentemente contribuem para o abandono e a não adesão ao tratamento.
O objetivo da ação desenvolvida pela Unidade de Saúde da Família Mariana II, no município de Garça/SP sob gestão da Sociedade Beneficente de Garça (SBCD), foi fortalecer o vínculo e o acompanhamento dos pacientes em tratamento de tuberculose, por meio da medicação assistida diariamente e do monitoramento da evolução clínica, com tempo de execução de um ano. Assim, buscou-se: reduzir as taxas de abandono do tratamento; fortalecer o vínculo entre o paciente e a Unidade de Saúde para garantir a melhor adesão terapêutica; promover a adesão completa à terapia medicamentosa; acompanhar individualmente a evolução clínica dos pacientes; oferecer suporte integral por meio de acompanhamento multidisciplinar; e estabelecer plano de cuidado individualizado, levando em consideração as necessidades específicas de cada paciente
O quadro que inspirou a experiência exitosa foi referente a um paciente que havia abandonado previamente o tratamento da tuberculose, em decorrência de hábitos e vícios (tabagismo, estilismo e uso de substâncias psicoativas), o que resultou em internação devido às complicações clínicas. Após esse episódio, o paciente iniciou acompanhamento com especialista infectologista, em consultas realizadas em outro município. Considerando a logística e a necessidade de garantir adesão ao tratamento, a equipe da USF Mariana II, estruturou uma ação de fortalecimento do vínculo e acompanhamento ativo, com tempo de execução de um ano, que incluiu: oferta da medicação assistida diariamente na unidade de saúde, garantindo administração supervisionada; busca ativa realizada pelos agentes comunitários de saúde em casos de ausência, assegurando continuidade do tratamento. acompanhamento clínico e laboratorial individualizado, para monitorar a evolução do quadro e intervir precocemente quando necessário e apoio multidisciplinar direcionado aos hábitos e vícios, reconhecidos como fatores de risco para abandono do tratamento. Um dos maiores desafios identificados foi justamente a abordagem dos hábitos e vícios do paciente, considerando seu histórico de abandono. Com a intervenção da equipe, houve um desfecho positivo: o paciente cessou o uso de substâncias psicoativas, interrompeu o estilismo e completou o tratamento de forma integral, sem novos episódios de abandono.
Com a implantação da metodologia, foi possível alcançar adesão integral ao tratamento da tuberculose, sem registros de abandono durante o período de execução da ação. Houve aumento da adesão diária, maior proximidade e confiança entre os pacientes e a Unidade de Saúde da Família, além de pacientes mais conscientes sobre a importância do tratamento completo.
Sabemos que a tuberculose ainda representa uma grande porcentagem das doenças notificáveis da atenção primária saúde. A experiência mostrou-se eficaz em solucionar um dos maiores desafios da tuberculose: a adesão ao tratamento. O modelo implementado do fortalecimento do vínculo e acompanhamento através da medicação assistida bem como o acompanhamento individualizado do tratamento de tuberculose contribuiu para melhores desfechos clínicos e epidemiológicos. Essa prática, implementada conforme preconizada confirma a importância da atenção primária à saúde como espaço para o cuidado continuado, humanizado e resolutivo.
TUBERCULOSE, TRATAMENTO, UNIDADE BASICA DE SAÚDE
AMANDA UETANABARA PIAI, JESSICA CAETANO LEITE, LUIS FELIPE MARQUES