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A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum na população mundial, atrás apenas da Doença de Alzheimer. Estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas em todo mundo possuem a doença1. Os sinais e sintomas clínicos da DP aparecem quando no mínimo 80% das células da substância negra foram afetadas2 3. Constituem sintomas cardinais da doença: tremor de repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural. Como manifestação secundária: a micrografia, embaraçamento da visão, face em máscara, distonia, demência e depressão4. O estresse é uma reação psicofisiológica, frente a uma ameaça, real ou implícita, percebida pela pessoa, que é desencadeada por eventos específicos, que elicia o organismo a reagir a algo que ameace a sua homeostase, ou seja, a ação perante o agente estressor tem por finalidade fundamental a preservação da vida2,5. A maneira como o indivíduo reage diante de um estressor vai depender de sua capacidade de enfrentar um agente estressor e a habilidade de superá-lo por meio de estratégias de enfrentamento6,7,8. Essas estratégias de enfrentamento dependerão de fatores cognitivos e comportamentais dispendido para o controle de respostas do sujeito a situações que estão requerendo recursos pessoais em demasiado9,10. Desta maneira, compreender os agentes estressores e a capacidade cognitiva do paciente é relevante para que o profissional elabore um plano de intervenção com estratégias de coping.
Identificar a ocorrência de estresse e agentes estressores, as funções cognitivas em idosos com Doença de Parkinson.
Foram avaliados 36 idosos, com Doença de Parkinson, pacientes do Programa Raimunda Moura para Parkinsonianos no município de Atibaia. Os participantes da amostra tiveram a idade média de 69,66 anos e o tempo médio de diagnóstico da patologia foi de três anos. Identificou-se que 41,66% dos participantes encontram-se no estágio I da doença e nos estágios II e III, respectivamente, 38,88% e 19,44%. A maioria dos indivíduos é do gênero masculino (61,11%). Utilizou-se o Quadro sistemático para identificar situações/estímulos estressores e estratégias de enfrentamento, foi uma adaptação do registro de pensamento extraída de Cognitive behavior therapy worksheer packet. Copyriht 2011 (apud BECK, 2013). Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) que permite uma classificação em quatro diferentes fases de estresse, sendo: (1) alerta, uma fase considerada positiva pelo sujeito, que se sente mais produtivo e com mais energia e vigor em função da produção de adrenalina eliciada pelo estressor; (2) resistência, na qual o organismo tenta resistir diante do acúmulo de estressores com o passar do tempo; (3) quase exaustão, em que uma situação estressante se estende por longo tempo e o organismo tende a procurar uma adaptação; e (4) exaustão, que é considerada uma fase de estresse patológico. Os pacientes foram avaliados de forma individual, em sessão semanal, com duração de 50 minutos, em dois encontros.
Dos pacientes 52,77% possuem Ensino Fundamental e obtiveram 26,26 no MEEM, o que revela funções cognitivas preservadas. No MoCA-B, a média por esse grupo escolar foi 21,6, indicativo de deficit cognitivo. Os pacientes com Ensino Médio obtiveram no MEEM média 28,09 o que denota cognição preservada, porém no MoCA, 22,81, indicativo de declínio das funções cognitivas. Os pacientes com Ensino Superior tanto no MEEM quanto no MoCA, os resultados revelam cognição preservada. Em relação ao estresse, dos 55,55% participantes (n=36) que apresentaram estresse, 50% encontram-se no estágio I da patologia. O estágio que apresentou maior número de pessoas sem estresse, foi o estágio II (43,75%). Em relação as fases do estresse a maior porcentagem das pessoas, estavam na fase exaustão (66,66%) seguidos da fase de resistência (47%), no estágio I da DP. Os estágios I e II da patologia os participantes apresentavam a fase da exaustão, porém na fase II com menor incidência. Os pacientes se encontram com estresse em sintomatologia psicológica (78,94%). Foram elencados o “ser totalmente dependente” como causador de estresse em 21,12%; “dificuldades para fazer atividades diárias” (19,71%) e “Estar com a doença de Parkinson” (16,90%). Os pensamentos e sentimentos mais frequentes foram o nervosismo/irritabilidade (17,85%), vergonha/constrangimento (17,85%), medo (17,85%), tristeza (17,85%) e com 14,28% preocupação.
Foi possível constatar que 55% dos participantes deste estudo apresentaram estresse e destes, 50% encontram-se no estágio I da patologia e estes estavam, em sua maioria, na fase de exaustão do estresse seguida da fase de resistência. No estágio III da DP os participantes encontravam-se na fase de resistência e o estágio II foi o que apresentou menor porcentagem de pessoas com estresse. Sugere-se aos profissionais de saúde, trabalharem com os pacientes com doença de Parkinson a identificação dos agentes estressores e ações para administrá-los de forma efetiva, pensando em mudanças cognitivo-comportamentais, no treinamento da assertividade do diante das fontes estressoras. Tal treino consiste em orientação para respostas adequadas às situações reais. Com isso, o parkinsoniano pode adquirir a consciência dos agentes causadores de estresse e possíveis ações efetivas, para reforçar os mecanismos efetivos, promovendo condições de suporte a partir do estilo do sujeito.
Doença de Parkinson
Dirce Sanches Rodrigues, Marcos Antonio de Moura, Kátia Gouvêa Lousada, Luiz Arthur Moreira Nunes, Rose Mary Aparecida de Souza Berchol