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O campo da saúde mental vem passando por diversas transformações no Brasil, principalmente a partir da Reforma Psiquiátrica a partir da década de 1970. Transformações que vislumbram por um atendimento mais humano e não centralizado em hospitais psiquiátricos, ancoradas em projetos terapêuticos pautados na inclusão das pessoas em sofrimento psíquico, o CAPS II (Centro de Atenção Psicossocial) é um reflexo dessa transformação, um serviço de saúde mental que presta atendimento em regime de atenção diária para promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais. A oficina de futebol com os pacientes do CAPS é uma atividade terapêutica valiosa para promover a saúde mental e o bem-estar dos pacientes, a redução do estresse e ansiedade, melhoria da autoestima e o desenvolvimento de habilidades sociais e a melhora da saúde física. O futebol é um esporte que requer comunicação, cooperação e trabalho em equipe, o que ajuda a desenvolver os pacientes e a estabelecer vínculos.
•Reduzir sintomas como estresse e ansiedade, promover sensação de bem-estar. •Melhorar a autoestima, promover a confiança em alcançar metas e objetivos durante a atividade e na vida. •Desenvolver habilidades sociais, como comunicação, cooperação e trabalho em equipe. •Fortalecer o vínculo e estabelecer relação de confiança entre os profissionais e os pacientes.
A oficina ocorre semanalmente às segundas feiras com duração de 1h30, reúne aproximadamente 15 pacientes por semana, no Ginásio Municipal de Esportes, espaço cedido pela secretaria de esportes. Início da atividade com exercícios de aquecimento e alongamento, divisão dos times que incluem outros participantes da comunidade, além dos pacientes as vezes algum familiar, o psicólogo e enfermeiro que são referências técnicas dos mesmos. Tem como foco desenvolver as habilidades sociais e promover a confiança o que já se percebe enquanto os próprios pacientes se organizam para o início da atividade promovendo a interação e o trabalho em equipe, potencializa atitudes positivas diante da vida e induz a um maior conhecimento sobre si mesmo.
A oficina de futebol no CAPS é uma experiência extremamente bem-sucedida. Com o objetivo de promover a saúde mental e a inclusão social, a oficina reuniu pacientes com transtornos mentais graves e persistentes para praticar futebol em um ambiente seguro e apoiador, se tornando um exemplo de como a terapia recreativa pode ser usada para promover saúde, além de privilegiar o sujeito ao invés da doença dentro de uma perspectiva ampla e integral de saúde. O ato de jogar futebol num espaço público já demonstra um direito do cidadão que está sendo posto em prática, direito este que fora negado aos usuários de saúde mental nos manicômios.
É através de um viés critico, que visa a transformação social dos sujeitos em sofrimento psíquico, que podemos trabalhar por meio das práticas corporais que busquem integrar os sujeitos com o meio, valorizando-os como participantes ativos do processo terapêutico e não os deixando a mercê de ambientes e práticas reclusas que não visem a reinserção social deles nas comunidades. O estigma das pessoas com distúrbios mentais acaba por exclui-las socialmente, no CAPS existe uma batalha contra esse estereótipo, com atitudes que permitem aos usuários a realização de atividades que tragam algum tipo de reflexão sobre seu valor como ser humano para a sociedade. Quando tem a possibilidade de participarem de competições como o Inter CAPS, os pacientes experimentam a motivação de se esforçarem mais para alcançar seus objetivos, focando no processo e não apenas no resultado.
CAPS, CONVIVEMCIA SOCIAL
GIULIANO DA CRUZ FURLAN