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A educação permanente (EP) em Urgência e Emergência é um tema fundamental para o aprimoramento e capacitação dos profissionais atuantes nesta realidade. A EP tem a finalidade de atualizar conhecimentos, desenvolver treinamentos práticos, promover a transformação e proporcionar desenvolvimento profissional e pessoal aos trabalhadores. A Política Nacional de Educação Permanente instituída pela Portaria GM/MS nº 198/2004, teve a suas diretrizes atualizadas pela Portaria GM/MS nº 1.996/2007, inovando a estratégia do Sistema Único de Saúde na educação, ao considerar a qualificação e a transformação das práticas de ensino em saúde. Para o Serviço Móvel de Atendimento à Urgência (SAMU), as ações de educação já eram previstas na Portaria GM/MS 2048/2002, alinhando os princípios do Sistema Único de Saúde ao ambiente pré-hospitalar fixo e móvel nas urgências e emergências. A inserção de metodologias ativas na educação permanente em urgência e emergência é uma atualização no processo ensino-aprendizagem. Para Silva et al (2024), a realização de abordagens inovadoras fornece uma educação relevante e de alta qualidade. A Educação Permanente no SAMU Diadema é realizada por uma enfermeira que atua em colaboração com equipe multidisciplinar neste processo. A realização deste treinamento no SAMU Diadema reflete a importância de implantar novas metodologias de ensino e que esteja embasada em legislação vigente e recursos disponíveis.
Capacitar as equipes de Suporte Básico e Avançado quanto ao atendimento da Parada Cardiorrespiratória no ambiente pré-hospitalar por gamificação do conteúdo teórico; Inserir metodologias ativas no processo de ensino aprendizagem na Educação Permanente no contexto da urgência e emergência; Promover o desenvolvimento de pensamento crítico, aprendizagem autônoma e participativa nos trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.
Para o cumprimento de cronograma anual, fora realizado um treinamento teórico-prático sobre atendimento a parada cardiorrespiratória com prática de manobras de reanimação cardiopulmonar, considerando o algorítimo de suporte básico de vida da American Heart Association e o Protocolo de Suporte Básico de Vida do SAMU de Atendimento à Parada Cardiorrespiratória (SBV-PBC5). Para tratar a questão teórica, utilizou-se o recurso de post-it e flipchart disponível no serviço. Primeiramente, fora descrito manualmente a sequência de atendimento no flipchart pela enfermeira da educação permanente. A orientação do jogo de aprendizagem consistiu em explicar aos participantes o objetivo do treinamento e que era necessário a colagem sistematizada do post-it no flipchart na sequência correta em 5 minutos. A gamificação consistia em colar o post-it numerado de 1 a 7, associado à sequência do atendimento em período de tempo previamente determinado. Após a parte teórica, a prática era realizada em manequim de reanimação cardiopulmonar. O treinamento fora realizado no período diurno e noturno para contemplar o maior número de profissionais.
As equipes demonstraram motivação ao participar do treinamento pois a metodologia estava diferente da sala de aula convencional. Do total de 100 profissionais que tinham a obrigatoriedade de realizar o treinamento, houve a participação de 62 profissionais que realizam assistência direta a vítimas em no atendimento pré-hospitalar. O perfil deste serviço traz desafios para a realização de treinamentos, visto que o ambiente não é controlado. Esta condição limita a adesão ao treinamento, uma vez que o atendimento ao usuário é prioritário. No entanto, elencou-se a importância em proporcionar condições que contemplassem a maior parte de profissionais possíveis para o treinamento sem comprometimento da assistência. A gamificação permitiu que o tempo de treinamento fosse otimizado, possibilitando a adesão de mais profissionais. A interação entre os profissionais é outro aspecto a ser destacado, pois tiveram que colaborar entre si quanto ao compartilhamento do conhecimento. O desenvolvimento da habilidade de trabalhar em equipe é um outro fator a ser considerado, pois nesta atividade os profissionais interagiram de forma participativa na colaboração do conhecimento mútuo. A resolução de problemas é outra habilidade que fora observada no desenvolvimento da atividade, pois no momento crítico do atendimento pré-hospitar à Parada Cardiorrespiratória, a equipe precisa estar alinhada ao protocolo de atendimento e pensar de forma sistematizada e sequenciada.
A Educação Permanente (EP) em Urgência e Emergência agrega conhecimento técnico-científico e proporciona desenvolvimento pessoal e profissional aos especialistas desta área. A gestão do serviço enfrenta desafios para a realização da capacitação conforme a legislação vigente, uma vez que ela é realizada dentro do próprio horário de serviço e muitas vezes a demanda de atendimento supera o previsto, onerando o cumprimento de cronogramas. A utilização de metodologias ativas como a gamificação, otimiza o tempo de treinamento, permitindo que a participação dos profissionais seja ampliada. A Educação Permanente neste contexto considera a experiência individual dos profissionais, e o profissional que é mediador do conhecimento, constrói novos conceitos adequando as atualizações técnicas à vivência e realidade do serviço. Esta experiência nos trouxe a reflexão da necessidade em buscar alternativas para garantir o processo de ensino-aprendizagem dentro do ambiente pré-hospitalar, utilizando os recursos disponíveis visando a gestão de custos, desenvolvimento de habilidades e sem comprometer o atendimento ao usuário.
Educação Permanente,Metodologia ativa,Emergência.
LIVIA BARUDI DAMASCENO, ADALBERTO SILVA CERQUEIRA, AVILMAR SOUZA DE CARVALHO, AURELIO RAMOS LEITÃO